MOVIMENTO CALMO NA CAPITAL

Petroleiros suspendem greve; refinarias operam

Movimentação de caminhões na Lubnor, em Fortaleza, foi normal nessa quinta-feira ( FOTO: CID BARBOSA )
01:00 · 01.06.2018

Fortaleza/São Paulo. A Federação Única dos Petroleiros (FUP) classificou como "vitoriosa" a greve temporária deflagrada na terça-feira (29) e suspensa nessa quinta-feira (31). Para o coordenador-geral da entidade sindical, José Maria Rangel, a paralisação chamou a atenção para uma pauta que extrapola às reivindicações da categoria.

"Conseguimos dialogar diretamente com a pauta da sociedade, que não aguenta mais pagar o preço abusivo que está sendo cobrado no litro da gasolina e do óleo diesel", disse José Maria Rangel em vídeo compartilhado pelas redes sociais.

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Em Fortaleza, a manifestação em frente à Refinaria Lubrificantes e Derivados do Nordeste (Lubnor), no Mucuripe, que teve início na quarta-feira (30), mas perdeu força nessa quinta (31). O local amanheceu sem nenhum ato. A barraca dos grevistas ainda estava montada ontem, mas não houve movimentação ou reivindicação.

O movimento de caminhões-tanque na Lubnor, presenciado pela equipe do Diário do Nordeste, foi intenso na manhã de ontem. A informação de funcionários é que a manifestação não poderá bloquear os portões.

Na quarta, petroleiros se reuniram em frente ao portão A da Lubnor. A paralisação fez parte de um movimento nacional da categoria, que reivindica preços mais baixos de todos os combustíveis, redução da capacidade ociosa de refino em todo o País, e defendem uma política de preços mais condizente ao patamar salarial da grande massa de consumidores brasileiros.

Atuação

Na tarde de ontem, a Petrobras informou, em nota, que todas as suas unidades já voltaram a operar. Em 95% delas, a greve já havia sido encerrada. Nos 5% restantes, equipes de contingência estavam atuando para normalizar a situação. Segundo a estatal, não houve impactos para a produção e nem há risco de desabastecimento.

No vídeo, o coordenador da FUP critica a gestão do atual presidente da Petrobras, Pedro Parente, pela política de preços atualmente em vigor. Os petroleiros criticam o aumento dos preços do gás de cozinha e derivados e cobram a retomada da produção plena das refinarias do País.

Multa

Rangel também critica a Justiça trabalhista, que julgou a greve ilegal. O Tribunal Superior do Trabalho determinou multa diária de R$ 500 mil ao movimento. Posteriormente, elevou o valor para R$ 2 milhões. "A Justiça do Trabalho está ao lado do capital, da criminalização dos movimentos sociais".

Ontem, a FUP recomendou que os petroleiros de todo o País suspendessem a greve e retornassem a suas atividades. A entidade chegou a anunciar que a suspensão representa um recuo momentâneo e necessário para a construção de uma paralisação por tempo indeterminado.

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