BOLSA RECUA

Dólar cai 5,5% com ação do BC, cotado a R$ 3,709

O Ibovespa, índice que reúne as ações mais negociadas, fechou a sexta-feira (8) com baixa de 1,5%

01:00 · 09.06.2018

São Paulo/Fortaleza. Após uma quinta-feira (7) de pânico no mercado financeiro, o dólar reagiu ao anúncio do Banco Central (BC) de que faria mais intervenções para conter a volatilidade do câmbio e a moeda americana caiu mais de 5% nesta sexta-feira (8). O dólar comercial recuou 5,5%, para R$ 3,709. Na mínima, chegou a R$ 3,696. O dólar à vista caiu 7,83%, para R$ 3,7477. A Bolsa, no entanto, não reagiu e seguiu caindo, mais alinhada com a retração de Bolsas no exterior.

Em Fortaleza, nas casas de câmbio, o dólar no cartão pré-pago chegou a R$ 4,15 - valor 4,37% inferior ao maior encontrado pela reportagem no dia anterior. À vista, a moeda oscilou entre R$ 4,05 e R$ 4,13, representando recuo entre 2,17% e 3,70% ante a quinta-feira.

O Ibovespa, índice que reúne as ações mais negociadas, abriu a sexta-feira praticamente estável, chegou a cair mais de 2% e fechou com baixa de 1,5%, segundo dados preliminares, para 72.739 pontos.

Bancos oscilaram ao longo do dia, mas em geral terminaram em baixa. A Petrobras caiu 2,5%. A Vale, com peso grande no Ibovespa, também foi destaque negativo: recuou 6,69%.

Na noite de quinta, o BC informou que vai intensificar sua atuação no mercado nos próximos dias, ofertando US$ 20 bilhões adicionais em swaps cambiais (equivalente à venda de dólares no futuro) até a próxima sexta-feira (15).

Ilan Goldfajn, presidente do BC, disse ainda que a autoridade monetária usará todos os recursos disponíveis caso a volatilidade cambial se agrave e afastou a possibilidade de reunião extraordinária do Copom (Comitê de Política Monetária) para mudar a taxa de juros. O Tesouro Nacional voltou a suspender, porém, as negociações dos títulos públicos devido à alta volatilidade das taxas. O Tesouro Direto foi suspenso às 9h40, logo após abrir.

Na quinta, em meio ao pânico no mercado cambial, o Tesouro suspendeu as negociações de títulos públicos às 9h48. Retomou por volta do meio-dia, mas suspendeu novamente às 12h40 e anunciou que só retornaria às 9h30 desta sexta.

"A questão toda hoje é se o BC consegue segurar o câmbio sem mexer nos juros. A princípio, parece que o mercado está bem cético sobre isso, mesmo após a entrevista do Ilan", avalia Lucas Claro, da Ativa Investimentos.

O BC já vendeu integralmente o lote de até 15 mil novos swaps (US$ 750 milhões), injetando US$ 7,306 bilhões neste mês no mercado. Serão ofertados ainda até 8.800 swaps para rolagem do vencimento de julho. Desde que começou a ofertar novos contratos de swap, em meados de maio, o BC já injetou no sistema até o momento o equivalente a US$ 14,866 bilhões.

A situação cambial do Brasil se deteriora conforme as eleições de outubro se aproximam e pesquisas de intenção de voto não comprovam o avanço de candidatos considerados pelo mercado como comprometidos com o ajuste fiscal.

Expectativas

Incertezas na política nacional afastam investidores, ao mesmo tempo em que expectativas de alta de juros nos Estados Unidos atraem fluxo de capital até então alocado em países emergentes para a economia americana, mais sólida e menos arriscada.

O Federal Reserve (banco central dos Estados Unidos) fará nova decisão sobre juros na próxima semana, e a projeção dos especialistas é de alta.

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