Fuja do cheque especial

Saiba onde estão os juros mais caros e os menores no crédito ao consumidor

Em agosto, o cheque especial foi a linha de crédito para pessoa física com a maior taxa de juros no País

Para a Anefac, a tendência é que as taxas de juros continuem sendo reduzidas gradualmente nos próximos meses ( Shutterstock )
08:00 · 16.09.2018 / atualizado às 08:04 por Redação Diário do Nordeste

Ao contrair qualquer financiamento, o consumidor precisa refletir sobre a necessidade de recorrer ao agente financeiro, considerando que isso representará um custo relativo aos juros da operação e um risco, caso não consiga quitar a dívida no prazo exigido. Muitas vezes uma taxa que é aplicada na parcela mensal parece pequena, mas olhando o impacto anual o montante acrescido ao valor inicial, na forma de juros, pode ser estratosférico, beirando até 300% ao ano.

Em agosto, o cheque especial foi a linha de crédito para pessoa física com a maior taxa de juros no País (11,86% ao mês e 283,79% ao ano). Por outro lado, a menor taxa foi cobrada no financiamento de automóveis, que ficou em 1,83% ao mês e 24,31% ao ano. Apesar do valor elevado, a taxa do cheque especial no mês foi a menor desde junho de 2016, enquanto a de financiamento de automóveis foi a mais baixa desde novembro de 2014, de acordo com a Associação Nacional dos Executivos de Finanças Administração e Contabilidade (Anefac).

Além do cheque especial, as taxas campeãs de juros são as que incidem no cartão de crédito para quem não consegue pagar a fatura ou só quita parte do valor mensal. Nesse caso, considerando o cobrado em agosto, o percentual anual atinge 280,51%. Nesse ranking, em terceiro lugar figura o empréstimo pessoal das financeiras, com juros de 125,72% ao ano.  

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As menores

Além do Crédito Direto ao Consumidor (CDC) dos bancos com taxas incidentes no financiamento de automóveis (1,83% ao mês e 24,31% ao ano), os menores juros praticados em agosto último foram relativos ao empréstimo pessoal na rede bancária (3,93% ao mês e de 58,81% ao ano). Entretanto, o ideal é não ter que recorrer aos financiamentos e poupar para ter condições de comprar à vista e ainda negociando descontos.

Considerando as seis linhas de crédito para pessoa física analisadas pela Anefac, a taxa média em agosto se situou em 6,94%, o que corresponde a uma redução de 0,72% ante julho e queda de 1,01% no acumulado de 12 meses. Esta foi a menor taxa de juros mensal desde maio de 2015. Com isso, a taxa anual, praticada em agosto foi de 123,71%. Todas as linhas de crédito para pessoa física foram reduzidas no mês.

Avaliação 

Embora a taxa básica de juros (Selic) esteja no mesmo patamar (6,50% a.a.) desde março, os juros das operações de crédito no País tiveram a sexta redução consecutiva em agosto. Segundo a Anefac, a queda foi motivada pela diminuição dos depósitos compulsórios promovida pelo Banco Central (em vigor desde abril), pela melhora do cenário econômico, com redução do risco da inadimplência, dentre outros fatores.

Para o economista Alex Araújo, "há uma falta de correlação da taxa de crédito ao consumidor com a taxa Selic (juros básicos da economia), cujos últimos movimentos de redução de 0,25 ou 0,50 ponto percentual, tiveram um impacto muito pequeno principalmente para modalidades que chegam a quase 300% ao ano”. Além disso, o especialista destaca que a diferença dessas taxas para as de financiamento de automóveis se dá pelo fato de o veículo servir de garantia para o financiamento, diferentemente do que ocorre com as compras com cartão de crédito, onde não há garantia alguma para a instituição financeira e, por isso, os juros são mais elevados.

Desde março de 2013, a Selic apresentou uma queda de 0,75 ponto percentual (-10,34%), passando de 7,25% para os atuais 6,50% ao ano. Neste período a taxa de juros média para pessoa física apresentou uma elevação de 35,74 pontos percentuais (elevação de 40,63%), passando de 87,97% ao ano para 123,71% ao ano em agosto.

