AUMENTO DA PETROBRAS

Diesel tem alta de 13,3%; litro deve atingir R$ 4 no CE

O reajuste no preço do combustível foi o primeiro desde a greve dos caminhoneiros, em maio deste ano

01:00 · 01.09.2018
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Levantamento da ANP mostra que, entre 19 e 25 de agosto, o litro do diesel era vendido pelo valor médio de R$ 3,539 no Ceará ( Foto: Thiago Gadelha )

O preço do litro do óleo diesel deve chegar nos próximos dias aos postos de combustíveis cearenses a R$ 4. A estimativa é do consultor na área de petróleo e gás, Bruno Iughetti, após o primeiro reajuste, de 13,3%, anunciado pela Petrobras após a greve dos caminhoneiros, em maio.

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Segundo Iughetti, haverá um impacto menor nas bombas dos postos para os consumidores porque a alta de 13,3% da estatal não chega integralmente aos estabelecimentos. "Dependendo da formação de preço e da cadeia de distribuição e revenda, essa alta de 13,3% é o valor bruto da refinaria. Normalmente, esse percentual se dilui e tem um impacto para o consumidor na faixa de 9%", afirma.

Conforme levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), na semana de 19 a 25 de agosto, o litro do diesel custa em média no Ceará R$ 3,539. Com a alteração da Petrobras, o valor do produto poderá atingir R$ 4,009 o litro no Estado. Além da Petrobras, a ANP reajustou na última quinta-feira (30) os preços de referência e de comercialização do óleo diesel, que estavam congelados há três meses, desde a greve dos caminhoneiros. No Nordeste, houve aumento de 12,6% no produto. Um dia depois, foi a vez da Petrobras revisar os valores do produto.

Influência

De acordo com Iughetti, a mudança dos preços divulgada pela ANP não afeta nos valores cobrados pelos postos de gasolina. "A Agência não exerce nenhuma influência no preço dos combustíveis. Ela não tem poder nenhum de formação de preços. Quem faz isso é a Petrobras", explica.

O consultor acrescenta que o aumento ou não nas bombas é uma questão de competitividade de mercado. "Aquele posto que ainda tem um bom estoque, por uma questão comercial, vai manter o preço vigente por mais alguns dias. E aquele posto que está sem estoque e que precisa fazer o pedido do produto já vai reajustar na bomba", afirma Bruno Iughetti.

Composição

Sobre a composição dos preços do óleo diesel, Iughetti esclarece que a carga tributária representa 50% do valor. "Ainda tem o custo de transporte e tem a margem de lucro da distribuidora e do revendedor. O custo de transporte é de R$ 0,10 por litro", diz.

Tabela

Ao divulgar a tabela com o reajuste, a ANP ressaltou que "os novos valores refletem os aumentos dos preços internacionais do diesel e do câmbio no último mês". A nova tabela passou a valer a partir dessa sexta-feira (31).

Os aumentos implicam reajustes de mais de 14%, como é o caso da Região Centro-Oeste, onde o preço do diesel vai passar de R$ 2,1055 para R$ 2,4094. O segundo maior preço a ser praticado é o da Região Sudeste, onde o preço do produto passa de R$ 2,1055 para R$ 2,3277; Sul (de R$ 2,0462 para R$ 2,3143, alta de mais de 10%); e Nordeste onde a alta superou 12%, com o preço do produto indo de R$ 2,0065 para R$ 2,2592.

No Norte, também com alta superior a 12%, o preço do produto irá de R$ 1,981 para R$ 2,2281, o menor preço praticado no País. Como parte do acordo que pôs fim à greve dos caminhoneiros, que paralisou o País, o preço de comercialização do diesel estava congelado em R$ 2,0316 por litro desde junho.

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Formação de preços

Conforme a ANP, o preço de referência (PR) é calculado pela fórmula publicada pela Agência na Resolução nº 743/2018. A fórmula reflete a paridade de importação e os custos de transporte até as diferentes regiões brasileiras. Os preços de comercialização (PC) são resultantes da subtração de R$ 0,30/litro dos preços de referência, como determinado pelo programa de subvenção de acordo com Medida Provisória Nº 838/2018. Tratam-se de preços aplicados apenas a produtores e importadores. Logo, não há impactos diretos para os consumidores.

Opinião do especialista

Valor maior surpreende e traz preocupação

Antonio José Gomes Costa
Assessor econômico do Sindipostos-CE

Nós não temos condições de afirmar como vão ficar os preços nos postos de combustíveis porque os estabelecimentos têm a liberdade para definir os valores. No entanto, o Sindipostos está indignado com o reajuste da Petrobras. Isso nos deixa surpresos e preocupados com essa alta. Pensamos que isso é uma irresponsabilidade do governo porque nós não sabemos o que vai acontecer daqui para frente. A gente entende que esse aumento é complicado e fora do acordo que foi feito pelo governo com os caminhoneiros. Como eles vão ficar? Nós sabemos que a partir de agora o preço de custo vai ficar maior que o preço de venda. No máximo em três ou quatro dias, dependendo dos estoques dos postos, o consumidor vai perceber um aumento no preço do diesel.

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