Após demissão de Parente

Temer deve esperar 'poeira baixar' para definir novo presidente da Petrobras

O novo nome para assumir a presidência da estatal só deve ser anunciado depois que o governo for informado pela Petrobras sobre quem irá comandar a empresa interinamente. O nome do titular interino deve ser anunciado ainda hoje

Mesmo com a saída de Parente, auxiliares de Temer dizem que a intenção do governo é manter a atual diretoria e não alterar a política de preços da Petrobras ( Foto: Wilson Dias/Agência Brasil )
17:23 · 01.06.2018 / atualizado às 17:28 por Folhapress

O presidente Michel Temer deve esperar a poeira baixar para definir quem assumirá o comando da Petrobras até o final de seu governo, após a saída de Pedro Parente do comando da empresa. A expectativa é que o conselho administrativo da petroleira anuncie ainda nesta sexta-feira (1º) um nome para presidi-la interinamente.

Até o final desta tarde, o Planalto não havia se manifestado oficialmente sobre a demissão. Mais cedo, os ministros de articulação política do governo, Eliseu Padilha (Casa Civil) e Carlos Marun (Secretaria de Governo) se recusaram a responder perguntas de jornalistas sobre a saída de Parente do comando da Petrobras. 

O presidente passou a manhã e a tarde em reunião com ministros após o encontro com Parente, e auxiliares afirmam que tratativas sobre o novo nome só devem ser feitas após o governo ser informado pela Petrobras sobre quem assumirá o comando interinamente. 

Mesmo com a saída de Parente, auxiliares de Temer dizem que a intenção do governo é manter a atual diretoria e não alterar a política de preços da Petrobras, muito embora haja forte pressão para isso, inclusive na base aliada.

Apesar das queixas de apoiadores do governo feitas até mesmo diretamente ao presidente, pessoas próximas a ele disseram que foram pegas de surpresa com a notícia do pedido de demissão de Parente. Segundo elas, não havia no Palácio do Planalto articulação para tirá-lo do cargo.

O ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, estava na reunião de monitoramento da crise provocada por 11 dias de paralisação de caminhoneiros quando foi informado, por alerta do mercado financeiro, de que Parente havia ido ao terceiro andar do Planalto entregar sua carta de demissão. Desceu imediatamente, mas a saída do agora ex-presidente da Petrobras já estava consumada.

Na segunda-feira (28), auge da crise dos caminhoneiros, o ministro chegou a afirmar que a saída de Parente não estava na pauta do governo. "Não está na pauta do governo sequer analisar a possibilidade de o ministro sair do cargo."

Padilha havia elogiado a atuação de Parente à frente da estatal e disse que sua gestão está alinhada com o que pensa o governo. "Sob o ponto de vista de gestão, [Parente] mostrou que está afinado com a intenção do presidente Michel Temer e, portanto. Não podemos analisar sequer qualquer pressão para demissão do Pedro Parente. Para nós, ele é um gestor eficaz, eficiente e tem apresentado rodos os resultados em um tempo curto", afirmou.

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