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Iniciativa com mulheres proporciona 'renascimento'

01:00 · 29.08.2018
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Raimunda de Andrade está à frente da Coopsic ao lado do diretor administrativo, Igor Guidetti e do diretor financeiro, David Mendes ( FOTO: NATINHO RODRIGUES )

O número de mulheres associadas a negócios cooperativos no Ceará chega a 23.249, de acordo com dados do Sistema OCB-Sescoop/CE. Para o presidente da entidade, João Nicédio Nogueira Alves, ainda são poucas as cooperativas no Estado com mulheres no comando ou integrando a diretoria. "É algo que precisamos mudar, embora essa participação tenha melhorado muito ao longo dos anos", diz.

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Uma dessas poucas organizações é a Cooperativa dos Trabalhadores Psicólogos do Estado do Ceará (Coopsic), que tem como presidente Raimunda Maria de Andrade. Em seu primeiro mandato à frente da cooperativa e primeira mulher exercendo a função, ela relembra que faz parte do grupo basicamente desde o nascimento da cooperativa. "Era bem diferente do que eu fazia antes, então participar do nascimento de uma cooperativa foi, para mim, renascer também".

"Eu sempre tinha atuado na área organizacional, com Recursos Humanos e gestão de qualidade de empresas grandes. Foi uma experiência bem diferente e, logo que ingressei, tive a oportunidade de integrar a diretoria administrativa. O cooperativismo me fez ver o mundo de outra forma", destaca Raimunda.

A proposta de organizar a cooperativa de psicólogos nasceu em 2009 com um grupo de 20 a 25 pessoas. Hoje, o grupo é composto por 45 membros. "Nós não temos um número muito expressivo em relação ao inicial. Nos preocupamos em ter uma equipe bem consolidada, recrutamos bons profissionais e apresentamos a eles nossos objetivos e a nossa necessidade enquanto cooperativa", afirma a presidente da Coopsic.

O objetivo de articular e um grupo de psicólogos que prestavam serviços ao Estado no Hospital de Saúde Mental de Messejana foi o pontapé inicial para a criação da Coopsic. Para a presidente, poder contar com o protagonismo dos cooperados é uma das principais vantagens de trabalhar com o modelo, mas ela não nega que "plantar a semente do cooperativismo nas pessoas ainda representa um desafio".

Ao entrar no grupo, Raimunda explica que o cooperado recebe todo um direcionamento do que é trabalhar dessa forma, deixando claro que cada membro é dono da cooperativa.

"Sempre tentamos estimular o integrante o máximo possível para que ele compreenda que a organização é um negócio que precisa da participação dele para gerar bons resultados", diz Raimunda de Andrade.

Ela destaca que o suporte fornecido pela Organização de Cooperativas do Brasil (OCB) foi essencial no fortalecimento da organização. "Se a gente tem dificuldade com a legislação, na parte contábil. Em tudo isso a OCB pode ajudar, o que é bastante importante. Na nossa gestão, estreitamos muito a nossa relação com a OCB", frisa. "Fundar uma cooperativa é saber que você não está só, porque existe uma instituição que dá esse suporte", diz Raimunda.

Na hora de medir as desvantagens de trabalhar cooperativamente, Raimunda reconhece que as empresas convencionais proporcionam ao funcionário garantias como 13º salário, por exemplo, e que não é exatamente da mesma forma em uma cooperativa. No entanto, ela destaca que, com a maior responsabilidade dentro da empresa, também vem o mérito proporcional em relação às conquistas.

Futuro

Para Raimunda, um dos objetivos da Coopsic, no momento, é ampliar suas parcerias para fortalecer a organização. "Para que ela continue existindo, é importante que a gente amplie as nossas parcerias.

Nós temos (parceria com) o Estado e temos buscado outras frentes, porque o objetivo é manter o grupo firme", diz. Hoje, a Coopsic tem convênio com a Polícia Civil, Hospital de Saúde Mental de Messejana, alguns planos de saúde, sindicatos e algumas associações.

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