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Reação do mercado em ano eleitoral pode encarecer financiamento da dívida pública, diz especialista

Efeito seria causado à medida que aumenta a percepção de risco associada a uma potencial vitória de um candidato "indesejado" pelo mercado

14:03 · 13.02.2018
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Segundo cientista política da FGV o mercado sempre tende a favorecer governo de direita, preterindo os de esquerda ( Foto: Agência Brasil / Fabio Rodrigues Pozzebom )

Apesar de representar diversos interesses ao longo do ano, o mercado tende a ser mais homogênio em epóca de eleições, favorecendo governos de direita e preterindo os de esquerda. O diagnóstico é da professora de Ciência Política da Fundação Getulio Vargas (FGV) e autora do livro The Politics of Market Discipline in Latin America, Daniela Campello.

"Hoje, o Brasil tem déficit primário, as contas não fecham mesmo antes do pagamento da dívida. Investidores em diferentes mercados e ativos podem variar em suas preferências por determinadas políticas de governo, mas, especificamente durante as eleições, o mercado se revela muito mais homogêneo. Há bastante evidência acadêmica de que o mercado favorece governos de direita. O candidato indesejado é o da esquerda, porque a esquerda promete redistribuição de renda", explicou. 

A especialista ressalta ainda que à medida que aumenta a percepção de risco associada a uma potencial vitória de um candidato "indesejado", mais caro se torna o financiamento da dívida pública, afetando as contas do governo. Ainda segundo  Campello, alguns exemplos ilustram o fato de que nem sempre o que é bom para o mercado é necessariamente positivo para o país. 

"Um deles é o excelente desempenho da Bovespa nos últimos dois anos, em que experimentamos o período mais turbulento de nossa história política desde a redemocratização, refletido na baixíssima confiança dos consumidores e na impopularidade do governo. Da mesma forma, nota-se que o mercado vem reagindo com indiferença aos escândalos de corrupção do governo federal e oferecendo amplo suporte em troca da adoção de reformas desejadas", destaca a professora da FGV.

Perspectiva 

Campello comentou também que do mercado com relação ao um candidato indesejado pode acabar favorecendo a vitória dele, pois quanto pior o desempenho da economia, mais provável seria a eleição de um candidato como Lula, ou alguém endossado por ele."Neste sentido é uma situação paradoxal: a reação negativa do mercado a um potencial candidato de esquerda pode aumentar as chances desse candidato", esclareceu.

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