No fim de 2018

Desemprego deve recuar para 10,5% no Estado

Maior dinâmica da economia cearense frente a média nacional favorece criação de vagas no Estado

01:00 · 09.06.2018 / atualizado às 01:44
O 2º semestre, historicamente, oferta mais postos de trabalho ( FOTO: FABIANE DE PAULA )

O nível de desemprego no Estado do Ceará deve cair dos atuais 12,8% a cerca de 10,5% a 11% ao fim deste ano, apesar das incertezas do cenário econômico, como reflexo do maior número de empregos temporários gerados no período de fim de ano e de mais dinheiro no bolso dos consumidores com o 13º salário. O resultado, mesmo um pouco melhor que o de 2017, ainda deve ficar menor que o projetado inicialmente para 2018.

A avaliação é de Mardônio Costa, analista de Mercado de Trabalho do Instituto de Desenvolvimento do Trabalho (IDT). Ele pondera que, embora a retomada do emprego dependa de como a conjuntura econômica vá responder nos próximos meses, o que ainda é incerto, "as perspectivas são definitivamente melhores que nos últimos dois anos" em termos de geração de vagas de trabalho, principalmente no Estado.

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Dinamização

Entre os indicadores que apontam para a tendência de aumento de geração de vagas, Mardônio Costa lista a sazonal dinamização da economia no segundo semestre, a grande demanda reprimida e o impacto do 13º salário no fim do ano.

"O Ceará tem uma situação um pouco mais confortável, principalmente na área do turismo por causa do hub de aviação, que vai contribuir para a dinamização da oferta de emprego no segundo semestre deste ano", acrescenta.

O analista pondera, entretanto, que os impactos desse investimento não devem ser tão imediatos, mas que contribuirão, no médio prazo, para o fortalecimento da economia local. "Como temos uma predominância da atividade do setor terciário, como comércio e serviços, o fortalecimento da atividade turística no Estado certamente promoverá significativas alterações no mercado de trabalho", avalia.

Intempéries

Por outro lado, freiam a expansão do nível de emprego as incertezas quanto aos efeitos da greve dos caminhoneiros, à indefinição do quadro eleitoral, principalmente após anos de conturbação política, à recuperação da economia em menor proporção que o esperado e ao aumento do dólar, que deve repercutir na inflação e, consequentemente, no poder de consumo da população.

"O principal balizador (para a geração de emprego) é a perspectiva econômica. Antes, previa-se um crescimento econômico de 3% e agora, caminha para 2%. Embora a indústria até tenha se recuperado um pouco, no Ceará, por exemplo, ela vem crescendo menos, o que indica que o crescimento tem se dado de forma mais lenta", explica Costa. "Todo esse quadro de incertezas foi aprofundado ainda mais com a greve dos caminhoneiros".

Agropecuária

O analista do IDT aponta que o impacto do movimento foi muito forte sobre a atividade econômica, principalmente no setor da agropecuária, que é grande dinamizador da economia brasileira e cearense.

"(A economia) estava caminhando mais lentamente e, após a greve, vai diminuir sobremaneira, além de gerar alguma inflação, que pode afetar o ritmo de consumo das famílias. Com a baixa atividade econômica, retarda-se a retomada dos empregos", avalia.

Melhora

Mesmo com todas essas dificuldades, o cenário econômico ainda está um pouco melhor que o visto no ano passado, de forma que Costa afirma esperar que haja uma melhora no mercado de trabalho neste ano, "por menor que seja".

"O Ceará, nesse contexto, vem apresentando um nível de crescimento econômico acima da média nacional, o que deve beneficiar ainda mais o mercado local". 

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