pós-greve dos caminhoneiros

Empresas investem em frota própria no Estado

Ação busca reduzir a dependência dos caminhoneiros. A greve da categoria, em maio, causou muitos prejuízos

01:00 · 04.09.2018
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O aumento do diesel, na última sexta, trouxe a apreensão de uma nova greve ( FOTO: CID BARBOSA )

Muitas empresas cearenses estão retomando o setor de transportes, que havia sido substituído pela prestação do serviço por terceirizadas, com o objetivo de reduzir a dependência dos caminhoneiros autônomos.

De acordo com o gerente do Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas e Logística do Estado do Ceará (Setcarce), Espedito Róseo Silva Júnior, o movimento é mais forte no setor do agronegócio. Além disso, ele afirma que o frete deve ficar cerca de 3,5% mais caro no Estado em razão do aumento do preço do diesel.

"A notícia que temos é que as empresas estão voltando a adquirir caminhões para ter uma frota própria para fugir dessa guerra. Temos informações de grandes empresas no Ceará para atender essa demanda. Isso já é uma realidade e está acontecendo principalmente no agronegócio. A indústria também está fazendo isso, porém em um ritmo mais lento", explica.

Ainda de acordo com o gerente, a alta no frete já era previsível, uma vez que o setor não tem como absorver o aumento sem repassar o valor. "O peso do óleo diesel no frete é de em torno de 30%. Esses 13% de reajuste na refinaria deve chegar às bombas dos postos em 9%. Com toda certeza esse reajuste vai ser repassado e isso vai alterar a tabela de preço mínimo. O impacto deve ser imediato e não deve demorar. É uma questão de poucos dias para o consumidor sentir", acrescenta ele.

Uma das soluções debatidas no setor é a criação de uma política de preços diferenciada para o óleo diesel. "Nós estamos apreensivos com a situação. O transportador vive no limite do limite, trabalhando no vermelho. A nossa avaliação é de desastre para o setor de cargas e para a economia. O governo deveria ter feito uma negociação mais engajada e que vigorasse mais tempo. O ideal é que a Petrobras tivesse uma outra política para o diesel, uma contabilidade diferenciada", completa.

Segundo ele, é complicado haver novas negociações de preços de contratos já firmados para o transporte de cargas. "As transportadoras têm contratos e já está tudo negociado. Renegociar tudo isso não faz sentido. É muito dispendioso para as empresas", avalia.

Indústria

Para Heitor Studart, presidente da Câmara Setorial de Logística da Adece e presidente do Conselho Temático de Infraestrutura (Coinfra) da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec), a aquisição de frota própria pelas empresas é uma tendência que está se formatando no Ceará e no restante do País. "O setor produtivo da indústria é contra qualquer tipo de tabelamento. Em qualquer lugar do mundo isso não vingou. O mercado livre é a melhor opção. Então o setor privado deve partir sim para a frota própria", afirma.

De acordo com ele, além da autorregulação é uma das saídas para a resolução do problema do frete. "Nós teremos uma nova situação em janeiro de 2019. Até lá, esse tabelamento vai gerar profundas desigualdades regionais, principalmente no Nordeste onde fica realmente difícil esse tabelamento".

Studart diz ainda que o governo deveria cortar mais impostos dos combustíveis. "É o objetivo para que haja uma redução dos custo e refletir para os consumidores. Além disso, o problema é tão sério que o mercado produtivo vai ficar dependente de uma ameaça de greve. De três em três meses teremos um problema desse. A autorregulação ocorre no mundo todo e deveria acontecer no Brasil também", acrescenta o presidente do Coinfra.

O aumento no preço do óleo diesel, anunciado na última sexta-feira (31) pela Petrobras, repercutiu negativamente em todo o mercado. Setores já anunciam impactos diretos, principalmente, na elevação do custo do frete, e em seguida, na alta de preços para os consumidores.

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