'Reformas da Previdência e da CLT não têm como avançar'

Relator da reforma trabalhista disse que o calendário de discussões está suspenso ( Foto: Fabiane de Paula )
00:00 · 19.05.2017 / atualizado às 00:07

Brasília. Após a divulgação das denúncias contra o presidente Michel Temer, o relator da reforma da Previdência, deputado Arthur Oliveira Maia (PPS-BA), afirmou que o cenário é crítico e que não há espaço para o governo avançar com a proposta no Congresso Nacional.

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A proposta de reforma previdenciária era prioridade do governo Michel Temer no Legislativo. Até instantes antes de ser publicado nessa quarta-feira (17) pelo jornal "O Globo" diálogo em que Temer dá aval para a compra do silêncio de Eduardo Cunha, aliados do governo trabalhavam para conquistar votos na Câmara para a proposta.

"De ontem (quarta-feira) para cá, a partir das denúncias que surgiram contra o presidente da República, passamos a viver um cenário crítico, de incertezas e forte ameaça da perda das conquistas alcançadas com tanto esforço. Certamente, não há espaço para avançarmos com a Reforma da Previdência no Congresso Nacional nessas circunstâncias", afirmou Arthur Oliveira Maia, por meio de nota.

O relatório de Maia chegou a ser aprovado na comissão especial que debatia o assunto, com diversas alterações em relação ao texto original. A votação, contudo, foi só o primeiro passo na análise do mérito do texto. Para entrar em vigor, ainda precisa de aprovação pelos plenários da Câmara e do Senado.

'Arrumar a casa'

Maia diz que é "hora de arrumar a casa" e "esclarecer fatos obscuros". "Só assim é que haveremos de retomar a reforma da Previdência Social e tantas outras medidas que o Brasil tanto necessita", concluiu.

Calendário suspenso

O relator da reforma trabalhista - que prevê modificações na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) - em duas comissões do Senado, Ricardo Ferraço (PSDB-ES), também se pronunciou e disse que não vai mais entregar parecer do projeto conforme calendário previsto. O senador argumenta que a crise institucional é tão grave, que a reforma se tornou "secundária".

"Na condição de relator do projeto, anuncio que o calendário de discussões anunciado está suspenso. Não há como desconhecer um tema complexo como o trazido pela crise institucional. Todo o resto agora é secundário", afirmou, acrescentando que é preciso priorizar a solução da a crise, para só depois debater temas como a reforma da CLT.

Além das denúncias de compra de silêncio por parte de Michel Temer, o PSDB também enfrenta a divulgação de pedido de propina do presidente do partido, Aécio Neves (PSDB-MG).

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