Araújo afirma ainda que a baixa concorrência entre operadores de cartão de crédito no País acaba contribuindo para as taxas elevadas. “O próprio Banco Central está fazendo um esforço muito grande para atrair mais concorrentes para esse mercado. E essa concorrência é fundamental para que a gente tenha taxas mais razoáveis”. Embora tenha apresentado uma taxa de 11,78% em agosto e de 280,51% ao ano, a taxa do cartão de crédito caiu 0,42% no mês, ficando no menor patamar desde fevereiro de 2015 (11,67% ao mês e 276,04% ao ano).

Ranking do Banco Central

De acordo com o Banco Central (BC), entre as instituições financeiras com as maiores taxas para cartão de crédito rotativo, na última semana de agosto, estão: Dacasa FInanceira (20,00% ao mês e 791,19% ao ano), Lecca CFI (19,12% a.m. e 716,52% a.a.), Banco Triângulo (18,47% a.m. e 664,71% a.a.), Pernambucanas Financeira (18,01% a.m. e 629,81% a.a.) e Sax (18,00% a.m. e 628,44% a.a.).

Por outro lado, os custos mais baixos nessa modalidade foram ofertados pelas seguintes instituições: Caruana (3,50% a.m. e 51,04% a.a.), Banco Olé Bonsucesso Consignado (4,72% a.m. e 73,88% a.a.), Banco BMG (5,30% a.m. e 85,91% a.a.), Banco Daycoval (5,43% a.m. e 88,64% a.a.) e Banco Industrial do Brasil (5,66% a.m. e 93,61% a.a.).

Já na modalidade cheque especial, as cinco taxas mais altas entre os dias 24 e 30 de agosto foram registradas no Banco Mercantil do Brasil (16,31% a.m. e 512,92% a.a.), Banco Agibank (15,13% a.m. e 442,25% a.a.), Banco Santander (14,70% a.m. e 418,75% a.a.), Banco Daycoval (12,80% a.m. e 324,15% a.a.) e Caixa Econômica Federal (12,43% a.m. e 307,93% a.a.) 

As instituições que ofereceram as taxas mais baixas foram: Banco CCB Brasil (0,63% a.m. e 7,78% a.a.), Banco Indusval (1,82% a.m. e 24,14% a.a.), Banco Inter (2,03% a.m. e 27,28% a.a.), Banco Paulista (2,51% a.m. e 34,60% a.a.) e Banco Crefisa (2,51% a.m. e 34,60% a.a.).

Perspectivas

Para a Anefac, com a melhora do cenário econômico, o menor risco de crédito e o fato das atuais taxas de juros das operações de crédito ainda estarem elevadas, a tendência é que as taxas de juros continuem sendo reduzidas gradualmente nos próximos meses. “Entretanto, frente às incertezas derivadas do quadro eleitoral que vem pressionando a cotação do dólar bem como fatores externos notadamente o quadro econômico em algumas economias emergentes (Argentina, Turquia e África do Sul) existe igualmente o risco das taxas de juros voltarem a ser elevadas nos próximos meses”, aponta a entidade.

Dicas e orientações antes de tomar um empréstimo:

- Analise a necessidade do empréstimo e o motivo de precisar desse recurso extra;

- Se já tem outros empréstimos, o que te fez chegar na necessidade desse recurso extra anteriormente? Será que você está tratando a verdadeira causa do problema?

- Antes de assinar um contrato de empréstimo, reduza seus gastos para o montante que terá de saldo após assumir a nova parcela;

- Faça um “teste drive”: reserve parte do que assumirá de prestação e veja se consegue se manter sem esse recurso mensalmente. Lembre que serão vários meses sem esse montante para quitar as parcelas;

- Se pretende buscar um empréstimo para antecipar um sonho, analise o quanto de fato valerá a pena. Prefira poupar o valor dessas parcelas e compre à vista, sem juros, o item que almeja e deseja.

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