SITUAÇÃO DAS RODOVIAS

Falta de manutenção trava desenvolvimento

Dependência de um único modal ficou ainda mais visível com a paralisação ocorrida em todo o País

01:00 · 02.06.2018
Estudo da CNT mostra que 58,2% das rodovias brasileiras têm algum tipo de problema

A greve dos caminhoneiros expôs a falta de investimentos do País no desenvolvimento em outros modais de transporte de cargas. Mesmo sendo movido pelas rodovias, o Brasil ainda peca pela manutenção falha de estradas que, em muitos casos, não contam com sinalização adequada e muito menos com pavimentação de qualidade para o trânsito de carga pesada. Em anuário publicado com informações de 2016 pela Confederação Nacional do Transporte (CNT), o País possuía mais de 1,7 milhão de quilômetros (km) de malha com apenas 210,6 mil quilômetros pavimentados e 0,7% de obras de duplicação.

De acordo com o documento, 58,2% das rodovias avaliadas na Pesquisa CNT de Rodovias 2016 apresentaram algum tipo de problema no estado geral. Cerca de 48,3% dos trechos avaliados tinham problemas no pavimento e 51,7% dos trechos apresentaram falhas na geometria.

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Em relação ao transporte de cargas, existiam no País, em 2017, 111.743 empresas, 274 cooperativas e 374.029 caminhoneiros autônomos registrados. Segundo a pesquisa, 1.269 empresas brasileiras realizavam o transporte internacional de cargas no ano passado. A frota dessas transportadoras era formada por 49.238 veículos.

Relevância

"O transporte tem papel fundamental para o desenvolvimento do País. Oferecer uma infraestrutura ampla e com qualidade é imprescindível para o estímulo à competitividade e ao crescimento", afirma o presidente da CNT, Clésio Andrade. Nesse sentido, segundo ele, "é muito importante entender os números do transporte, que indicam os avanços e os desafios a serem superados".

Crescimento

A análise da série histórica mostra, por exemplo, que a qualidade e o crescimento da malha rodoviária não acompanham a demanda de infraestrutura para o escoamento da produção nem para o deslocamento de pessoas. A frota de veículos aumentou 194,1%, de 2001 para 2016, mas as rodovias continuam com graves problemas de qualidade, comprometendo a segurança. No ano passado, mais da metade dos trechos avaliados pela CNT apresentaram problemas.

O Anuário mostra ainda que as instalações portuárias brasileiras transportaram quase 1 bilhão de toneladas de cargas no ano passado - queda de 1,1% em relação a 2015. No modal aeroviário, a queda no transporte doméstico, de 2014 para 2015, foi 0,7% e, no internacional, de 1,7%.

No transporte de cabotagem, o País saltou de 135,9 milhões de toneladas para 148,9 milhões de toneladas entre 2011 e 2016, um crescimento de 9,5% no volume transportado.

Carga aéreo

No modal aéreo, contando apenas o mercado doméstico, o transporte de carga decresceu entre 2011 e 2015, segundo informações da CNT.

Em 2011, foram transportadas 413,1 mil toneladas, enquanto que no ano de 2015, o volume passou para 357,1 mil toneladas, uma queda de 13,5% de carga movimentada.

Apesar de muitos avanços pontuais, o modal rodoviário ainda é responsável por 60% do que é transportado no País, segundo levantamento feito pelo Custos Logísticos no Brasil, da Fundação Dom Cabral.

De acordo com a pesquisa, a malha rodoviária é usada para o escoamento de 75% da produção, o que revela que a infraestrutura de outros modais ainda é subutilizada. 

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