AUMENTO de 1,68%

Gasolina bate preço recorde nas refinarias; nova alta nas bombas

No Ceará, reajuste deve chegar ao consumidor em quatro dias, período no qual costuma ocorrer a troca de estoque

01:00 · 05.09.2018
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Desde 19 de fevereiro deste ano, a gasolina A sem tributo vendida nas refinarias acumula uma alta de 45,7% nos preços ( FOTO: REINALDO JORGE )

São Paulo/Fortaleza. Começa a valer hoje (5) o aumento de 1,68% no preço médio do litro da gasolina A sem tributo vendida nas refinarias. O valor de 2,2069 estabelece nova máxima histórica desde que a estatal passou a divulgar o preço médio diariamente em seu site, em 19 de fevereiro. A alta acumulada no período é de 45,7%. Na ocasião, o preço médio da gasolina estava em R$ 1,5148.

A recente escalada de preços, que supera os valores atingidos durante a greve dos caminhoneiros, no fim de maio deste ano, teve início no último dia 23, quando a gasolina voltou a ser negociada acima de R$ 2. O preço do diesel, que seguia congelado desde 1º de junho, permanece em R$ 2,2964, após o reajuste de 13% anunciado na sexta-feira, dia 31. O valor será mantido até 29 de setembro.

O economista Ricardo Eleutério reconhece que a política da Petrobras, por um lado, tornam os preços do barril de petróleo mais realistas e conferem a estatal maior fluxo de caixa, com uma valorização mais interessante das ações da empresa. Entretanto, ele destaca que a medida vem produzindo muita volatilidade no preço dos combustíveis ao consumidor final.

"É um componente que impacta diretamente nos produtos porque está presente no custo de produção e distribuição dos bens e serviços. Quem mais sofre são os trabalhadores com renda fixa, os assalariados", avalia o economista.

Para ele, em algum momento deve ser encontrada uma solução para a volatilidade de preços. "É preciso encontrar um estabilizador para evitar essas flutuações para cima e para baixo no preço dos combustíveis. Talvez essas correções devessem ser feitas em um espaço de tempo maior, não diário", sugere Eleutério. Ele acredita ainda que a implementação de um tributo estabilizador, sem finalidade principal de arrecadação, poderia ser um mecanismo de estabilização dos preços. "Quando o preço subisse, o tributo cairia e, quando o preço caísse, o tributo subiria um pouco para estabilizar essa flutuação", avalia.

Segundo o assessor econômico do Sindicato dos Revendedores de Combustíveis do Ceará (Sindipostos), não há como prever o impacto da elevação no preço ao consumidor final. Com a mudança de estoque, o reajuste deve chegar totalmente aos postos do Estado em quatro dias. "Não temos noção de quanto exatamente vai ser, porque cada posto faz seu preço".

MP do diesel

O plenário da Câmara dos Deputados aprovou ontem (4) em votação simbólica a Medida Provisória (MP) 838, que garante o subsídio para o preço do diesel. A medida foi editada durante a greve dos caminhoneiros como um dos pontos do acordo para o fim da paralisação. Havia uma preocupação do governo sobre o prazo para a votação da MP, que precisa ser aprovada pela Câmara e pelo Senado até o dia 10 de outubro ou perderá a validade.

Após uma manhã sem votações no plenário, a sessão foi retomada depois que presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), conseguiu firmar acordos para garantir a aprovação da MP do Diesel.

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