CERCA DE 3,5%

'Juro em baixa tende a estimular economia', diz Ilan

Presidente do BC disse ainda que a TLP, taxa de juros de longo prazo do País, vai contribuir para o ajuste fiscal

01:00 · 12.08.2017
Image-0-Artigo-2282030-1
Na avaliação do presidente do BC, a recessão ficou para trás, e o sistema financeiro está pronto para financiar a retomada da economia ( FOTO: WILSON DIAS )

São Paulo. O presidente do Banco Central (BC), Ilan Goldfajn, afirmou, em discurso realizado nessa sexta-feira (11), em um evento em São Paulo, que o juro real da economia brasileira, quando se desconta a inflação da taxa nominal, atingiu um nível histórico de baixa, que tende a estimular a atividade econômica. O dirigente estima que o indicador está na casa dos 3,5%.

Ilan Goldfajn ressaltou que o juro real estava acima de 20% na década de 1990 e passou para patamares em torno de 10% na década passada. Nos últimos cincos anos, afirmou, estas taxas chegaram a uma média de 5%. "Mais recentemente, as taxas recuaram de valores em torno de 9% e agora estão próximas de 3,5%, patamar que tende a estimular a economia", disse o presidente do Banco Central.

Conforme Ilan Goldfajn, é preciso seguir com a agenda de reformas estruturais, principalmente a fiscal. Estas reformas reforçou ele, vão garantir a redução das taxas de juros estruturais da economia. O presidente do Banco Central também destacou que a TLP, a nova taxa de juros de longo prazo do País, vai contribuir para o ajuste fiscal, ao reduzir o crédito subsidiado na economia, contribuindo para a queda da dívida pública, além de aumentar a potência da política monetária.

Taxas

Em torno de 50% do crédito no Brasil não é concedido a taxas de mercados, mas a juros subsidiados, segundo Ilan Goldfajn. É preciso reduzir este porcentual, ressaltou ele ao falar da agenda BC+, que tem uma série de iniciativas para melhorar a eficiência do sistema financeiro e baratear o custo do crédito no País.

No discurso, Ilan afirmou que os juros para o tomador final dos bancos estão em queda e também recuaram nos cartões. Esta tendência deve seguir. No caso dos cartões, o presidente do BC comentou que a taxa do rotativo regular (para aqueles que pagaram o saldo mínimo) caiu de 14,9% ao mês em março de 2017 para 10,5% em junho.

Recessão

De acordo com Ilan Goldfajn, a recessão ficou para trás e o sistema financeiro está pronto para voltar a atender a demanda por crédito e financiar a retomada da atividade econômica. Ilan garantiu ainda que "não há novidades" com relação à política monetária, com as expectativas de inflação ao redor da meta de 4,5%, inflação em queda e perspectivas do mercado de quedas adicionais de juro.

Troca de diretores

O presidente do Banco Central qualificou como "normal", após tantos anos de serviços prestados, a troca de dois diretores, anunciada nessa sexta-feira em comunicado do banco.

Os diretores Anthero de Moraes Meirelles e Luiz Edson Feltrin deixarão o banco. Maurício Costa de Moura e Paulo Sérgio Neves de Souza, servidores de carreira do Banco Central, ocuparão os cargos de diretor de Administração e de diretor de Fiscalização, respectivamente.

© Todos os direitos reservados. O conteúdo não pode ser publicado, reescrito ou redistribuído sem prévia autorização. Passível ação judicial.