MERCADO

Opção à crise: Coworking em Fortaleza já tem 25 locais e fatura R$ 6 milhões

O mercado local gera cerca de 100 postos de trabalho, entre empregos diretos e indiretos

Espaços prontos já têm mobília, internet, serviços de limpeza e manutenção, secretária... "Tudo para o empresário chegar e se concentrar no trabalho sem se preocupar com mais nada”, diz Myrella Abreu, gerente geral da Regus Fortaleza. ( Fotos: Thiago Gadelha )
07:58 · 13.08.2017 / atualizado às 08:21
Profissionais que mais têm buscado espaços de trabalho compartilhados são das áreas de: publicidade, design, marketing, internet, startups, advocacia, negócios sociais, vendas, jornalismo, terceiro setor, contabilidade e moda.

Seguindo as tendências de freelancing e startups, o coworking surge com alternativa na crise no Ceará, que já possui 25 locais -  15 a mais que no fim de 2016, de acordo com a pesquisa Censo Coworking Brasil 2017

O mercado local gera cerca de 100 postos de trabalho, entre empregos diretos e indiretos, e faturou R$ 6 milhões no ano passado.

O sucesso é tamanho que o número de locais voltados para esse tipo de mercado cresceu 114% em março no Brasil, ainda de acordo com o Censo.

Entenda: o que é Coworking
É uma nova forma de pensar o ambiente de trabalho, em que profissionais independentes procuram um espaço democrático para desenvolver projetos sem o isolamento do home office ou as distrações de espaços públicos. É também uma alternativa na crise para estar no mercado com custo menor. 


"Tivemos uma alta de 70% no número de clientes do ano passado pra cá", avalia diretor

Com os bons números destacados no levantamento, os profissionais do ramo fazem avaliações ainda melhores referentes ao coworking. Marcos Parente, diretor comercial da Reserva Coworking, afirma que houve um aumento de pelo menos 20 espaços no Ceará do ano passado para cá. 

“Temos observado um crescimento muito bom. Inclusive tem muitas pessoas que estão pensando em abrir, mas ainda estão estudando. Até mesmo no Interior do Estado já é possível encontrar locais estruturados, como em Juazeiro do Norte, Itaitinga e Sobral, que já tem três unidades”, diz Marcos.

Ele expõe que houve um aumento tanto de unidades quanto de demanda. “Tivemos uma alta de 70% no número de clientes do ano passado pra cá. Está acontecendo uma disruptura do mercado tradicional. O conceito de coworking está se ampliando e chegando até a empresas maiores e consolidadas”, pontua.

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Vantagens: redução de custos pode chegar a 80%

A principal vantagem de optar por um espaço compartilhado é a redução de custos, que pode chegar a 80%. Myrella Abreu, gerente geral da Regus Fortaleza, explica a razão de o coworking ser considerado a melhor opção para quem está querendo formalizar a sua empresa: “Hoje em dia está muito fácil abrir uma empresa e esse mercado oferece mais que o necessário para quem está começando um negócio agora. Os custos são bem menores se comparado ao que é necessário desembolsar para comprar ou alugar uma sala", diz.

E conclui. "Nós já entregamos o espaço pronto, com mobília, internet, serviços de limpeza e manutenção, secretária, tudo para o empresário chegar e se concentrar no trabalho sem se preocupar com mais nada”. 

Além das pequenas empresas, o mercado atende portes maiores também. “Grandes empresas de fora estão vindo para o Estado e optam por não ocupar espaços maiores; conseguem trabalhar de forma profissional e produtiva em locais menores”, afirma Marcos Parente.

Uma outra vantagem do coworking, segundo Myrella, é a possibilidade de utilizar os escritórios em outras cidades também. “No caso dos clientes da Regus, que é uma empresa internacional, eles têm direito de usar nossos escritórios em outros locais também. Se você fecha um contrato aqui em Fortaleza e faz uma viagem para São Paulo, você pode usar as salas compartilhadas sem pagar nada a mais”, explica Abreu.

Expectativas e Valores: planos a partir de R$ 99/mês

O diretor comercial da Reserva Coworking, Marcos Parente, expõe que a meta do ano já está consolidada em 65% e que os 100% devem ser atingidos em novembro. “Esperamos que o mercado melhore cada vez mais, principalmente agora que a economia parece começar a estabilizar”, estima Parente.

A Reserva tem planos até diários de aluguel de espaços. O chamado Day Use custa R$ 59. Já os planos mensais saem a partir de R$ 99 e variam de acordo com as necessidades do contratante. A Regus Fortaleza está próximo de chegar a 80% de ocupação.

“Fortaleza sempre teve uma taxa de ocupação muito boa, com exceção de 2015, quando a crise estava mais forte. Nossa expectativa é que o mercado aqueça cada vez mais e estamos dispostos a investir em novas unidades caso a demanda mostre necessário”, afirma Myrella.

A Regus oferece a possibilidade de usar os espaços até por algumas horas, mas os planos mais contratados costumam ser de três meses ou mais. O plano mensal da empresa está saindo a partir de R$ 149.

Filial em Miami

A Office&Co, empresa de coworking de São Paulo, está expandindo sua área de atuação e abrindo uma franquia em Miami. “Temos muitos clientes internacionais e acreditamos que Miami nos proporciona um triângulo muito bacana entre América do Sul e do Norte”, afirma Luciana Dleizer, sócia-proprietária da Office&Co.

A empresa também deve abrir uma segunda filial em São Paulo, com inauguração prevista para setembro. Sobre o mercado, Luciana afirma que é uma área que dá resultados tanto em momentos de instabilidade econômica quanto em momentos melhores.

“É como o ditado, nós dançamos conforme a música. Se está bom, novos projetos são criados e ao invés de começar em um escritório próprio, as pessoas vem para o coworking. Em um momento difícil, as empresas querem diminuir os custos e a economia em espaços compartilhados pode chegar até R$ 6 mil por mês. Então é um modelo que funciona quase que independentemente da situação econômica”, esclarece Dleizer.

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