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Descontos nos imóveis estão no máximo em 5%

Percentual é bem menor do que o oferecido no ano passado, quando o abatimento era de até 30%

Pesquisa Raio-X FipeZap mostra que 54% dos entrevistados pretendem comprar algum imóvel nos próximos três meses ( FOTO: REINALDO JORGE )
01:00 · 15.02.2018

Os descontos para a compra de imóveis residenciais estão apresentando queda no País. Segundo pesquisa da FipeZap, a proporção das transações com abatimento, após atingir o pico de 74,8%, em junho de 2016, passou para 65,2% do total, em dezembro de 2017. Além disso, o percentual médio dos descontos caiu de 9,3% para 7,6%, em igual período, ficando no mesmo patamar da média histórica desde 2013. No entanto, o Zap ressalta que esse comportamento "deve ser contextualizado no ambiente de queda real dos preços dos imóveis mostrado pelo Índice FipeZap".

No Ceará, o percentual dos descontos, que chegou a cerca de 30% no início do ano passado, hoje gira em torno de 5%, segundo Rodrigo Costa, diretor de locação e conselheiro do Conselho Regional dos Corretores de Imóveis (Creci-CE). "Há cinco anos, era comum que o imóvel fosse vendido com ágio de até 15%, com muitos investidores comprando a preço de tabela para vender logo depois. Aí começou a cair drasticamente, quando o próprio construtor passou a dar descontos muito grandes", comenta Costa.

Ele afirma que, no Ceará, o período dos grandes descontos foi nos anos de 2016 e 2017, e que a tendência agora é de normalização do mercado.

De acordo com o Raio-X FipeZap do 4º trimestre de 2017, a participação dos investidores no total de compradores manteve-se relativamente estável, encerrando 2017 em torno de 41% dos que responderam a pesquisa. "É possível notar um aumento no interesse de aquisição do imóvel para aluguel, face à queda no interesse para revenda", diz o estudo. Dentre os que desejam investir, 24% afirmaram ter a intenção de alugar o imóvel, e 17% fizeram a compra com intenção em revenda.

No Ceará, porém, a proporção de investidores entre os compradores de imóveis vem diminuindo. Rodrigo Costa diz que nos últimos dois anos a participação do comprador que deseja morar vem aumentando. "As compras para esse tipo de consumidor sempre estiveram estáveis, mas o que dava volume eram os investidores, que já diminuiu bastante", diz. De acordo com o Raio-X FipeZap, o percentual de compradores em potencial (com pretensão de adquirir imóveis nos próximos 3 meses) que classificavam os preços atuais como "altos" ou "muito altos" apresentou ligeiro avanço, encerrando dezembro em 64%. Entre aqueles que adquiriram imóveis recentemente, por outro lado, a proporção de compradores que partilhava dessa opinião recuou frente ao observado no trimestre anterior, respondendo por 44% do total.

Já o percentual de consumidores que declarou intenção de comprar um imóvel nos próximos três meses caiu 5 pontos percentuais no último trimestre, recuperando a queda observada nas últimas pesquisas.

Quanto ao tipo de imóvel, a maioria dos compradores (56%) optou pela aquisição de imóveis usados no período pesquisado. Entretanto, 54% dos entrevistados que pretendem comprar algum imóvel nos próximos três meses se declarou indiferente entre a aquisição de um imóvel novo ou usado. E a maior parte dos compradores (51%) pretende utilizar o imóvel adquirido para moradia (sozinho ou com alguém).

Preços

Finalmente, com relação às expectativas sobre a evolução do preço dos imóveis, a proporção dos que esperam estabilidade nos preços nos próximos 12 meses subiu de 30% para 35% no último trimestre, aumento partilhado entre aqueles que preveem queda nos preços (de 22% para 26%).

Já os entrevistados que esperam aumento nos preços oscilou de 18% para 15% no mesmo horizonte temporal. Como resultado, a expectativa de variação de preço para os próximos 12 meses passou de -2,4%, no terceiro trimestre, para -3,6%, no quarto trimestre de 2017.

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