Informalidade como incubadora de iniciativas
Para a administração do Palmas, os negócios solidários precisam de um tempo maior para evitar mortalidade
Apesar de efervescente e contabilizar mais de mil empreendimentos no Ceará, a fragilidade dos negócios solidários constitui umas das principais preocupações daqueles que regem a economia solidária pelo Brasil e também no Estado. Como forma de minimizar essa possibilidade, o coordenador geral do Banco Palmas, Joaquim de Melo, defende menos cobrança para os pequenos empreendedores no que diz respeito à formalização.
"Não é que defendemos a informalidade, é que achamos que deve existir um processo de inclusão das pessoas necessário como preparação e não demonizamos a informalidade", afirma.
Para Joaquim, possuir um Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ) "é uma meta para ser atendida, pois é um indicador de que ele está bem", mas não como desafio inicial. No começo, o foco é conseguir que a ideia do cidadão se sustente e ele consiga sobreviver e se fortalecer.
Na comparação de Joaquim, "é como se fosse uma criança que começa a estudar e precisa fazer jardim da infância, alfabetização, primeira série, até chegar na faculdade".
Em 16 anos do Banco Palmas, hoje instituto, ele avalia que cerca de 60% dos empreendimentos apoiados por eles lograram sucesso e partiram rumo à formalização, continuando até a atualidade, "gerando emprego, riqueza e desenvolvimento para o Conjunto Palmeiras".
Assistência necessária
Agora, pondera, investir em assessoria para todos que procuram o banco é primordial para garantir a tão cobrada formalidade. "E é o centro da nossa atividade, essa orientação, seja grande, seja pequeno o empreendedor. Aliás, quanto menor, mais ele precisa de ajuda", observa.
Nesse intuito, é desenvolvido por eles tanto aqui quanto na assessoria que prestam aos 37 outros bancos solidários do Ceará serviços de crédito da produção, crédito para o consumo, micro-seguro, além de projetos voltados para o trabalho com educação financeira, cursos de consultores comunitários para jovens e cursos profissionalizantes.
"Outra coisa que a gente faz são estudos e mapeamentos. O que a gente compra mais, o que compra menos... A gente faz um mapa da produção e do consumo do bairro", conta, mencionando o quanto essa atividade ajuda no momento de abertura de novos negócios, de forma a amenizar a concorrência dentro do mesmo espaço.
Profissionalização solidária
Já na Central de Cooperativas e Empreendimentos Solidários, o presidente, Arildo Mota, também considera o crédito e o estímulo ao consumo interno como as principais formas de desenvolver as iniciativas solidárias, de formas a levá-las à profissionalização total.
"Eu venho de uma empresa que faliu e nós assumimos o controle dela. No Brasil, existem 25 empresas recuperadas como as filiadas à Unisol e elas rendem R$ 800 milhões ao ano", destaca, ao mencionar os R$ 1,3 bilhões de faturamento dos associados à Unisol no ano passado.
Segundo defende, "o governo vem, com o (Paul) Singer e a Senaes (Secretaria Nacional da Economia Solidária), desenvolvendo esta questão desde 2003 e o País possui todos os instrumentos da cadeia de valor para fazer esses negócios darem certo na coexistência da economia de mercado". De acordo com ele, ainda existem empreendimentos que necessitam de 100% de apoio financeiro, mas há negócios cuja estrutura sobrevive independente. (AOL)
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