perda de 63,6 mil empregos

Meirelles diz que 'números negativos eram esperados'

Para o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, há uma "volatilidade grande" na análise dos dados mês a mês ( Foto: Agência Brasil )
00:00 · 21.04.2017

Washington (EUA). O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, disse ontem (20), em Washington, que eram "esperados" os números do Ministério do Trabalho que mostram a perda de 63,6 mil empregos com carteira assinada em março.

Leia mais

.CE perde 4,6 mil vagas; 2º pior março desde 2003

"Esse processo de reversão (da situação econômica) tem uma certa defasagem no que diz respeito à criação de empregos, então isto é um numero esperado. Segundo a nossa expectativa, no meio do ano, teremos uma estabilização e o início de um fluxo mais estável de criação de empregos", disse Henrique Meirelles na capital americana, onde participa dos encontros de Primavera do FMI (Fundo Monetário Internacional).

O ministro da Fazenda disse ainda que há uma "volatilidade grande" na análise dos dados mês a mês do mercado. "Com um número muito forte de crescimento (da economia) em fevereiro, o que o dado do emprego pode mostrar é alguma acomodação no mês de março da atividade", afirmou.

O número do mês de março reverte a melhora verificada em fevereiro no País, quando foi registrado um saldo positivo de 35,7 mil vagas.

Reforma trabalhista

Questionado se a perda de empregos em março mostra urgência de aprovação da reforma trabalhista, Henrique Meirelles disse que a necessidade de mudança é "um fato", independente dos números. "Ela (reforma trabalhista) precisa ser feita, quanto mais rápido o Brasil voltar a crescer, em taxas melhores, mais importante", disse. Segundo o ministro, o governo se empenhou para a aprovação da reforma trabalhista e "está a todo vapor" para que ela tenha logo aval definitivo do Congresso.

Contudo, o ministro da Fazenda destacou que o principal foco do governo é a reforma da Previdência Social, por dois fatores: o primeiro relacionado à garantir que os benefícios serão pagos para quem se aposentar. O outro elemento fundamental é que tal mudança estrutural, junto com o teto de gastos federais, levará as despesas públicas a uma trajetória sustentável e que será positiva para a perspectivas econômicas do País.

Para Meirelles, as reformas não deverão "ser aprovadas sem tumultos" no Brasil, mas a previdenciária deve acirrar mais os ânimos do que a trabalhista. "A (reforma) previdenciária trata de um tema que atinge a todos, em última análise, que é a expectativa de se aposentar", disse.

© Todos os direitos reservados. O conteúdo não pode ser publicado, reescrito ou redistribuído sem prévia autorização. Passível ação judicial.