estabilidade econômica

Setor produtivo e especialistas listam medidas para Brasil crescer

Após anos de turbulências e desarranjos macroeconômicos no País, empresários espera estabilidade da próxima gestão presidencial

01:00 · 11.08.2018

Com o novo ciclo a se iniciar no Brasil a partir do próximo 1º de janeiro de 2019, a manutenção da estabilidade econômica é uma das premissas básicas esperadas pelo setor produtivo a respeito da atuação do próximo presidente da República. Mas mais que isso, a cadeia de produção nacional anseia pela saída do marasmo econômico em que o Brasil se encontra atualmente e também pela retomada do crescimento.

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Para isso a redução da carga tributária e da burocracia, bem como o maior investimento em infraestrutura e o andamento das propostas de reformas estão entre as principais demandas do setor produtivo à área econômica do próximo governo. O oferecimento de maior segurança jurídica, principalmente em relação à reforma trabalhista aprovada no ano passado, também é pauta recorrente entre segmentos da cadeia de produção nacional.

Estas são algumas das sugestões listadas pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) no documento "Propostas da Indústria para as Eleições 2018", que foi entregue pela entidade aos presidenciáveis. O presidente da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec), Beto Studart, avalia que o olhar voltado a estes pontos permitirá levar o Brasil a um outro patamar de desenvolvimento.

Studart ressalta que, além das medidas econômicas, o próximo presidente precisa ter compromisso com a ética na gestão pública para que a sociedade possa voltar a acreditar nos governantes brasileiros.

"O que é impossível aceitar do próximo governo são retrocessos que nos mantenham reféns de um estado perdulário e ineficaz, que desestimula a iniciativa privada e impede a produção e o aumento da competitividade", destaca o presidente.

Segurança jurídica

De acordo com Antonio Martins, economista da Fiec, a reforma trabalhista aprovada em novembro do ano passado ainda deixou dúvidas e inseguranças, o que a indústria espera que em breve sejam esclarecidas e consolidadas. Mas o problema de novas normas em conflito com outras existentes ou regras que deixam margem para diferentes interpretações são recorrentes no País - e o setor quer avanços nessa questão.

Outra medida considerada indispensável, principalmente para o Nordeste, diz respeito ao aumento do nível de investimento público em infraestrutura. "A região possui o maior número de obras inacabadas e isso acaba elevando os custos de produção, dificultando o escoamento de produtos da região. O maior investimento nesse setor vai gerar ganhos de produtividade e de competitividade para a indústria do Ceará e do Nordeste", explica Martins.

Reforma

Em relação à reforma tributária, que é defendida pelo setor, o economista pondera ser preciso preservar os incentivos para as atividades na região Nordeste. "No momento em que se faz uma reforma tributária, os subsídios deixam de existir. É importante haver uma compensação para região, que historicamente recebe subsídios do governo, e assim preservar o incentivo do desenvolvimento produtivo no Nordeste", aponta.

Juros e inflação

Na macroeconomia, a expectativa do setor é a que a política fiscal aplicada seja suficiente para reduzir a dívida do Estado e manter um ambiente de baixa taxa de juros e inflação. O economista pondera, entretanto, haver uma conformidade entre as equipes econômicas dos candidatos à Presidência quanto à importância da estabilidade macroeconômica do País. "Acredito que houve um aprendizado com os erros do passado", diz.

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