transporte coletivo

Mão de obra pesa mais sobre o custo

01:00 · 05.09.2018
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Setor diz que subsídios são necessários para a atividade. A implantação do Bilhete Único Metropolitano, por exemplo, é subsidiada ( FOTO: KID JÚNIOR )

Os aumentos anuais no preço das passagens, conforme o superintendente do Sindiônibus, Pessoa Neto, são em parte para cobrir os custos operacionais no sistema de transporte. "O principal item de custo do transporte coletivo sempre foi de mão de obra. O peso disso no custo total é que varia ao longo do tempo. O custo de mão de obra nunca foi menos que 45% do total. E hoje eu diria que ele está em torno de 55% a 60% do total. Quando eu falo mão de obra, é salário, benefícios (vale alimentação, plano de saúde, cesta básica) e os encargos sociais. Quando você soma tudo isso, tem um peso que é de pelo menos 55%", completa.

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Outro custo citado pelo superintendente é o combustível. "Ele está entre 20% a 25% do total. Se você juntar esses dois (mão de obra e combustível) já representa um peso muito grande. Eu tenho quase 80% do total dos custos. E o combustível ultimamente frearam um pouco o aumento por causa da greve dos caminhoneiros. A gente tinha praticamente todo dia uma tabela nova do distribuidor".

Segundo ele, as empresas de transporte estão adotando medidas de contenção de gastos. "As empresas estão apertando o cinto onde podem. Nós temos obviamente identificado alguns locais onde nós podemos fazer uma redução de oferta para economizar. Mas essa redução está longe de arranhar ou se aproximar da queda da demanda. Eu perco 20% de demanda e eu consigo reduzir 5% na oferta. A prefeitura não aceita qualquer proposta que a gente apresenta. Se eu chego e apresento um pedido para retirar um ônibus de circulação de uma linha eu tenho que apresentar um estudo. Nós estamos com uma situação de uma certa insustentabilidade", reforça.

Subsídios

Uma das alternativas comentadas por Pessoa Neto para a redução de insustentabilidade das empresas de transporte de Fortaleza é a injeção de recursos pelo poder público. "Uma coisa que a gente coloca em discussão é que se não houver uma decisão em algum momento do poder público aportar recursos para manter o serviço de transporte via subsídio ou pelo menos para custear os benefícios que são criados por lei nós vamos chegar numa situação em que os sistemas vão entrar em colapso e eles vão ter que estatizar. Acontece que a experiência no Brasil com empresas estatais não foi uma experiência de sucesso".

Pessoa Neto afirma ainda que a defesa do Sindiônibus para que a Prefeitura de Fortaleza aporte recursos para o transporte tem o objetivo de manter a sustentabilidade do sistema. De acordo com ele, a implantação pelo Governo do Estado do Bilhete Único Metropolitano é subsidiada. "Com a integração das linhas metropolitanas com as linhas de Fortaleza o passageiro troca de sistema e tem um desconto de R$ 2. O governo estadual subsidia isso", explica.

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