Apesar de greve

Aéreas reportam crescimento da demanda em maio

Mesmo com o cancelamento de mais de 300 voos, entre 24 e 30 de maio, companhias tiveram aumento da demanda

19:55 · 11.06.2018 por Redação Diário do Nordeste
Embora tenham sofrido com o desabastecimento de combustível nos aeroportos devido à greve de caminhoneiros - situação que levou ao cancelamento de mais de 300 voos entre os dias 24 e 30 de maio -, as companhias aéreas viram um aumento da demanda pelo transporte aéreo de passageiros em maio.
 
Dados prévios divulgados por Azul, Latam Brasil e Gol na última semana mostraram crescimento tanto do tráfego (medido em passageiros-quilômetros pagos transportados, ou RPK), quanto da oferta de assentos (assentos-quilômetros ofertados, ou ASK) em relação a maio de 2017.
 
"Estou um pouco desapontado, porque o segundo trimestre poderia ter sido muito melhor se não fosse pela greve", avaliou o presidente da Azul, John Rodgerson.
 
Conforme dados prévios reportados hoje de manhã, a Azul encerrou maio com uma demanda aérea total 14,0% maior que a vista em igual mês do ano passado. Já a capacidade (ASK) da companhia também cresceu na base anual (+13,5%), levando a um aumento de 0,3 pontos porcentuais (p.p.) na taxa de ocupação das aeronaves, para 80,1%.
 
Considerando apenas as operações da Azul no mercado doméstico, o tráfego subiu 1,5% entre os períodos, enquanto a oferta avançou 2,6%. Com isso, a taxa de ocupação recuou 0,9 p.p. ante maio de 2017, para 77,1% - se excluído o "efeito greve", a aérea estima que a taxa teria ficado entre 78,5% e 79,0%, ou seja, superior aos 78,0% observados há um ano.
 
Por atender um maior número de cidades e rotas não servidas por suas concorrentes, a Azul acabou sendo a principal aérea afetada pela paralisação dos caminhoneiros do final de maio. A companhia teve de cancelar 169 de um total de 2.637 voos operados entre 24 e 27 de maio devido à falta de querosene de aviação.
 
Como consequência dos cancelamentos dos voos e das ações para minimizar os efeitos da greve, a Azul calculou um prejuízo não recorrente de cerca de R$ 50 milhões, que aparecerá nos resultados operacionais do segundo trimestre.
 
Outra companhia bastante afetada pela greve dos caminhoneiros foi a Latam Brasil, que tem forte presença nos aeroportos de Guarulhos e Brasília. Mas, apesar dos 151 voos domésticos cancelados, a demanda de passageiros subiu 3,3% na comparação anual, enquanto a oferta de assentos cresceu 7,3%, levando a uma queda de 2,9 p.p. da taxa de ocupação, para 75,2%.
 
Em comunicado ao mercado emitido na semana passada, a Latam Brasil calculou um prejuízo de aproximadamente US$ 13 milhões por causa da greve dos caminhoneiros, considerando todas as medidas para mitigar o impacto a seus passageiros.
 
Já o balanço final da Gol sobre a greve aponta que foram cancelados apenas 12 de 7.275 voos programados entre os dias 21 e 31 de maio. A demanda aérea total cresceu 0,7% em maio, enquanto a oferta de assentos avançou 0,4% - com isso, a taxa de ocupação subiu 0,2 p.p., atingindo 76,8% no mês.

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