Mercado internacional

Novas tarifas para o aço nos EUA trazem incertezas ao CE

Segundo economista, há o risco de as taxas tirarem a força do aço produzido no Estado em mercados asiáticos

De acordo com dados do Cipp, os Estados Unidos assimilaram 31,09% das exportações de placas de aço, saindo do Porto do Pecém, desde agosto de 2016
01:00 · 13.07.2018 por Samuel Quintela - Repórter

Coincidência ou não, no primeiro mês de vigência da implementação da taxação extra criada pelo governo de Donald Trump para limitar a entrada de aço e alumínio nos Estados Unidos, o Ceará registrou um aumento considerável na exportação de produtos de ferro ou aço em junho. A comparação é baseada em um levamento de dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC). De acordo com os números - frente aos meses de janeiro, fevereiro e março deste ano -, o valor recebido pelo Estado para esses produtos praticamente quadruplicou no mês passado, evoluindo da média de R$ 24 milhões para o total de R$ 91,178 milhões. Na tabela do MDIC não consta valores para abril ou maio.

No entanto, para o economista e consultor internacional Alcântara Macêdo, o cenário ainda é incerto para o Estado, que poderá enfrentar dificuldades no setor produtivo do aço caso os Estados Unidos decidam manter o Brasil na política de sobretaxas para a importação. A guerra de tarifas entre norte-americanos e chineses, porém, pode acabar favorecendo outros itens da produção brasileira, com foco no setor do "agrobusiness".

"Com relação ao aço, se o Brasil não for, de fato, excluído dessa taxação dos Estados, nós teremos sim um peso consideravelmente negativo nas exportações nacionais no futuro, o que deve acabar prejudicando o Ceará, que depende muito da exportação dos produtos de aço", analisou Macêdo.

Fatia relevante

Segundo o levantamento do Ministério da Indústria, os produtos semimanufaturados de ferro ou aço representaram pelo menos metade de toda a exportação do Ceará em 2017 (50%) e no primeiro semestre de 2018 (55%). Para se ter uma ideia da relevância desses itens para a balança comercial estadual, a classificação de produtos que ocupou a segunda colocação nesses períodos foi a de calçados, que ficou com 13%, em 2017, e com 12% nos primeiros seis meses deste ano.

"Com os Estados Unidos deixando de assimilar aço da China, os produtos chineses podem acabar indo para o resto do mercado asiático", disse. "E com esse aumento da oferta, frente a uma demanda estática, pode acabar diminuindo os preços como um todo. E isso pode acabar prejudicando o Brasil e o Ceará", completou Macêdo.

Agronegócio

No entanto, o economista e consultor internacional afirmou que esse embate tarifário entre China e Estados Unidos deverá colaborar para o aumento das exportações de outros mercados brasileiros. Segundo Macêdo, caso a China decida revidar as sanções impostas pelos americanos com maiores impostos em produtos do agronegócio, a soja brasileira poderá ganhar espaço na carteira de importações chinesas.

"Para alguns produtos brasileiros, essa guerra será nociva, como para o aço, mas para a soja, a tendência é que tenhamos um aumento, até porque somos um dos maiores exportadores de soja na China, assim como para o milho", disse. Macêdo ainda comentou que a evolução do mercado será diferente para cada produto.

Período favorável

Apesar das ameaças de Estados Unidos e China sobre a essa guerra tarifária, as siderúrgicas brasileira, em média, triplicaram as vendas de aço para os norte-americanos. Em junho, as exportações desses produtos somaram US$ 548,6 milhões, ante os US$ 210,8 milhões de junho de 2017. Atualmente, Brasil, Argentina e Coreia do Sul foram a excluídos da sobretaxação mediante cotas de importação nos EUA.

No caso do Brasil, em vez da taxa extra de 25%, o limite para o aço semiacabado (como blocos e placas), usados como insumo por siderúrgicas norte-americanas, equivalerá a 100% da média exportada de 2015 a 2017.

Mercado americano

Atualmente, segundo dados do Complexo Industrial e Portuário do Pecém (CIPP), desde o início das exportações, em agosto de 2016, os Estados Unidos assimilou 31,09% do volume de placas de aço movimentadas pelo Porto do Pecém. Ao todo, foram exportadas 1.475.475 toneladas de placas ao país.

Considerando todos os tipos de produtos, conforme a base de dados do Ministério da Indústria, os Estados Unidos importou US$ 302,52 milhões de produtos cearense entre janeiro e junho de 2018, fazendo com que o mercado norte-americano assimilasse 29,5% das exportações cearenses. Os números demonstram a importância EUA para o Ceará, considerando que, ante o mesmo período de 2017, houve alta de 26,4% nas exportações.

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