impacto da greve

PIB do Ceará cresce 0,83% no 1º semestre; cai previsão do ano

O Governo do Estado projetava, no início de 2018, um avanço anual de 3,5%. Agora, a estimativa é de 1,6%

Com crescimento de 7,05% na comparação com igual trimestre do ano anterior, o desempenho do comércio foi crucial para contrabalancear os efeitos da greve dos caminhoneiros que prejudicaram fortemente a indústria de transformação em maio e junho ( FOTO: JOSÉ LEOMAR )
01:00 · 07.09.2018 por Ingrid Coelho - Repórter

Com o impacto negativo da greve dos caminhoneiros um pouco mais duradouro que o esperado e a incerteza política que provoca certa retenção dos investimentos, a previsão de crescimento da atividade econômica do Ceará para 2018 foi mais uma vez revisada. De acordo com o Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece), o Produto Interno Bruto do Estado deve avançar 1,6% - um ponto percentual abaixo do dado de 2,6% divulgado em junho deste ano.

A alta de 2,6% também foi uma revisão em relação ao crescimento de 3,5% projetado no início do ano. O avanço de 1,6% esperado pelo Ipece está um pouco acima da expectativa de 1,44% para o PIB do Brasil divulgada na segunda-feira (3) no Boletim Focus, publicação semanal do Banco Central. A revisão do PIB no Ceará reflete o leve crescimento de 0,17% no segundo trimestre deste ano ante igual período de 2017 e queda de 0,28% na comparação com o trimestre imediatamente anterior, números bem aquém do esperado pelos especialistas do Instituto. No acumulado do semestre ante os primeiros seis meses de 2017, a atividade econômica do Estado acumula alta de 0,83%.

Já no acumulado dos últimos quatro trimestres (dois primeiros trimestres de 2018 e dois últimos de 2017) na comparação com os quatro trimestres imediatamente anteriores, o Ceará cresceu 2,18%, de acordo com o Ipece, com forte influência dos melhores resultados dos últimos dois trimestres do ano passado.

O analista de Políticas Públicas do Ipece, Nicolino Trompieri, frisa que o crescimento no segundo trimestre de 2018 ficou um pouco inferior ao observado no primeiro trimestre. "A principal razão desse impacto negativo é realmente a greve dos caminhoneiros, que afetou principalmente a nossa indústria", explica o especialista.

Os números, entretanto, poderiam ter sido ainda piores caso o setor de serviços, que tem participação de quase 76% na composição do PIB do Estado, não tivesse apresentado crescimento de 1,69% no segundo trimestre deste ano ante igual período de 2017. O setor foi impulsionado, sobretudo, pela evolução do comércio, com incremento de 7,05% nessa mesma base de comparação.

Para o analista do Ipece Alexsandre Cavalcante, o salto se deve a uma recuperação significativa das vendas. "Nós sabemos que o endividamento das famílias segue em patamares elevados e que ainda há uma incerteza por conta do cenário econômico e político, mas o emprego nesse setor mostra recuperação. Em julho, o Ceará apresentou a 5ª maior geração de emprego do País e foi o melhor do Norte e Nordeste", detalha. "Em 2018, a gente sentiu uma recuperação mais firme dentro das vendas, e a gente teve crescimento tanto no primeiro trimestre como no segundo, o que ajudou bastante no resultado do setor de serviços", reforça.

Indústria

Enquanto o setor de serviços se destaca no resultado do segundo trimestre, a indústria amargou queda de 1,97% na atividade no período ante o segundo trimestre de 2017. Para o analista de Políticas Públicas do Instituto, Witalo de Lima Paiva, não se esperava que a greve dos caminhoneiros, encerrada nos últimos dias de maio, contaminasse, entretanto, a primeira metade de junho. "A indústria de transformação é o principal segmento da indústria cearense e, além do impacto da greve dos caminhoneiros, sofreu muito com o efeito da base de comparação mais alta", diz. A atividade apresentou queda de 3,87%,

Paiva acrescenta ainda que contribuíram para a queda da atividade na indústria de transformação no Estado, na comparação com o segundo trimestre de 2017, as retrações de 12,5% em confecção e vestuário; de 6% no segmento de calçados e couro e de 3,6% no de bebidas. "A greve, mesmo acabando em maio, acabou rebatendo em junho e isso a gente consegue ver com muita clareza", reforça.

Outro segmento dentro da indústria que apresentou queda na atividade no segundo trimestre deste ano, a construção civil, cuja atividade retraiu 3,92%, segue atravessando um período de correção, na avaliação de Witalo de Lima Paiva. "Foi uma atividade que passou por um crescimento bem intenso entre 2010 e 2014, então quando há esse 'boom' no segmento, ele tende a voltar para o seu equilíbrio. Embora a gente tenha visto o nível de empregos na construção civil apresentar uma melhora, essas contratações ainda não colocaram o estoque de empregados no nível de 2017", explica.

Agropecuária

Setor que obteve grande destaque ao apresentar elevações expressivas em 2017 e no primeiro trimestre de 2018, a Agropecuária, com queda de 11,20%, é um dos setores que mais sofre com o efeito base. "Nós temos, em 2018, um cenário climático muito parecido com o de 2017, mas como em 2016 a base era muito baixa, tivemos um crescimento bem expressivo", detalha a assessora técnica do Ipece, Ana Cristina Lima Maia, destacando o bom desempenho da safra de produtos como o milho, o feijão, o melão e, na pecuária, de ovos e produção de leite.

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