APONTA FGV

Principais itens das férias sobem 4,13% e superam inflação

Algumas guloseimas ficaram mais baratas, mas serviços não deram trégua. Shows musicais tiveram alta de 11,75%

Nicolás Leiva e a mulher, Juliana Andrade, alternam a diversão das filhas entre a casa dos colegas e a própria casa para manter as despesas equilibradas
01:00 · 03.01.2018

Em viagens ou não, as férias escolares exigem mais do bolso dos pais do que os de os demais períodos do ano. Segundo o Índice de Preços ao Consumido 10 (IPC- 10), calculado pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre), os preços de produtos e serviços mais consumidos nesse período tiveram avanço de 4,13% no acumulado dos 12 meses deste ano, superando a inflação medida pelo índice, de 3,24%.

"Cada dia, tem uma despesa pequenininha, mas no fim do mês a gente sente a pancada", resume Nicolás Leiva. "É um sorvete, uma saída para o shopping, uma roupinha para comprar, é o conjunto de tudo isso", detalha o fotógrafo, que, junto à mulher, a dentista Juliana Andrade, tem de imaginar saídas para que as férias das filhas Amanda, 3 anos, e Lia, 5 anos, não estourem o orçamento da família.

A situação ainda tem um agravante particular para o fotógrafo. Eu não sou contratado, e o fato de elas estarem em casa faz com que eu pegue menos trabalho para cuidar mais delas", explica ele.

Mas, felizmente, Nicolás e Juliana contam com a ajuda dos pais das meninas. "A gente não se planejou bem como deveria ter gostado. Então, temos uma atenção maior para levar mais as duas para casas dos coleguinhas, e outro dia os coleguinhas vão lá pra casa. Assim, os pais se ajudam", afirma ele.

Serviços

Segundo o FGV Ibre, a inflação dos serviços mais consumidos nas férias escolares neste ano (4,39%) foi mais que o dobro da calculada para os alimentos (1,89%). Assim, os pais optarem por ficar em casa vão perceber que reforçar a despensa com guloseimas para as crianças e adolescentes podem ter ficado mais baratas. Na cesta de gêneros alimentícios considerada pelo FGV Ibre, que contabiliza 10 itens, bombons e chocolates (-9,32%) e biscoitos (-0,13%) ficaram com preços mais baixos.

Já o lazer na cidade não deve dar alívio ao bolso dos pais. Os shows musicais registraram aumento de 11,75% nos 12 meses de 2017, enquanto clubes de recreação subiram 8,29% e cinemas, 6,97%.

Planejamento

Para o economista e coordenador do IPC do FGV IBRE, AndréBraz, a melhor opção para os pais é sempre o planejamento para as férias escolares. "As viagens programadas são bem-vindas. A provisão antecipada do dinheiro das férias evita que o orçamento familiar de janeiro entre no vermelho. Lembrando que em janeiro aparecem gastos com matrícula escolar, material didático, IPVA e IPTU. Para quem não se programou a despesa pode pesar no orçamento, pois excursões e refeições subiram mais que a inflação média", explica o especialista.

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