Petrobras deve vender 9 plataformas no Estado

A estatal anunciou ontem a paralisação de 25 plataformas no País, incluindo a PXA-2, no litoral de Paracuru

Escrito por
Fernanda Cavalli/Áquila Leite - Repórteres producaodiario@svm.com.br
Legenda: Estatal quer se desfazer de várias plataformas, visando equilibrar o caixa
Foto: Foto: Thiago Gaspar

Depois de viverem em um cenário de grandes expectativas para a economia do Estado, com a possível instalação da refinaria Premium II no Complexo Industrial e Portuário do Pecém (Cipp), os cearenses têm recebido, desde o ano passado, uma série de más notícias. Após o cancelamento da refinaria em janeiro de 2015, a estatal anunciou a venda para iniciativa privada de seis campos de petróleo no Estado, além da paralisação de uma plataforma na Região.

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De acordo com o ex-presidente do Sindicato dos Petroleiros dos Estados do Ceará e Piauí (Sindipetro CE/PI), Orismar Holanda, nove plataformas da companhia no Estado serão vendidas, entre elas, a PXA-2, localizada no campo de Xaréu, no litoral do município de Paracuru, no Ceará, que terá sua produção suspensa pela Petrobras, assim como outras 24 plataformas em todo o País.

Além da PXA-2, também estão sendo negociadas no Estado duas outras unidades no campo de Xaréu (PXA-1 e PXA-3), três plataformas de Atum (PAT 1, PAT 2 e PAT 3), uma no campo de Espada (PET1), além de dois equipamentos que ficam no campo de Curimã (PCR1 e PCR2).

Suspensão

A paralisação de 25 plataformas no País foi autorizada pela Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustível (ANP) no último dia 4 de julho. As unidades estão situadas nos estados do Ceará, Bahia, Rio Grande do Norte, Sergipe e Espírito Santo. Ao todo, as plataformas com paralisação solicitada abrangem 24 campos maduros, sendo 11 situados em terra.

"O fechamento da PXA-2 (no Ceará) significa que a Petrobras vai continuar com um custo para manter essa plataforma, mas não vai ter mais produção, o que é algo muito questionável. É uma decisão técnica e financeira. Eles identificaram algumas unidades que não possuem uma produção elevada e querem reduzir o custo operacional (da companhia)", argumenta Orismar Holanda.

A maior parte das áreas já integra o plano de desinvestimentos da companhia, apresentado em março, com 104 concessões que representam 2% da produção da estatal. A ANP também determinou que, se a empresa não conseguir vender as áreas e constatar a "inviabilidade econômica" da produção, deverá também antecipar o término dos contratos.

No que diz respeito ao impacto que a paralisação da PXA-2 trará para o Estado, Holanda explica que, do ponto de vista da produção, não deve ser muito significativo, já que este equipamento "tem a produção relativamente pequena e as outras (plataformas) vão continuar produzindo normalmente", ressalta.

Ainda não há data específica para a suspensão das atividades, apesar de a Petrobras já estar autorizada a paralisar o equipamento. Para Holanda, a medida não deverá ser tomada tão cedo. "Não é possível paralisar imediatamente, tem que seguir todo um rito técnico, de legislação, da ANP, da Marinha, além das próprias normas da Petrobras. A medida deve ser tomada em um médio prazo", enfatiza o ex-presidente da Sindipetro CE/PI.

Impacto nos empregos

Com a paralisação da plataforma PXA-2, questiona-se qual será o destino dos profissionais empregados no local, se serão demitidos ou remanejados para outro local. Orismar Holanda acredita que, por ser atendida por equipes de trabalho que também dão assistência técnica para outras plataformas, os trabalhadores não deverão ser muito afetados após a implantação da medida.

O consultor na área de petróleo e gás, Bruno Iughetti, por sua vez, tem opinião diferente. Conforme diz, a suspensão da produção na plataforma pode acabar gerando a dispensa de muitos trabalhadores, já que a Petrobras está querendo cortar gastos de todos os lados. "Se eles serão dispensados ou remanejados, só o tempo irá dizer. No entanto, é um risco que existe", destaca.

Iughetti também condenou a atitude "precipitada" da Petrobras, uma vez que, segundo ele, não faria muita diferença para a estatal manter a produção até encontrar um comprador. "Eu vejo como uma ação sem justificativa. Não há grandes benefícios em deixar de produzir, pois existem ativos mais representativos para amortização da dívida. Na verdade, a Petrobras está dificultando sua própria situação, uma vez que é bem mais difícil encontrar um interessado em adquirir uma plataforma parada".

Queda de royalties

Entre janeiro e maio deste ano, o Ceará já registrou uma retração de 51% nos royalties arrecadados com o petróleo, obtendo apenas R$ 9 milhões ante os R$ 18,6 milhões de 2015. Para Iughetti, a redução na produção da PXA-2, de 2 mil a 3 mil barris por dia, deve impactar ainda mais nesta arrecadação. "Com menos produção de petróleo, o Estado e seus municípios também vão receber menos royalties. Isso é ruim para todos", complementa.

A reportagem entrou em contato com a assessoria de imprensa da Petrobras, mas não obteve resposta da companhia até o fechamento desta matéria.

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