PANIFICADORAS DE FORTALEZA

Festas juninas elevam faturamento em até 30%

Decorados para os festejos de junho, estabelecimentos já estão ofertando os pratos típicos do mês

Produtos produzidos com milho, como pipoca, pamonha, canjica e bolos, estão entre os mais procurados desta época. Os pratinhos típicos com vatapá e paçoca, por exemplo, também têm boas vendas ( FOTO: KLÉBER A. GONÇALVES )
01:00 · 02.06.2018

O mês virou e o tão esperado junho chegou trazendo com ele o ansiado clima junino. Também vêm a reboque os forrós de Luiz Gonzaga e Dominguinhos, as bandeirinhas, chapéus de palha e, claro, as famosas comidas típicas do período. Além de muita diversão, as festa juninas geram vendas e renda extra, principalmente para o setor gastronômico. As panificadoras de Fortaleza estão prevendo um crescimento de até 30% em relação a um mês normal neste São João.

A confeitaria Doce Gula realiza o tradicional São João há 25 anos, revela a chef Silvia Vasconcelos, proprietária da loja, e estima um aumento de 30% nas vendas durante o mês. "Nós montamos uma barraca onde é vendido tanto os doces, como bolos e mungunzá, quanto pratinhos, com vatapá, paçoca, entre outros". Segundo Silvia, a movimentação no local é bem intensa por só vender determinados produtos neste período, gerando expectativa nos clientes.

"Nós tivemos, inclusive, que contratar dez pessoas a mais para atender à demanda", afirma Vasconcelos. Além da venda em barracas, a Doce Gula também está aceitando encomendas dos produtos juninos.

De acordo com Silvia, as encomendas acabam sendo uma espécie de venda indireta. "As pessoas vem conferir a nossa barraca e acabam aproveitando pra levar um bolo, um doce ou até mesmo encomendar pratinhos", destaca. A preparação para o São João da confeitaria acontece durante todo o ano, diz a proprietária. Há o costume de fazer pesquisas em torno da tradição nordestina para basear a decoração e tema.

"Existe no interior do Estado o costume de beber água de pote, então nós trouxemos o pote, os canecos, a bateria de panelas", explica. As barraquinhas da Doce Gula funcionam de sexta a domingo na unidade da Cidade dos Funcionários e de sexta a sábado na loja da Aldeota.

Movimentação crescente

Na padaria Casa do Frango, já pode ser observada uma movimentação maior. De acordo com Daniel Jereissati, dono da panificadora, junho é um dos melhores meses do ano para o local. "Nós estamos esperando uma alta entre 5% e 10% em relação ao mesmo período do ano passado", ressalta Daniel. A aposta da loja é na decoração, que contempla tanto o São João quanto a Copa do Mundo, nos bolos de milho, pé de moleque, grude, entre outros.

O setor de panificação como um todo estima um aumento nas vendas de 10% durante todo o mês em relação ao mesmo período do ano passado.

"Junho é considerado o melhor mês do ano para o segmento, mais até do que o mês de dezembro, porque as festas de fim de ano pegam somente uma parte do mês, enquanto o São João é durante todo o mês", destaca Angelo Nunes, presidente do Sindicato das Indústrias de Panificação e Confeitaria no Estado do Ceará (Sindipan-CE).

No clima do São João

Angelo ressalta também que a maioria das lojas começam a decorar e colocar produtos típicos à disposição já no início de maio e que a partir do momento que os clientes veem essa mudança o volume de vendas e movimentação já se eleva.

"Quando o mês vira, o fluxo de clientes vai crescendo até atingir o pico próximo à quinzena. Para entrar ainda mais no clima, há padarias que contratam sanfoneiros para tocar em determinados horários", pontua o presidente do Sindipan.

Impacto nos preços

Sem receber quase nenhuma mercadoria durante nove dias, período em que os caminhoneiros fizeram greve, alguns estabelecimentos registraram desabastecimento de alguns insumos e relataram dificuldades em operar. A chef Silvia Vasconcelos revelou que cogitou retirar alguns produtos do cardápio por falta de itens e devido aos preços elevados. "Nesta primeira semana, nós estamos absorvendo esses impactos. Não vamos repassar nada do acréscimo para os consumidores e decidimos manter o cardápio com o início da normalização. Ainda ta faltando algumas coisas, mas acreditamos que na próxima semana já deve estar tudo normal", afirma Silvia Vasconcelos.

Angelo destaca que a greve não chegou a trazer danos expressivos. "Se continuasse por mais uma semana, aí sim teríamos motivos concretos para nos preocupar. Acreditamos que entre seis e dez dias as coisas devem estar como antes", diz.

© Todos os direitos reservados. O conteúdo não pode ser publicado, reescrito ou redistribuído sem prévia autorização. Passível ação judicial.