Obras da Transnordestina no Ceará em ritmo não adequado - Negócios - Diario do Nordeste

acúmulo de atrasos

Obras da Transnordestina no Ceará em ritmo não adequado

26.11.2013

O empreendimento tem como restrição a rescisão de contrato entre a concessionária e a construtora da obra

Na última sexta-feira, Dilma Rousseff afirmou à imprensa, em Fortaleza, que as obras da Nova Transnordestina não estão paradas. A presidente da República defendeu que elas estariam "andando", sem, entretanto, dar mais detalhes do status do empreendimento. Contudo, o último balanço do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 2) mostra que o andamento da ferrovia não está como o esperado. Como resultado, o projeto, que já acumula anos de atrasos, perdeu o carimbo de andamento "adequado" para ganhar a condição de "atenção".

O balanço do PAC2 aponta a retomada do ritmo normal até o fim deste mês. FOTO: ELIZÂNGELA SANTOS

De acordo com o documento, o empreendimento tem como restrição a rescisão de contrato entre a concessionária e a construtora responsável pela obra. Aponta, todavia, como providência a retomada do ritmo normal de obras até o fim deste mês de novembro, ou seja, até o fim desta semana. Procurada pela reportagem, a Transnordestina Logística S.A. (TLSA), empresa ligada à Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) e responsável pela obra, não deu retorno até o término desta edição.

No último dia 20 de setembro, a Agência Nacional dos Transportes Terrestres (ANTT) assinou junto à TLSA aditivo contratual, definindo a prorrogação da conclusão da ferrovia de dezembro de 2015 para setembro de 2016. Como a previsão original era de que a ferrovia tivesse sido entregue em dezembro de 2010, o atraso chega a 69 meses. Inicialmente orçado em R$ 4,8 bilhões, o projeto está, atualmente, estimado em R$ 8,2 bilhões.

O trecho mais atrasado é exatamente o que está no Ceará, de Missão Velha ao Pecém, que também é o maior de toda a ferrovia, com 527 quilômetros de extensão. De acordo com o oitavo balanço do PAC 2, lançado no mês passado, o trecho possui apenas 4% de sua infraestrutura prontos e 3% das obras de arte especiais (OAEs). O novo cronograma prevê que este trecho seja entregue até o dia 30 de setembro de 2016.

Porto do Pecém

No mês passado, o governador Cid Gomes chegou a informar que iria fazer um aditivo no valor de R$ 110 milhões no projeto de ampliação do Porto do Pecém para a construção de um novo berço para escoamento dos produtos transportados pela Transnordestina. A condição para isso, apresentada ao presidente da CSN, Benjamin Steinbruch, seria a retomada das obras da ferrovia no Ceará.

O menor dos trechos, que leva de Salgueiro (Pernambuco) a Missão Velha, de 96 quilômetros, é o único que se encontra concluído. Outro, de Salgueiro a Trindade (PE), de 163 quilômetros, encontrava-se próximo da finalização, segundo o balanço, com 99% da infraestrutura terminados, 98% das OAEs e 70% da superestrutura. A previsão é de conclusão até 30 de setembro de 2014.

O que vai de Trindade a Eliseu Martins (Piauí), de 420 quilômetros, tinha 42% da infraestrutura e 35% das OEAs, de acordo com o balanço, e o de Salgueiro a Suape (PE), de 306 quilômetros, estava com 55% da infraestrutura, 53% das OAEs e 35% da superestrutura. Ambos têm expectativa de entrega conclusão até 30 de junho de 2016.

A ferrovia Nova Transnordestina é um dos maiores projetos em curso do governo federal, ligando os portos de Pecém (Ceará) e Suape (Pernambuco) ao cerrado do Piauí, no município de Eliseu Martins, com 1.728 quilômetros de extensão.

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