problema de logística

Falta de combustível se intensifica nos postos

Segundo proprietários dos postos, atrasos no fornecimento dos produtos estão cada vez mais frequentes

00:00 · 24.12.2015 por Murilo Viana - Repórter
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Na Capital, a falta de combustíveis chega a ser constatada semanalmente ( FOTO: DANIEL ARAGÃO )

Não é de hoje que o consumidor se depara com faltas pontuais de combustíveis em postos cearenses. O problema, entretanto, vem se intensificando em estabelecimentos situados na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF) durante os últimos meses e é agravado pela alta demanda de abastecimento de veículos no mês de dezembro, gerada em função das festas de fim de ano.

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A situação, além de ser um problema para os clientes, também é uma "pedra no sapato" dos empresários que comercializam combustíveis. Eles se queixam de restrições nos fornecimentos de gasolina, álcool e óleo diesel e atrasos nas entrega dos produtos por parte das distribuidoras Petrobras, Shell, Ipiranga, SP e Ale.

Carlos Pessoa é proprietário de 10 postos, estando oito deles situados em Fortaleza, um em Horizonte e outro em Caucaia. Oito dos estabelecimentos são de bandeira Petrobras e os demais são de bandeira branca, ou seja, são abastecidos por diversas distribuidoras.

O empresário diz que sempre houve atrasos no fornecimento de combustíveis, mas isso costumava acontecer em apenas um dia a cada mês.

Entretanto, há cerca de três meses, o problema está mais frequente. "Nas últimas cinco semanas, aconteceu quatro vezes", salienta. "Hoje, eu tinha 150 mil litros para receber e estou recebendo 60 mil", exemplifica. O descumprimento de prazos, segundo ele, tem gerado prejuízos significativos para a empresa e acaba por acarretar em perdas de clientes.

"Tem posto meu que era para receber (combustíveis) na sexta-feira, mas eu só recebi ontem, e eu sustentando 10 funcionários sem ter o que vender. O consumidor, quando vê faltando (combustível), passa pelo posto novamente no dia seguinte. Se estiver faltando de novo, depois ele não passa mais. Ele culpa logo o dono do posto", salienta Pessoa.

Atraso em navios

Segundo ele, uma das justificativas dadas pelas distribuidoras é de que as chegadas dos combustíveis por meio de navios, no Porto do Mucuripe, estão atrasando, o que acaba adiando as entregas de gasolina, óleo diesel e álcool nos postos.

A mesma explicação é dada para Giovani Montezuma, proprietário de quatro postos situados na Capital, sendo três da bandeira Ipiranga, e um da Shell. "Você pede 20 mil litros, e a companhia (distribuidora) só tem 10 mil. A restrição é em função de atrasos do navio (que passa o combustível) para a distribuidora", alega.

De acordo com ele, faltam combustíveis todos os dias em pelo menos um de seus estabelecimentos. "Se era para chegar hoje à tarde, não chega. Só chega amanhã de manhã, aí tem que esperar chegar. O cliente quando não chega no posto e não tem combustível ele faz o quê? Ele volta", salienta.

Montezuma destaca ainda que a falta do produto nas bombas é agravada em função do alto consumo de combustíveis nesta época do ano. "Está havendo restrição, e agora, no fim do ano, as festas dão aumento ao consumo", defende.

Solução

Na opinião dele, a resolução do impasse passa por mais investimentos por parte das distribuidoras em estocagem dos produtos e um diálogo mais transparente das empresas com os proprietários de postos.

"Eu acho que a solução seria ter uma melhor noção de dia de chegada de navio e (investir) em estocagem nas bases das distribuidoras. É ter estoque suficiente para a demanda. As companhias não avisam que estão com restrições nas entregas dos combustíveis", defende.

Distribuidoras

Procurada pela reportagem, a assessoria de imprensa do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e Lubrificantes (Sindicom) informou que não seria possível dar um posicionamento ontem. A assessoria também disse que a entidade deve se pronunciar a partir da próxima segunda-feira (28).

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