Em 2017

Setor atacadista cearense faturou R$ 2,33 bilhões

Volume representou uma expansão de 1,7% sobre o registrado no ano anterior, segundo contabilizou a Abad

01:00 · 02.05.2018 por Bruno Cabral* - Repórter
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Os dados sobre o desempenho do setor atacadista distribuidor foram divulgados na semana passada, em evento realizado em São Paulo

São Paulo. Em 2017, o setor atacadista distribuidor do Ceará faturou R$ 2,33 bilhões, o que representou um crescimento de 1,74%, na comparação com 2016 (R$ 2,29 bilhões). Diante de uma recuperação ainda lenta da economia, a expectativa para 2018 é de continuidade da retomada do setor que, em todo o País, responde por mais da metade de tudo que é movimentado entre produtos de higiene, limpeza, alimentos, bebidas, dentre outros. Os dados foram divulgados na última semana pela Associação Brasileira de Atacadistas e Distribuidores (Abad).

No ano passado, o Ceará foi responsável por 10,8% do volume movimentado no Nordeste e por quase 1% do volume nacional. A Abad ressalta que a base dos números não é a mesma, uma vez que houve crescimento no número total de empresas associadas que responderam a pesquisa. E que a variação do faturamento é em termos nominais.

De acordo com Jocélio Parente, presidente da Associação Cearense dos Atacadistas e Distribuidores de Produtos Industrializados (Acad) e diretor comercial da J.A. Distribuidora, 2017 foi um ano "mais desafiador do que o esperado" pelo setor. E o início de 2018, embora esteja melhor do que o início de 2017, ainda está aquém do previsto. "A gente sabia que 2017 não seria um ano fácil e 2018 já começou um pouco melhor. Não está na nossa expectativa, mas já dá sinais de melhora", ele diz.

Leve crescimento em 2018

Para este ano, Parente diz que o setor deve ter um "leve" crescimento, mas ainda longe dos resultados obtidos nos anos anteriores à crise econômica. "Por mais que a economia tenha se descolado um pouco da política, ainda há muita instabilidade no governo. Algumas reformas, principalmente a previdenciária, não saíram, então isso reflete muito no que aconteceu no ano passado e neste ano". Mais otimista, Kátia Goés, gerente executiva da Acad, diz que a expectativa é de que 2018 seja o começo da virada.

"O primeiro trimestre mostrou que as coisas estão caminhando. A gente já começa a enxergar uma luz no fim do túnel. Vejo os empresários buscando investir, ampliar seus negócios e esse primeiro trimestre, se não ficou dentro do esperado, já foi muito melhor do que o do ano passado", afirmou.

Destaque

Diretamente impactado pelo ambiente econômico, uma vez que depende basicamente do consumo das famílias, empresas do setor atacadista distribuidor tiveram de buscar alternativas para manter clientes e garantir as vendas. Eleita a melhor e maior atacadista distribuidora do Ceará de 2017, a J. Sleiman & Cia. Apostou na melhoria do atendimento aos clientes, em grande parte mercadinhos de bairro e mercearias. A premiação foi concedida durante a 38ª convenção anual da Abad, realizada de 24 a 25 de abril, em São Paulo.

"No ano passado tivemos uma economia muito difícil mas, em compensação, a gente intensificou o atendimento e a prestação de serviço, deixando o nosso cliente mais livre para se dedicar às atividades do dia a dia. E isso compensou um pouco o impacto da economia, que ainda não está bem", afirmou Maurício Medeiros Sleiman, diretor da J. Sleiman & Cia.

Segundo o empresário, o grande desafio para os distribuidores é melhorar a qualidade do serviço de entrega com custos logísticos menores. "Sem uma melhora significativa na economia, a gente tem que fazer com que os custos dos nossos clientes diminua, para que eles sejam mais competitivos e consigam atrair mais clientes para as lojas deles. E esse é o momento de fortalecer essa parceria entre o distribuidor e o varejo".

Para este ano, Sleiman não espera grandes mudanças em relação a 2017. "Este ano ainda está sendo difícil porque nós passamos uma deflação. Então a venda é praticamente a mesma mas o faturamento não. Mas a perspectiva é de melhora, apesar de estarmos em um ano eleitoral e não haja nenhuma expectativa de que este governo vá fazer alguma mudança significativa. Vamos ver se no próximo ano isso muda".

Nordeste e Brasil

Em 2017, as empresas do Nordeste faturaram R$ 21,3 bilhões, o equivalente a 25% do faturamento do País, atrás apenas da região Sudeste, responsável por 38%. Em seguida aparecem as regiões Sul (15%), Centro-Oeste (13%) e Norte (8%). Segundo a Abad, o Nordeste é a região com o maior número de empresas do setor, 218, o equivalente a 36% do total do País, seguido por Centro-Oeste (24%), Sul (15%), Norte (15%) e Sudeste (11%).

Considerando todas as regiões, o setor atacadista distribuidor no Brasil apresentou crescimento real de 0,7% no ano passado, com um faturamento de R$ 259,8 bilhões. Segundo a Abad, os agentes de distribuição foram responsáveis por 53,6% de tudo o que foi movimentado no mercado nacional no período

Apesar de a Abad manter perspectivas positivas para este ano, no primeiro bimestre o setor apresentou queda de 1,96% em relação ao mesmo período de 2017. "Claro que não era o resultado esperado, mas estamos otimistas, acreditando que a gente pode buscar um crescimento em torno de 3%, que é a própria previsão de crescimento do PIB (do Brasil) para o ano", disse Emerson Luiz Destro, presidente da Abad. "Conversando com os empresários do setor, muitos estão crescendo. Agora precisamos ver os números de março, que foi um bom mês de vendas para o setor e deve reduzir esse resultado".

Segundo dados da consultoria Nielsen, embora a economia tenha começado a se recuperar, 89% dos consumidores entrevistados ainda acreditam que o País está em recessão e 83% continuam mudando hábitos de consumo para economizar. Para Daniela Toledo, diretora da consultoria, o maior gargalo para a percepção de recuperação ainda é o emprego. "A tendência em 2018 é de crescimento (da economia), mesmo que não tão expressivo", afirmou.

*O jornalista viajou a convite da Abad

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