Entrevista com Romildo Carneiro Rolim*

'Desafio é aplicar 100% dos R$ 27 bi do FNE para 2018'

O novo presidente do BNB disse que sua gestão buscará melhorar a eficiência e a celeridade da Instituição. "Vamos focar na melhoria dos nossos indicadores de eficiência, de velocidade no atendimento ao cliente", destacou
01:00 · 03.01.2018 por Bruno Cabral - Repórter

Ocupando a presidência do Banco do Nordeste (BNB) desde o último dia 27 de dezembro, Romildo Carneiro Rolim concedeu entrevista exclusiva ao Diário do Nordeste e disse que assumiu a Instituição em um "momento bom" e que, neste ano, espera aplicar todo o recurso disponível para as linhas de crédito vinculadas ao Fundo Constitucional do Nordeste (FNE), valor que representaria uma marca histórica para o Banco. A seguir, Rolim fala dos principais desafios da nova gestão e das metas para 2018.

Há uma semana na presidência do BNB, como avalia a situação do Banco?

O Banco, nos últimos cinco anos, vem se inserindo numa linha ascendente em termo de fortalecimento de sua governança, dos seus controles internos, e em todas suas linhas de atuação, das quais uma das principais é o crédito produtivo de longo prazo, que utiliza fundamentalmente recursos do FNE. Então, a gente está assumindo em um momento bom da instituição financeira. A gente vem reestruturando essa questão de celeridade no atendimento ao cliente, na linha do crédito novo, na renegociação de dívida, na administração de crédito, e manter essa linha ascendente é o nosso desafio.

Quais as metas do Sr. Para o ano de 2018?

A gente tem um orçamento grande de aplicação do FNE, em torno de R$ 27 bilhões. Então, tem esse desafio de, em 2018, aplicar até o último centavo desse valor. Nos últimos dois anos a gente aplicou uma parte disso, de forma ascendente. Em 2017, a gente aplicamos em torno de 60% disso. Também vamos focar na melhoria dos nossos indicadores de eficiência, de velocidade no atendimento ao cliente.

Por que em 2017 foi aplicado apenas 60% dos recursos do FNE?

Por conta dessa questão da redefinição das taxas, que se vem conversando no mercado há cerca de seis meses. Aí o investidor espera a queda do juros e adia a decisão de investir.

Como funcionário de carreira do BNB, como o senhor quer que sua administração seja reconhecida?

Estou no Banco há 28 anos e nos últimos três anos e meio eu estava como diretor financeiro de crédito do Banco. Então, eu já estava como sucessor natural da presidência, por ser o diretor mais antigo. Quero fazer com que o Banco do Nordeste seja percebido não por um trabalho de um presidente, mas por um trabalho de mais de sete mil pessoas. É a gente conseguir fazer o Banco mudar em termos de celeridade, para que o processo de crédito no atendimento ao cliente seja mais rápido. Há alguns aperfeiçoamentos a serem feitos e a gente precisa consolidar isso, como o atendimento digital de micro e pequenas empresas.

O BNB fará algum concurso neste ano?

A gente não tem ainda nenhuma previsão. Temos um concurso vigente, com alguns colegas que estão para ser chamados.

Como estão as negociações entre o BNB e a Fraport (nova administradora do Aeroporto Pinto Martins), que terá de fazer grandes investimentos nos próximos meses?

A gente está em conversações com eles. Já fizemos algumas apresentações mas agora está no tempo deles. Estamos discutindo, levando essas novas informações sobre essas novas taxas, que são muito competitivas.

Quais seriam os principais atrativos dessas linhas de financiamento?

A gente viu, na semana passada, a divulgação da Medida Provisória 812 (que muda o cálculo dos fundos constitucionais com base em desigualdades regionais) que fez as taxas do FNE ficaram bastante competitivas para quem quer empreender no Nordeste. E aí a gente vem conversando com todos esses investidores, com esses empreendedores, para levar todo esse nosso portfólio do funding. Na questão da infraestrutura, a gente pode financiar até 80% dos investimentos totais projetados. A gente está conversando com vários investidores, incluindo a Fraport.

Como o Banco vem trabalhando os financiamentos para o setor turístico no Estado e qual a perspectiva para 2018?

A gente tem toda a programação do FNE para 2018. Temos dividido parte disso para infraestrutura, que envolve todas essas linhas que inclui aeroportos, mas também toda uma linha empresarial, que inclui todos os processos ligados ao turismo, como resorts e hotéis.

Quais os planos para o Crediamigo (Programa de Microcrédito Produtivo)?

Esse é um programa que leva resultado para o cliente e gera desenvolvimento. Os tickets são pequenos e faz com que a gente atue de forma bem massificada. Em 2018 nós vamos expandir o programa em algumas localidades, onde a estrutura ainda é insuficiente para fazer chegar a mais pessoas.

Nos últimos anos, o BNB tem investido em projetos de inovação por meio do Hubine (Hub Inovação Nordeste), como a nova administração vê essa iniciativa?

O Hubine é uma grande ideia, uma grande sacada da diretoria do BNB, e na nossa gestão a gente vai continuar dando todo o apoio do Hubine, fazendo todas as avaliações necessárias que tem que ser feitas e também os investimentos que devem ser feitos no momento certo. Agora, vamos direcionar o Hubine para trabalhar para o Banco em busca de atender melhor e mais rápido o cliente, simplificando processos.

Há algum plano para reduzir o número de agências em 2018?

A gente terminou 2017 com 292 agências, e para 2018 a expectativa é manter esse número. Não existe expectativa de fechamento. A gente atende a todos os municípios do Nordeste por meio de outros mecanismos, como agências itinerantes, e estamos investindo na ampliação do atendimento digital.

 *Romildo Carneiro Rolim é presidente do Banco do Nordeste

© Todos os direitos reservados. O conteúdo não pode ser publicado, reescrito ou redistribuído sem prévia autorização. Passível ação judicial.