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População que recebe benefícios será a mais prejudicada com fim de contrato entre Enel e Caixa

Cerca de 1,4 milhão de contas são pagas mensalmente nas lotéricas cearenses

15:13 · 01.07.2018 / atualizado às 13:18 · 02.07.2018
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Foto: Fernanda Siebra

A população não correntista e as pessoas que recebem benefícios sociais serão as mais prejudicadas com o encerramento do contrato de arrecadação da Caixa Econômica Federal com a Enel, que impossibilitará o pagamento da conta de energia elétrica nas Casas Lotéricas, a partir do dia 5 de agosto. A informação é do presidente dos Sindicato das Empresas Lotéricas e Similares do Estado do Ceará, Custódio Albano. 

De acordo com ele, cerca de 1,4 milhão de contas são pagas mensalmente nas lotéricas cearenses. "O principal ponto é que não são os lotéricos que estão deixando de receber. A gente não quer que isso aconteça. É um problema que está tendo com a Enel e a Caixa. A gente quer continuar recebendo as contas", comenta Custódio. 

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Para ele, a população mais simples será a grande prejudicada. "Principalmente aqueles que não têm conta bancária e o povo mais humilde. Na loteria, a gente atende do pobre ao rico. Mas aquelas pessoas idosas que recebem o seu benefício social no interior vão sofrer para pagar conta de energia. Tem o internet banking para pagamento, mas esse povo humilde gosta de pagar no papel, ter o comprovante na mão", pontua o presidente. 

Ao todo, o Ceará possui 377 loterias, cada uma com 4 ou 5 terminais de atendimento, de acordo com o Sindicato. "Não existe uma rede que tem capilaridade maior que as casas lotéricas", afirma. 

Fim de contrato

Segundo o sindicato, o problema do contrato entre a Caixa Econômica e a Enel é por conta do reajuste do valor que é pago para a Caixa e repassado para as lotéricas. "Hoje, a Enel paga, em média, R$ 0,98 para a Caixa por cada conta paga na lotérica. Desse valor, a gente recebe R$ 0,53. Mas a gente conseguiu em Brasília o aumento de R$ 0,20", explica Custódio, comentando que algumas distribuidoras do Brasil não aceitam esse aumento, inclusive a Enel. 

"Nós estamos querendo R$ 0,20 de aumento. Se você for na Enel hoje, imprimir um boleto de segunda via, a Enel cobra R$ 2. E a gente está querento ganhar R$ 0,73 para receber o dinheiro, tratar o dinheiro e pagar um carro forte para levar para o banco. Olha o absurdo, é uma contradição. Ela cobra um absurdo do cliente e não quer fazer justiça no trabalho que temos", compara o presidente do Sindicato. 

Ele diz que os custos das lotéricas são altos e que, por isso, o reajuste é válido. "Tem que compreender que temos que pagar aluguel, funcionários, transporte de valor para recolher o dinheiro que tem na loteria e levar ao banco, pagar impostos, nós temos todos os nossos gastos. Uma tarifa dessa já é o mínimo possível para a gente sustentar. Imagina, por exemplo, a gente recebendo uma conta de R$ 500, correndo o risco de assalto, de arrombamento, para ganhar R$ 0,53", diz Custódio. 

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