Eletrobras

Privatização pode render R$ 1 bi para 'Velho Chico'

Deputado relator do projeto de lei prevê investimento anual em fundo para revitalizar o Rio São Francisco

01:00 · 06.03.2018
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O parlamentar José Carlos Aleluia (DEM-BA) discursou, na noite de ontem, na sede da Fiec, para empresários, políticos e convidados ( Foto: Kléber A. Gonçalves )

A reestruturação da Eletrobras poderá render até R$ 1 bilhão por ano para um fundo cuja finalidade é a revitalização do Rio São Francisco. O projeto, que está em discussão na Câmara dos Deputados, em Brasília, prevê a transformação da empresa em uma "corporation", com gestão privada mas ainda com ação majoritária do governo federal. O relator do projeto de lei, deputado federal José Carlos Aleluia (DEM-BA), esteve ontem em Fortaleza para explicar as ideias.

Aleluia esteve, na noite de ontem, na sede da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec). Ele discursou para empresários, políticos e convidados, como o vice-prefeito de Fortaleza, Moroni Torgan.

De acordo com o deputado federal, a ideia é lutar junto ao governo federal para obter valores em torno de R$ 1 bilhão por ano para o fundo a ser criado para o Rio São Francisco.

"O governo (federal) propôs um valor muito baixo, de R$ 300 milhões por ano. Eu calculo o ideal, como percentual, a um valor dessa ordem (de R$ 1 bilhão). Posso suprir todas as necessidades (da revitalização do Rio São Francisco). Ainda assim, é bom remodelar a Eletrobras", disse o parlamentar.

Hoje, em Brasília, haverá a primeira reunião da Comissão Especial na Câmara dos Deputados, que analisa o projeto de lei de privatização da estatal. A Comissão terá 35 membros titulares e 35 suplentes. A maioria dos membros integra a base governista. O projeto é uma das prioridades do presidente Michel Temer, mas enfrenta resistência da bancada da oposição.

Fundo

Aleluia ressaltou a importância da criação do fundo, com o que for obtido da privatização da Eletrobras, justificando com a situação dramática pela qual passa o "Velho Chico".

"O Rio São Francisco tem prestado grandes serviços ao Nordeste. Desde a década de 1950 que ele vem sendo usado de forma extrativista. Ao longo do tempo, o rio continuou importante em termos de energia, mas perdendo a relevância. Um rio, quando começa a entrar numa corrente descendente de vazão, pode estar anunciando um desastre ecológico. E o São Francisco tinha uma vazão média de 2 mil metros cúbicos por segundo. E nos últimos 12 meses, se trabalha com 500 metros cúbicos por segundo. Estamos terminando o período das chuvas na bacia do Rio e ele não chegou a 25% (da capacidade) ainda, e dificilmente passará de 35%", apontou.

Críticas

A privatização da Eletrobras encontra resistência, ainda, por parte dos trabalhadores do setor. Conforme a trabalhadora da Chesf e diretora do Sindicato dos Eletricitários do Ceará (Sindeletro), Luciana Fonseca, a entrada do interesse privado na estatal deverá resultar em aumento de preços e outros problemas.

"Nosso posicionamento corrobora com o da Fiesp, que é contra a privatização do setor elétrico. Tanto eles quanto nós sabemos que essa privatização vai reverter em aumento de tarifa. E isso, para a indústria, significa uma perda da industrialização, do poder de crescimento e investimento. Essa reestruturação do sistema Eletrobras acarreta na piora dos serviços e no aumento de mortes entre trabalhadores".

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