EM FORTALEZA

Oferta elevada de imóveis mantém os preços estáveis

Para o vice-presidente do Sinduscon-CE, até o fim do ano, o mercado imobiliário residencial não terá mudanças

01:00 · 06.09.2018 por Ingrid Coelho - Repórter
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O Índice Geral de Preços Imobiliários - Residencial (IGMI-R) mostrou que, em julho, houve leve alta de 0,05% nos preços dos imóveis na Capital cearense. O resultado foi semelhante ao do mês anterior (0,04%) ( FOTO: FABIANE DE PAULA )

Reforçando a tendência de estabilidade para 2018 observada desde fevereiro deste ano, o Índice Geral de Preços Imobiliários - Residencial (IGMI-R), calculado mensalmente e divulgado pela Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), apresentou levíssima variação de 0,05% em julho, após resultado de 0,04% em junho e -0,02% em maio. Para o vice-presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado (Sinduscon-CE), José Carlos Gama, os números revelam e comprovam "um cenário de preços estáveis tendo em vista a grande oferta de imóveis prontos e em construção no Ceará".

A situação, que é visualizada com mais clareza em Fortaleza e região metropolitana, deve permanecer com essas características até o fim deste ano, de acordo com Gama. "O mercado imobiliário vem sendo bastante afetado por essa crise política e toda essa instabilidade gerada por ela. A nossa expectativa é que o estoque caia quando a gente tiver conhecimento de quem serão os nossos governantes", avalia José Carlos Gama.

Ele detalha que a velocidade de vendas, que é a relação entre as unidades vendidas e as existentes à venda, se encontra em um patamar entre 2,5% e 3% por mês. "Acreditamos que apenas no ano que vem teremos uma queda nos estoques, até porque as construtoras não estão lançando novos imóveis. Elas devem diminuir os estoques e quando isso acontecer, aí sim teremos uma recuperação dos preços dos imóveis", explica o vice-presidente do Sinduscon-CE.

Além de Fortaleza, o IGMI-R é elaborado pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da Fundação Getúlio Vargas (FGV) em outras oito capitais brasileiras. A maior variação foi observada em Salvador (0,18%), seguida por Goiânia e Curitiba, ambas com 0,06%. Recife apresentou IGMI-R de 0,05%, seguida por Belo Horizonte (0,02%0; São Paulo (0,01%); Porto Alegre (-0,08%) e Rio de Janeiro (-0,37%).

A média das capitais foi calculada em -0,04%. Com isso, no acumulado em 12 meses, o IGMI-R chega a 0,30% ante variação de 0,15% nos 12 meses encerrados em junho deste ano.

Com o resultado observado na Capital cearense em julho, o IGMI-R acumula baixa de 0,08% em 12 meses. O último resultado expressivo do IGMI-R na Capital cearense foi visto em janeiro deste ano, quando chegou a 0,32%.

De acordo com a avaliação da Abecip, os números indicam que a evolução dos preços dos imóveis residenciais no País segue em lenta trajetória de recuperação. "A frustração com relação ao ritmo da atividade econômica no segundo trimestre do ano teve impacto em algumas variáveis fundamentais para o mercado imobiliário, como estabilização da taxa de desemprego em níveis elevados, crescimento moderado da renda e queda na confiança do consumidor", detalha a entidade.

A Abecip avalia ainda que este conjunto de fatores não deve, no entanto, ser suficiente para reverter a direção da retomada dos preços dos imóveis residenciais em um horizonte mais longo.

"A manutenção da taxa de juros em níveis historicamente baixos juntamente com novas medidas de estímulo ao crédito habitacional são elementos importantes e que devem desempenhar um papel fundamental para a retomada do setor em um ambiente futuro de menor incerteza", arremata a entidade.

Financiamentos

Para José Carlos Gama, os números do crédito imobiliário seguem acompanhando a estabilidade dos preços. "Eu diria que isso é até mais por uma posição tomada pelos bancos, que é bem conservadora, de afunilar o crédito. Eu não vejo isso como falta de recurso. Eles têm bastante recurso, sobretudo na caderneta de poupança. A análise de crédito é que está muito rigorosa. No passado, chegavam a fazer financiamento até mesmo com renda informal e esse rigor provoca uma redução do número de pessoas habilitadas a contratar o financiamento", complementa.

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