Espaços verdes além da função ambiental - Negócios - Diário do Nordeste

MOVIMENTO PRÓ-ÁRVORE

Espaços verdes além da função ambiental

14.09.2011

O verde é fundamental nas cidades para a purificação do mar, maior umidade, equilíbrio psicológico, recarga de aquíferos, aspecto estético, abrigo da fauna e sequestro de carbono
O verde é fundamental nas cidades para a purificação do mar, maior umidade, equilíbrio psicológico, recarga de aquíferos, aspecto estético, abrigo da fauna e sequestro de carbono
NATINHO RODRIGUES
A falta de espaços verdes na Capital cearense piora na periferia, embora não se trate de condição econômica
A falta de espaços verdes na Capital cearense piora na periferia, embora não se trate de condição econômica
MARÍLIA CAMELO
Embora não possua inventário, a cidade apresenta apenas três metros quadrados de árvore por habitante
Embora não possua inventário, a cidade apresenta apenas três metros quadrados de árvore por habitante
MIGUEL PORTELA
Fortaleza figura entre as cidades brasileiras com maior carência de áreas verdes, segundo especialistas

Consideradas como os pulmões das cidades, as áreas verdes possuem funções social, educativa, ecológica e estética. No entanto, a falta destes locais, principalmente nos centros urbanos, acaba por desencadear um efeito dominó no desenho do espaço das cidades, que se tornam mais quentes, menos acolhedoras, afetando também a fauna, em função do desequilíbrio ambiental ocasionado. A sociabilidade é outro aspecto ressaltado, uma vez que a construção de equipamentos como praças, jardins, entre outras áreas de lazer além de servir para aproximar as pessoas, contribui para a diminuição da violência.

A preocupação com a harmonização do espaço urbano acompanha a história do desenvolvimento das cidades. Hoje, existe a compreensão de que homem, natureza e habitação fazem parte dessa realidade, devendo haver um equilíbrio na distribuição desses espaços que servem de circulação para as cidades. Fortaleza figura entre os municípios brasileiros mais carentes em áreas verdes e arborização. Para alguns, o problema é de difícil solução, como atesta o engenheiro agrônomo e paisagista, Fernando Marinho, definindo como "um horror" a realidade em termos de arborização e áreas verdes na Capital. "Não tem nada de arborização", reclama, completando que os espaços verdes devem ser partes integrantes das cidades. "Não temos parques, praças e jardins. É um desastre".

Poucas praças

Para mostrar a deficiência do verde na Cidade, o paisagista convida a um passeio mental, tomando como ponto de partida a Avenida Dom Manuel, seguindo pela Avenida Santos Dumont até a Praia do Futuro. Contabiliza a existência de apenas duas praças, sendo a primeira delas a Praça do Cristo Rei, explicando que parte dela está no Colégio Militar de Fortaleza. A outra, no Centro de Artesanato do Ceará (Ceart) que não é considerada uma praça propriamente, explica ele. Considera uma situação extremamente complicada a falta de espaços verdes e de arborização em Fortaleza, até mesmo o Parque do Cocó, denominado um dos principais espaços verdes da Capital cearense, fica localizado dentro de um mangue.

A situação piora quando chega na periferia. "Se a parte que liga o Centro antigo é precária, imagine na periferia", compara o paisagista, explicando que a arborização deve fazer parte do sistema de organização de uma cidade. Não se trata de condição econômica da população, mas de visão, afirmando que a própria expansão de Fortaleza aconteceu de outra forma e não a partir da Praça do Ferreira.

Embora não possua um inventário de árvores, de acordo com o engenheiro agrônomo e botânico, Antonio Sérgio Castro, "a cidade está muito ruim, em termos de áreas verdes por habitantes". Cita números da Sociedade Brasileira de Arborização Urbana (SBAU), que recomenda 15 metros quadrados de área verde por habitante, ao passo em que a Capital, apresenta apenas três metros quadrados por pessoa, conforme dados da Prefeitura. "Nos últimos 30 anos, perdemos 90% das nossas áreas verdes". Acrescenta que, se considerado o índice de 12 metros quadrados por habitante, a Capital precisaria de 3 mil hectares de locais arborizados, como parques, praças, acompanhamento viário e espaços particulares.

Pró-Árvore

Ante o quadro de carência de arborização, o engenheiro agrônomo lançou um desafio: unir todos aqueles que amam o verde e que se entristecem ao constatar a realidade da Capital cearense, aqueles que querem fazer algo em prol das árvores, das poucas áreas verdes que nos restam. Com este apelo surge o Movimento Pró-Árvore. O primeiro passo é o encontro dessas pessoas, a troca de ideias, experiências e propostas, buscando conhecimento, interação, união de forças e, finalmente, ação.

O primeiro encontro será no dia 21 deste mês, às 19h30, no Instituto Gaia, localizado na Rua José Vilar, 964, Aldeota. A data foi escolhida pro ser o Dia da Árvore original, ainda adotado nas regiões Sul e Sudeste, enquanto o no Norte e Nordeste comemoramos a data na primeira semana de março. "Haverá uma apresentação minha sobre as árvores de Fortaleza", informa. Para ele, o primeiro passo é sensibilizar os habitantes da cidade sobre a importância de uma boa arborização, como pressuposto básico de uma melhor qualidade de vida. A partir do encontro, serão definidas formas de participação.

Antonio Sérgio afirma que o movimento pretende unir as pessoas na reivindicação de planos e projetos de arborização com espécies nativas, privilegiando a sobra e lutando também por mais áreas verdes. "Parte de que é necessário conhecer quais são nossas árvores, pois a maioria de nós pouco ou nada conhece delas", comenta.

A princípio, serão feitos alguns encontros para listar os membros efetivos do movimento e os apoiadores. "Depois, é criar um grupo nas redes e partir para a luta", frisa. E ai, vale, segundo ele, cobrar das promotorias de Meio Ambiente ações eficazes para combater os crimes contra as árvores e a vegetação não só em Fortaleza como em todo o Estado. "Não há fronteiras para o movimento".

Ações oficiais

De acordo com a assessoria de imprensa da Secretaria Municipal de meio Ambiente e Controle urbano de Fortaleza (Semam), está em andamento o inventário das áreas verdes da cidade. O estudo permitirá o diagnóstico completo sobre estes espaços, beneficiando a cidade como um todo, além de potencializar as propostas e atividades. Em paralelo, seguem projetos como o de Educação Ambiental para a Construção Civil e o Ecocirco que leva educação, serviços e distribuição de mudas aos bairros de Fortaleza.

IRACEMA SALES E SAMIRA DE CASTRO
REPÓRTERES

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