Em tramitação

Senado muda tributação sobre aplicativos de transporte, e pode beneficiar arrecadação de Fortaleza

Projeto quer a cobrança do ISS na cidade onde as corridas são feitas

21:27 · 05.06.2018 / atualizado às 21:37 por Folhapress
Uber
Motoristas estarão proibidos de aceitar qualquer corrida fora do aplicativo ( Foto: Divulgação/Uber )

O Senado aprovou nesta terça-feira (5) um projeto que muda a forma de tributação sobre aplicativos de transporte de passageiros, como Uber, Cabify e 99Taxis. O texto, que segue para análise da Câmara, pode reduzir a arrecadação do município de São Paulo, onde está a sede da maioria das empresas, e aumentar a das demais cidades onde os aplicativos atuam, como Fortaleza.

Pela norma atual, o ISS (Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza) cobrado desses aplicativos fica com o município onde está localizada a sede da empresa. Hoje, as maiores companhias que prestam esse serviço estão sediadas no município de São Paulo.

O projeto aprovado pelos senadores estabelece que o imposto deverá passar a ser recolhido pelo município onde foi feito o embarque do passageiro. Na prática, a medida deve retirar arrecadação da capital de São Paulo e pulverizar os recursos por cidades de todo o País.

Crítica

Autor da matéria, Airton Sandoval (MDB-SP) argumenta que o serviço de transporte de passageiros contratado sem uso de aplicativos de celular já é tributado no município onde é feito o embarque. Para ele, não faria sentido diferenciar os serviços.

"Se o município é o local onde se exercem as atividades, por que não se estabelecer uma definição nesse sentido para fins de incidência da tributação?", questionou o senador ao apresentar a proposta. A alíquota do ISS varia de acordo com o município e não pode ultrapassar 5%.

A Secretaria Municipal de Fazenda de São Paulo não informou quanto é arrecadado de ISS das empresas que fazem o intermédio de contratação de transporte via aplicativo. Procuradas, Uber, Cabify e 99Taxis não informaram os valores que pagam de ISS.

Nota fiscal eletrônica

Durante a tramitação do texto, entrou em debate a dificuldade que seria gerada às empresas com a pulverização do recolhimento em centenas de municípios. O relator da proposta, Armando Monteiro (PTB-PE), argumentou que diferentes regras em cada cidade dificultariam o processamento dos valores pelas companhias.

Com o objetivo de facilitar o pagamento, Monteiro, incluiu no texto um artigo que institui uma nota fiscal eletrônica de serviços. A medida visa padronizar a cobrança em todo o país.

Custos

No fim de 2016, um projeto semelhante gerou embate que envolveu veto presidencial e ação na justiça. Proposta aprovada no Congresso definiu que o imposto que incide sobre operações financeiras (cartão de crédito, débito, leasing, entre outros) e planos de saúde passaria a ser recolhido no local de prestação do serviço, e não na cidade-sede das empresas.

O trecho foi vetado pelo presidente Michel Temer sob a justificativa de que a mudança elevaria os custos das companhias e o preço ao consumidor. Empresas afetadas também argumentaram que os custos aumentariam. O veto, porém, foi derrubado pelos deputados e senadores.

Diante do início da validade da mudança, entidades do sistema financeiro e de saúde suplementar acionaram o STF (Supremo Tribunal Federal) contra a norma. Em março deste ano, o ministro do STF Alexandre de Moraes concedeu uma liminar que suspendeu as novas regras de cobrança, fazendo com que a tributação voltasse a ser feita pelos municípios que sediam as empresas.

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