DE OLHO NOS EUA

Dólar turismo na Capital se aproxima dos R$ 4; atenção na hora da compra

01:00 · 16.05.2018

Fortaleza/Brasília. As moedas de países emergentes tiveram um novo dia negativo em reação a um fator já conhecido: a expectativa de que o banco central americano acelere o aumento de juros nos Estados Unidos para conter pressões inflacionárias. No Brasil, o dólar comercial subiu 0,93%, para R$ 3,66, maior nível desde abril de 2016. Na máxima, o dólar atingiu R$ 3,69 nessa terça-feira (15).

Com isso, o dólar turismo disparou e encerrou a R$ 3,82, mas chegou a ser negociado na casa dos R$ 4 nas casas de câmbio pelo País. Em Fortaleza, até a noite de ontem, era possível encontrar a moeda nas casas especializadas por até R$ 3,85 (Sadoc Câmbio e Turismo). No fim da tarde, entretanto, o dólar turismo chegou a ser comercializado a R$ 3,87.

Na Confidence Câmbio, Monde Câmbio e La Moneta Câmbio, o dólar turismo era vendido a R$ 3,86 (valores referentes a compra com papel-moeda e com IOF incluso). Os dados foram levantados por meio do site "Melhor Câmbio", da Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Proteste).

No mundo, o dólar ganhou força em relação a 30 das 31 principais moedas -a única que conseguiu se valorizar foi o peso argentino, que é a divisa que mais se enfraquece no ano em relação ao dólar. A Bolsa brasileira teve leve queda de 0,12%, para 85.130 pontos, amparada pelas ações da Petrobras e da Vale, que fecharam em alta.

O catalisador nesta sessão para a valorização do dólar foram dados de varejo de abril nos Estados Unidos, que sugerem que a economia americana se manteve forte no segundo trimestre.

As vendas cresceram 0,3% em valor, depois de avançarem 0,8% no mês anterior, de acordo com dados revisados pelo Departamento de Comércio americano. A preocupação é que esse aumento gere pressão inflacionária e, consequentemente, acelere a alta de juros nos EUA.

"A economia americana segue em recuperação mais vigorosa, com forte desempenho do mercado de trabalho e a inflação em trajetória de convergência para a meta", diz André Carvalho, gestor macro da Brasil Plural Asset Management.

Segundo ele, esses indicadores têm levado o mercado a reavaliar o número de altas de juros que o banco central americano fará neste ano. "Atualmente, o consenso de mercado se encontra entre três e quatro elevações em 2018", afirmou.

"Tendo em vista este movimento, o dólar tem se fortalecido em relação às demais moedas, em particular as que apresentam fundamentos mais frágeis, principalmente emergentes como a Argentina e a Turquia". Na Argentina, a fragilidade econômica, inflação elevada e o baixo nível de reservas internacionais mergulharam o país em uma crise cambial. No ano, o peso acumula desvalorização de 23,8% em relação ao dólar.

A lira turca é a segunda maior queda (-14,6%). A Turquia também está em situação frágil, com preocupações com superaquecimento da economia e inflação em dois dígitos. Aqui, a maior atuação do Banco Central no câmbio não tem sido suficiente para suavizar a alta do dólar.

Nesta terça, o Banco Central vendeu 5.000 novos contratos de swaps cambiais tradicionais. Também vendeu a oferta de até 4.225 swaps para rolagem do vencimento de junho.

Até agora, o BC já rolou US$ 3,537 bilhões dos US$ 5,650 bilhões que vencem no próximo mês. O CDS subiu 1,67%, para 188,7 pontos. No mercado de juros futuros, os contratos mais negociados caíram. O DI para julho deste ano recuou de 6,240% para 6,230%. O DI para janeiro de 2019 teve queda de 6,360% para 6,330%.

Ações

Das 67 ações que compõem o Ibovespa, 43 caíram, 23 subiram e uma fechou estável. A maior queda foi registrada pelos papéis da Taesa, que se desvalorizaram 6,91% no pregão. A Qualicorp perdeu 6,08%, e a B2W recuou 5,34%.

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