Países emergentes querem ser formalizados como bloco econômico

Grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul deseja ter estatuto e carta de princípios

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Redação producaodiario@svm.com.br
Legenda: Embaixadores dos Brics criaram uma agenda de cooperação que se consolida
Foto: FOTO: ALEX COSTA

Embora Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, o chamado Brics, venham nos últimos cinco anos ocupando papel relevante e de grande peso político e econômico na nova ordem mundial, o maior desafio do grupo passa a ser, agora, sair da informalidade para o campo da institucionalização, registrando-se burocraticamente e com estatuto e carta de princípios próprios. Assim se referiu o assessor para Assuntos Internacionais do Governo do Ceará, Hélio Leitão, que falou em nome do governador Cid Gomes, na abertura do seminário Expectativas do Brics para a VI Cúpula, realizado ontem na Universidade de Fortaleza (Unifor). "Todos os governos e organismos internacionais ainda refletem uma realidade posterior à Segunda Guerra Mundial. Precisamos, neste momento, a partir de uma reflexão sobre o Brics, iniciar a construção de um novo cenário da geopolítica mundial, e esse evento tem essa intenção. Os grandes gigantes do século XXI saíram do unilateralismo e passaram a discutir em conjunto esse novo cenário", declarou o representante do governo cearense, para quem a iniciativa representa a oportunidade de se discutir um tema ainda distante do cotidiano da população.

Crescimento

Leitão compôs a mesa de abertura do encontro ao lado do embaixador José Alfredo Graça Lima, subsecretário-geral de assuntos políticos do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, do embaixador Sérgio Eduardo Moreira Lima, presidente da Fundação Alexandre de Gusmão (Funag) - que auxilia na preparação da cúpula -, e do vice-reitor da Unifor, Randal Pompeu, que representou a reitora Fátima Fernandes Veras.

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"Um evento dessa natureza, de grande importância não só para o País, mas para a região e para o Ceará, sendo discutido no ambiente acadêmico, em meio a alunos e professores, só nos faz crescer e nos envaidece pela Unifor ter sido escolhida para sediar o debate", ressaltou Pompeu, diante do agradecimento do assessor para assuntos internacionais do governo cearense em relação ao apoio recebido pela universidade para promover o seminário preparatório para a sexta cúpula dos Brics.

Peso político

Em sua apresentação, o embaixador José Alfredo Graça Lima destacou os frutos que deverão ser colhidos após o encontro, "o qual fornecerá material suficiente para a preparação da cúpula a ser realizada em julho próximo, em Fortaleza.

"Desde 2009 os países que compõem o Brics se reúnem, e em cinco anos criamos uma agenda de cooperação, que vem sendo consolidada. Fortaleza abre o segundo ciclo de cúpulas e vamos discutir temas e ações determinantes para a atuação do grupo pelos próximos cinco anos, com o Brasil passando a assumir a presidência desse turno", destacou o embaixador Graça lima, ao fazer um breve relato histórico de atuação do Brics, tendo em vista, conforme destacou, "a sua inserção no contexto global, diante da falta de programas dos organismos internacionais".

Segundo o embaixador, atualmente, o Brics transcende a seara de um agrupamento econômico e ganha peso político, com seus integrantes agindo como atores médios no processo de redução da pobreza, tanto internamente como nas suas regiões, "dados os seus avanços político e econômicos".

Fórum multilateral

Ainda de acordo com Graça Lima, na agenda estão a coordenação de um fórum multilateral capaz de discutir reformas na governança internacional, como mudanças nas cotas do FMI (Fundo Monetário Internacional), com direito a veto por parte do Brics em conjunto; e no estabelecimento de cooperação em mais de 30 áreas, envolvendo a agricultura, a saúde, a educação a ciência e a tecnologia.

"Nosso próximo passo, já iniciado na V cúpula, realizada em Durban, na África do Sul, deverá ser o estabelecimento de uma cooperação financeira, com especial atenção para o desenvolvimento inclusivo e sustentável, com a contribuição dos cinco parceiros para a redução da pobreza em seus países e regiões", adiantou o embaixador.

Antes de finalizar a solenidade de abertura, que contou com a presença dos embaixadores da Rússia no Brasil, Sergey Akopov, da China, Li Jinzhang, da África do Sul, Mphakama Mbete) e da Índia, Ashok Tomar, o embaixador Sérgio Eduardo Moreira Lima abordou o papel da Fundação Alexandre de Gusmão (Funag) e sua contribuição para a realização da VI Cúpula dos Brics.

Na oportunidade, o secretário adjunto de Turismo do Ceará, Marcos Pompeu de Sousa Brasil, representando o secretário Bismarck Maia, apresentou o Estado cearense como destino internacional.

Anchieta Dantas Jr.
Repórter

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