POTENCIAL PARA EXPANSÃO

Mercado de suplementos dribla a crise e desponta na Região

Nordeste cresce em número de clientes em uma proporção maior que em mercados já consolidados do País

01:00 · 12.08.2017
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Atualmente, o Brasil conta com cerca de 8 mil pontos de venda de suplementos alimentares e nutricionais produzidos pela indústria nacional ( FOTO: KID JÚNIOR )

Com maior busca por uma alimentação saudável e balanceada, o mercado de suplementos segue na contramão da crise e encerrou o ano passado com um crescimento de 10% em faturamento no País. Segundo dados da Associação Brasileira dos Fabricantes de Suplementos Nutricionais e Alimentos para Fins Especiais (Brasnutri), o segmento movimentou cerca de R$ 1,49 bilhão em 2016.

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No Ceará, é visível o aumento de lojas especializadas e a inclusão de suplementos nas prateleiras de supermercados e farmácias. De acordo com o presidente da Associação Brasileira de Empresas de Produtos Nutricionais (Abenutri), Marcello Bella, o mercado nordestino cresce em consumidores e academias em uma proporção maior que mercados consolidados, como Sudeste e Sul, que têm uma fatia de 60% do mercado nacional.

O presidente da Brasnutri, Synésio Batista, acrescenta que a região Nordeste representa um forte potencial econômico para pequenas, médias e grandes empresas do setor de suplementos alimentares. "O Interior do Nordeste ainda é pouco explorado pelo segmento e há um desafio de logística. As empresas estão atentas em conhecer as diferenças regionais e como o comportamento do consumidor tem mudado rapidamente entre elas", aponta

Esse bom desempenho, segundo a Brasnutri, é impulsionado por uma série de fatores, entre os quais a inovação na fabricação e lançamento de novos produtos com alta performance; e o investimento e preocupação em oferecer total segurança alimentar e nutricional aos consumidores. Também fomenta o mercado o grande número de academias no País, segundo maior do mundo em número de estabelecimentos do tipo por habitante.

Atualmente, o consumo de proteína é responsável por 60% do mercado de suplementos, de acordo com o presidente da Abenutri, Marcello Bella, que são muito procurados por pessoas que desejam ganhar massa muscular. Em segundo lugar estão os aminoácidos e, em seguida, os energéticos. Também compõem o segmento os complexos multivitamínicos e minerais, entre os quais estão o óleo de peixe, cálcio, vitamina D, termogênicos, entre outros.

Segundo a Brasnutri, o Brasil conta hoje com mais de 8 mil pontos de venda de suplementos alimentares e nutricionais produzidos pela indústria nacional. Uma característica do segmento também é a variedade de canais de distribuição: além das lojas especializadas (ou body shops), os produtos também têm grande escoamento pelo e-commerce especializado, farmácias e drogarias, lojas de produtos naturais e distribuidores.

Consumidores

De acordo com Marcello Bella, apesar de ter havido uma forte queda do tíquete médio de compra em 2017, o número de consumidores foi ampliado, equilibrando perdas. Em 2016, um consumidor gastava em torno de R$ 180 na compra de suplementos, média que caiu para R$ 120. "O consumidor está mais econômico, mas não deixa de consumir. Ainda é um tíquete alto quando comparado a outros países da América Latina".

Um dos maiores desafios para o segmento, segundo Marcello, é a oferta de maior número de produtos de baixo custo com qualidade. "Os consumidores buscam um produto com melhor custo/benefício, e é difícil frente a um dólar instável fazer um produto de alta qualidade a um preço menor", explica, destacando que empresas internacionais estão trazendo modelos para o Brasil que deverão tornar alguns produtos mais acessíveis.

Pesquisa

Já Batista aponta que para as empresas do setor, o investimento em pesquisa e desenvolvimento é o fator fundamental de diferenciação no mercado para atender diferentes perfis de clientes. "Existe um olhar atento para a inovação e o setor consegue alcançar com êxito as tendências internacionais. Ao oferecer soluções práticas de consumo, o segmento se alinha às expectativas do consumidor", aponta.

A expectativa é que o mercado continue crescendo no patamar de dois dígitos no País em 2017, segundo o presidente da Abenutri, além de continuar crescendo na América do Sul - o Brasil é líder no consumo de complementos na região, seguido pelo México e Chile. "É o mercado que sente menos a crise. E é excelente para investimentos", destaca Marcello Bella. 

OPINIÃO DO ESPECIALISTA

Uso precisa ser orientado

Os principais tipos de suplemento, além da proteína, são os calóricos (massas), carboidratos (pré-treino), vitaminas e minerais, creatina e termogênicos. Eles são utilizados para complementar a dieta, seja para alcançar um objetivo estético ou regular o bom funcionamento do organismo, mas é preciso um planejamento que mostre essa necessidade. Muitas dietas já são suficientes para obter os resultados que a maioria espera.

Há também a questão da praticidade, pois muitos clientes têm rotina atribulada e, com isso, mais dificuldade para ingerir alguns tipos de alimentos em determinados horários. Quando pretendemos entrar com uma proteína (nutriente, e não produto) em um horário difícil para alguns, um suplemento em pó (ou barra) é um modo prático para a obtenção do nutriente.

A suplementação pode ser um mecanismo para obtenção de nutrientes que se almeja quando se faz um planejamento dietético, mas seu uso deve ser acompanhado e, principalmente, calculado pelo nutricionista. O uso de suplemento sem um controle poderá trazer problemas diversos à saúde (e até gerar aumento de gordura corporal). Suplementos nutricionais não são "bombas", mas podem fazer um "boom" na sua saúde.

Leonardo Furtado
Nutricionista

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