SETOR OTIMISTA

Custo menor estimula varejo e deve ampliar contratações

Mudanças na CLT podem auxiliar preparação para vendas o melhor período de vendas , segundo empresários

01:00 · 09.09.2017

Com mais flexibilidade para contratações devido às mudanças nas leis trabalhistas, os lojistas estão animados com as perspectivas de vendas no fim do ano, principal data comemorativa para o comércio. Na avaliação do presidente da Federação da Câmaras de Dirigentes Lojistas (FCDL), Freitas Cordeiro, as alterações estimulam a atividade do setor. "Quem estava temeroso voltou a ter razão para investir", aponta.

O presidente destaca que a possibilidade de contratação por algumas horas em datas esporádicas, proporcionada pela regulamentação do trabalho intermitente na reforma trabalhista, é um avanço para que os estabelecimentos possam otimizar a utilização da mão de obra. "Para que ficar com mão de obra parada na semana em um estabelecimento que tem maior movimento no fim de semana? Não faz sentido", diz.

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O comércio de Fortaleza, especificamente, poderá associar as mudanças trabalhistas ao projeto do Município de estender o horário de funcionamento das lojas de rua de determinadas áreas da Capital até às 22 horas. "O Centro vai ser um polígono diferenciado, permitindo que a atividade se estenda e se tenha liberdade para trabalhar. Não há razão para que esse horário seja permitido em shopping, mas não no Centro", reforça.

Já para Cid Alves, presidente do sindicato do Comércio Varejista e Lojista de Fortaleza (Sindilojas), a segurança jurídica proporcionada pela prevalência dos acordos coletivos à legislação trabalhista também é ponto importante para o segmento. "O grande problema que temos hoje é que pagamos todos os direitos e, muitas vezes, quando saem, ex-funcionários entram com processos e conseguem mais", afirma.

Preparação

Segundo Freitas Cordeiro, os empresários do setor estão estudando como se apropriar das mudanças para melhorar o negócio e reduzir custos, mas nega substituição da mão de obra. "Não tem movimento nenhum no sentido de retirar os profissionais que estão empregados para mudar os contratos. Não vemos nenhum trauma, as mudanças que acontecerem serão aos poucos. (A reforma) é uma boa sinalização para o setor", aponta o presidente.

Ele argumenta que, como há mais de treze milhões de desempregados no País, é necessária maior liberdade para a composição de horários e rescisões para a mão de obra do setor. "Não foi uma legislação que veio para desproteger o empregado, mas para uma liberdade, para otimizar esse setor. É uma medida que a gente esperava e que ainda veio tímida, mas não deixa de ser um começo", defende Cordeiro.

O presidente da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), Honório Pinheiro, endossa o posicionamento e afirma que as alterações na legislação trabalhista vão proporcionar uma maior flexibilidade dos contratos de trabalho e, assim, potencializar a eficiência e a economia para o setor. "As empresas estão se preparando para implementar essas questões, que devem gerar mais empregos", aponta.

Na avaliação de Pinheiro, a flexibilidade para contratar profissionais em períodos esporádicos, dividir férias em três períodos e compensar horas extras, entre outras alterações, são ferramentas que vão otimizar os processos das empresas, reduzindo custos e ampliando a produtividade da mão de obra. "Temos uma estrutura sindical com visões antigas e o Brasil é novo. Essa é uma modernização", aponta o presidente.

Incertezas

De acordo com o presidente do Sindicato dos Comerciários de Fortaleza, Francisco Gonçalves, a entidade vai se reunir com advogados na próxima segunda-feira (11) para discutir os efeitos da reforma para a categoria. "Estamos sem saber como as coisas vão ficar, até porque o presidente ainda ficou de enviar uma MP (Medida Provisória) sobre a reforma", destaca.

Ele reforça, entretanto, que o clima entre os comerciários é de tensão. "A categoria está temerosa porque, nas negociações com as empresas, já é difícil para o trabalhador garantir conquistas por meio do sindicato, imagina sem. É uma mudança que vem precarizar a mão de obra", lamenta o presidente. Outra preocupação para eles são as mudanças em relação aos horários do comércio na Capital.

"Essa proposta foi para a Camara Municipal de uma hora para outra. Estamos chamando trabalhadores para uma assembleia na próxima quarta-feira (13) e passar essa questão para nossa categoria. O Centro à noite é um terror, sem segurança nenhuma. O comércio não suporta trabalhar 24 horas por dia, porque lá não tem policiamento que dê jeito, as são ruas desertas", defende Gonçalves.

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