ACORDO COM FRANCESES

Petrobras vai investir em energia limpa; CE é candidato

01:00 · 11.07.2018
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Com grande potencial eólico, o Ceará é um dos estados que podem receber investimentos da estatal

Rio. Com um pouco de atraso em relação a outras petroleiras, a Petrobras anunciou, nesta semana, que vai aumentar seus investimentos em energia limpa, com foco na geração de energia solar e eólica. Para tocar novos projetos, a empresa escolheu a francesa Total, que no ano passado adquiriu a Eren Renewable Energy e neste ano comprou a Direct Energy, ambas dedicadas à energia limpa.

A ideia é utilizar áreas terrestres da Petrobrás no Nordeste e a tecnologia da Total. Segundo o diretor de Estratégia, Organização e Sistema de Gestão, Nelson Silva, a estatal ainda não tem orçamento específico para o novo negócio, que dependerá dos projetos que forem desenvolvidos pela joint venture a ser criada pelas duas companhias. Os estados no Rio Grande do Norte e Ceará são candidatos a receber empreendimentos eólicos, devido à força do vento dessas regiões. "Uma das particularidades da eólica é ter área física para instalar equipamentos. A tecnologia a Total já tem, está passos à frente da Petrobras, e nós temos áreas no Brasil, vamos casar essas áreas com a tecnologia", disse em teleconferência.

A parceria, ainda limitada a um memorando de entendimento para avaliar novos negócios, abre as portas da estatal brasileira para um caminho que está sendo traçado há alguns anos pela indústria do petróleo, que vê aos poucos a era do combustível fóssil dar lugar a uma economia de baixo carbono.

Financiamento

No ano passado, o Banco Mundial anunciou que deixará de financiar projetos de petróleo e gás para focar em energia renovável, o que também ajudou a despertar o interesse das grandes petroleiras como ExxonMobil, BP, Eni, Repsol, Shell, Statoil, Wintershall e Total. O objetivo é ajudar a cumprir o Acordo de Paris, que traçou metas para reduzir a emissão de gás carbônico na atmosfera.

Decisão acertada

Para a pesquisadora da FGV Energia Fernanda Delgado, foi uma decisão acertada da Petrobras e vai garantir um mercado diversificado para a companhia. "A energia renovável não concorre com o petróleo e pode ser vendida em lugares nos quais o petróleo não chega. Pensando em futuro de País, é bem positivo, é sempre bom investir em energia limpa", avaliou.

De acordo com a Agência Internacional de Energia Renovável, os investimentos em energia limpa saíram de US$ 47 bilhões em 2004 para o pico de US$ 312 bilhões em 2015 e US$ 241,6 bilhões em 2016. No mesmo ano, a indústria do petróleo registrou queda de 12% nos investimentos.

Para acompanhar essa onda, o próximo Plano de Negócios da Petrobras (2019-2023) terá mais ênfase nos investimentos de energia limpa do que o atual.

No segmento de energia renovável, a estatal possui hoje apenas quatro parques eólicos.

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