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Estado desponta na demanda por transporte aéreo com hub

Mercado brasileiro tem desempenho maior do que a economia, como atestam dados apurados pela Abear

Movimentação de grandes aeronaves no Estado com mais voos diretos conectando o Brasil ao resto do mundo fortalecem o papel do terminal de Fortaleza para a aviação ( Foto: Kléber a. Gonçalves )
01:00 · 14.09.2018

A demanda por transporte aéreo no País cresce a uma velocidade superior à da economia nacional, conforme apontam dados da Associação Brasileira de Empresas Aéreas (Abear), e o Ceará acompanha esse processo sendo destaque no mercado nacional, como aponta o presidente da entidade, Eduardo Sanovicz. "O conjunto de políticas conduzidas pelo Governo do Estado resultou nesse potencial. Os reflexos são concretos: aviões de milhões de dólares em Fortaleza com voos diretos para Holanda e Paris", ressalta, mencionando os efeitos da instalação do hub do Grupo Air France-KLM.

Consolidando a retomada do setor, a demanda por passagens internacionais avançou 15,6% e, por trechos domésticos, 4,79%, entre os meses de janeiro e julho - ao mesmo tempo, o mercado financeiro prevê crescimento de 1,4% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2018.

"Mas há fatos acontecendo no Ceará que são muito relevantes e falam por si só", observa Sanovicz referindo-se ao mercado de eventos, o qual ele considera ter bastante potencial de crescimento e que está diretamente relacionado às aéreas.

Dinâmica no exterior

No mercado internacional, os dados da Abear indicam que demanda e volume de passageiros transportados avançam ininterruptamente há 22 meses e, no doméstico, há 17.

Um marco dessa expansão foi alcançado em junho, quando 100 milhões de passageiros foram transportados pelas quatro maiores companhias aéreas do País em um intervalo de doze meses - o que significou a volta de mais de 5 milhões de passageiros no intervalo de um ano. Na avaliação de especialistas do setor, essa retomada é amparada tanto pelo processo de aumento de renda da população quanto pela desregulamentação de regras de serviços de transporte aéreo. O entendimento é de que, com a possibilidade de cobrar por serviços como despacho de bagagens e marcação de assentos, as empresas puderam criar classes tarifárias para públicos distintos e atingir mais públicos.

"Isso nos deixa muito mais próximos ao ambiente internacional de regulação", pontua o presidente da Abear, acrescentando ainda que essa aproximação tornou o Brasil mais atraente para as companhias de baixo custo - ou "low cost". A permissão dada pela nova legislação e regras próximas das operadas no exterior despertaram o interesse dessas empresas pelo País, na avaliação de Sanovicz.

Desafios

Por outro lado, a volatilidade do dólar preocupa o setor, uma vez que representa cerca de 30% dos custos das empresas aéreas, segundo a Abear. Para além disso, o querosene da aviação (QAV) alcançou no mês passado o maior valor histórico pago pelas companhias no Brasil, em torno de R$ 3,30, incluindo impostos. Só nos últimos dois anos, o QAV acumula alta de 82%.

Outras questões trabalhadas pelo setor, atualmente, incluem discussões a respeito da continuidade de investimentos para a ampliação de aeroportos, detalhes do modelo de concessões utilizado pelo governo federal, redução da carga tributária e infraestrutura do espaço aéreo, com o objetivo de aumentar a capacidade de tráfego das áreas mais movimentadas do País, problemas que ameaçam a competitividade do transporte aéreo comercial no Brasil.

Perguntado sobre a retomada, o presidente da Abear afirmou que, "especialmente neste aspecto, o setor fica mais na dependência do que vai acontecer na economia brasileira". A respeito da nova rodada de concessões, ele disse querer conferir o projeto a ser formulado para a próxima para, então, argumentar com mais precisão sobre as condições do edital.

Porém, afirmou que "conceitualmente somos favoráveis a política de concessões". "Os aeroportos já concessionados permitem uma experiência de viagem melhor para o passageiros e de operação para nós bastante positiva", afirmou.

Fórum internacional

Parte desses assuntos deverá ser tratado na quarta edição do Fórum Mundial de Aviação da Organização da Aviação Civil Internacional (Oaci ou Icao, na sigla em inglês), que acontece de segunda (17) a quarta (19) no Centro de Eventos do Ceará (CEC). O evento foi trazido ao Brasil pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e reunirá, na Capital, várias autoridades nacionais e internacionais.

Entre as autoridades já confirmadas estão os ministros do Turismo, Vinícius Lummertz; dos Transportes, Portos e Aviação Civil, Valter Casimiro; o diretor-presidente da Anac, José Ricardo Botelho; do presidente do Conselho da Oaci, Olumuyiwa Aliu, e da secretária-geral da organização, Fang Liu, além de autoridades de aviação de diversos países. O governador Camilo Santana estará presente.

"Uma evento da ICal é para ser celebrada", indicou o presidente da Abear ao afirmar que é parte dos frutos colhidos pelo Ceará após traçar um programa de desenvolvimento para o setor aéreo no Estado.

Objetivos

A reunião tem como objetivos elaborar soluções práticas para os desafios do desenvolvimento da aviação, com foco em infraestrutura, investimento e inovação; abrir espaço para o diálogo sobre planejamento de projetos relacionados ao setor; estabelecer um quadro de coordenação e uma parceria multilateral de transporte e planejamento urbano; enfrentar os desafios para o crescimento do transporte aéreo da América Latina e Caribe.

Os painéis previstos vão discutir desafios políticos para a aviação no mundo, obstáculos às soluções de políticas públicas, estratégias, apresentação de oportunidades de investimento, mobilidade multimodal e intermodal para melhorar a conectividade do ar e crescimento do transporte aéreo na região panamericana, além de incluírem rodadas de negócios.

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