JUROS COMPETITIVOS

Guardia garante R$ 4,7 bi do FNE no Ceará e vê modelo no Crediamigo

Programa de microcrédito do BNB deverá ser usado como referência em outras regiões do Brasil

Ministro da Fazenda visitou a agência do Crediamigo na Av. João Pessoa ( Foto: JOSÉ LEOMAR )
01:00 · 13.09.2018 / atualizado às 09:01

O governo federal assegurou ao Banco do Nordeste do Brasil (BNB) os aportes do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE) previstos para este ano e que giram em torno de R$ 30 bilhões - dos quais R$ 4,78 bilhões serão para o Estado do Ceará. Além disso, não há pretensão de alterar a política de juros da instituição. A ideia do governo é usar o programa de microcrédito, o Crediamigo, como modelo em outras regiões do País, uma vez que, em todo o Brasil, o microcrédito representa menos de 0,3% do crédito total do sistema bancário.

"Não tem nenhuma discussão sobre a política de juros do BNB. O Banco tem o Crediamigo, que é um programa espetacular que eu vim aqui conhecer e que tinha muito interesse em conhecer. O Banco tem um orçamento de R$ 30 bilhões só com os recursos do FNE com taxas competitivas para infraestrutura e desenvolvimento do Nordeste. O Crediamigo tem um saldo em carteira de mais de R$ 4 bilhões e que fornece crédito de maneira muito eficiente e célere para essa população de mais baixa renda e que precisa de capital de giro para investir no seu negócio. Então eu acho que a gente tem um funding de recursos e estrutura de aplicação adequados", afirmou o ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, durante visita a uma agência do BNB na Capital, ontem (12), pela manhã.

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Guardia também reforçou que é preciso realizar as reformas necessárias para diminuir o déficit fiscal para o próximo presidente do País. "Nós ainda temos desafios pelo lado fiscal. Para o orçamento do ano que vem a estimativa é de um déficit de R$ 139 bilhões. Essa é uma estimativa conservadora porque nós entendemos que a receita pode ter um comportamento melhor do que aquele que nós estimamos. Quando nós estávamos definindo uma meta para o próximo governo nós entendemos que seria adequado estabelecer uma meta factível relativamente conservadora. Com uma situação de déficit primário não é desejável para o País, nós não estamos confortáveis com essa situação. Temos de seguir firme na linha das reformas", enfatizou.

Teto de gastos

O ministro também afirmou que é necessário manter o teto de gastos. "É um processo difícil, mas absolutamente necessário. Eu sempre enfatizo a manutenção do teto do gasto porque é um instrumento importante. Nós entendemos que o ajuste não deve ser feito pelo lado do aumento de impostos. A carga tributária brasileira já é alta. O problema do déficit público brasileiro é um problema do crescimento da despesa. Devemos fazer uma redução dos gastos públicos e essa é a nossa recomendação para o próximo presidente", acrescentou.

Nesse viés de controle de gastos, o ministro afirmou que concursos e novas aberturas de agências do Banco do Nordeste do Brasil são questões internas relativas à Instituição. "Eu estou discutindo com ele (com o presidente do BNB, Romildo Rolim) a política geral do Banco. A gente pensar o crescimento é mais importante, em como fazer o Banco crescer com responsabilidade que é o que temos visto nessa gestão, o compromisso com a boa gestão de risco para que a gente possa crescer de uma maneira sustentável".

PIB

O ministro da Fazenda ainda afirmou que a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil é de 1,6% para este ano. "Nós iniciamos o ano com uma expectativa de crescimento em torno de 3%. Não só o governo, mas o mercado inteiro previa um crescimento de 3%. Algumas coisas aconteceram. Em primeiro lugar, é inegável que houve uma deterioração do ambiente externo, principalmente, essa questão da valorização do dólar, guerra comercial e isso contamina o ambiente", disse Eduardo Guardia.

Greve dos caminhoneiros

Segundo ele, além disso, a greve dos caminhoneiros tirou parte do crescimento previsto para o País neste ano. "A greve não só tirou isso, mas também reduziu o impacto do crescimento em mais ou menos 0,3 ponto. E após a greve, nós também tivemos uma deterioração das condições financeiras com essa maior volatilidade do câmbio e juros e isso afeta o crescimento", explicou o ministro da Fazenda.

Próximo presidente

Guardia também disse que tem empatia pelo próximo presidente, se este estiver comprometido com a agenda de reformas. "O Brasil precisa aprofundar e seguir na linha das reformas. Qualquer candidato que esteja comprometido com o processo de reformas e modernização do Brasil, com a redução de custos, simplificação, de redução dos custos tributários, de redução da burocracia e disciplina fiscal tem a minha simpatia. Eu tenho simpatia por projetos. Isso é importante para que o País siga na direção e modernização", opinou.

O atual ministro da Fazenda está no cargo desde abril deste ano, quando substituiu Henrique Meirelles, que saiu para se candidatar à Presidência. Guardia, antes de assumir a função, era secretário-executivo da Fazenda. Ele já foi secretário do Tesouro Nacional em 2002, no governo do presidente Fernando Henrique Cardoso.

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