10º corte seguido

Copom baixa Selic para 7%; menor taxa desde 1986

Redução ocorreu em um cenário de inflação sob controle, mas com a economia sem sinais firmes de recuperação

Em comunicado, o Comitê de Política Monetária do Banco Central indicou que uma nova redução da taxa básica de juros pode ser "adequada"
01:00 · 07.12.2017

São Paulo. Na última reunião do ano, o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) decidiu, ontem (6), cortar a taxa básica Selic em 0,5 ponto percentual, para 7% ao ano. Foi a décima redução seguida do juro básico, levando a taxa ao menor patamar desde o início da série histórica do Banco Central (BC), em 1986, ou seja, em pouco mais de 30 anos.

A decisão, unânime, ficou de acordo com os 7% estimados pelo Boletim Focus, do Banco Central. A queda de 0,5 ponto percentual representou nova redução do ritmo de corte do Banco Central - no encontro de outubro, a Selic tinha caído 0,75 ponto percentual. Desde abril, quando o juro caiu de 12,25% para 11,25% ao ano, o Copom vinha promovendo cortes de um ponto percentual.

> Bancos acompanham decisão e reduzem juros

No comunicado divulgado após a decisão, o Copom indicou que uma nova redução da taxa básica de juros pode ser "adequada" caso o cenário econômico evolua conforme a expectativa do Banco Central. O mercado espera agora nova redução de 0,25 ponto em fevereiro.

A queda dessa quarta-feira ocorreu em um cenário de inflação sob controle, mas diante de uma economia que ainda não demonstra sinais firmes de recuperação. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (IPCA) - que mede a inflação oficial do País - de outubro mostrou avanço de 0,42%, o maior índice desde agosto do ano passado. Ainda assim, a inflação em 12 meses acumula alta de 2,7%.

Novos reajustes de tarifas de energia e combustíveis e o fim da safra de alimentos devem manter, em novembro, a pressão sobre os preços. Com isso, o indicador caminha para fechar o ano abaixo do centro da meta do Banco Central, que é de 4,5%.

A queda dos juros também deve ajudar a impulsionar a economia, após um terceiro trimestre de quase estabilidade. O Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 0,1% no terceiro trimestre e ficou praticamente estável em relação aos três meses imediatamente anteriores. Em relação ao terceiro trimestre de 2016, o PIB cresceu 1,4% entre julho e setembro deste ano. Neste ano, até setembro, a expansão é de 0,6%.

Temer comemora

O presidente da República, Michel Temer, divulgou em suas redes sociais vídeo em que comemora a decisão do Banco Central e a atribui ao governo. "Com estes juros mais baixos, evidentemente fica mais fácil para viver, para trabalhar, para comprar, para morar, porque isto reduz os juros de todo o sistema bancário", disse.

Poupança

A queda da taxa básica de juros para 7% ao ano deixou a poupança mais atrativa que a maioria dos fundos de investimento de renda fixa, em especial aqueles com taxa de administração salgadas. De acordo com a Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), o rendimento mensal da poupança deve ficar em 0,40%.

Pelas contas da Associação, fundos com taxa de até 0,5% ao ano batem a rentabilidade da poupança, independentemente do prazo de resgate considerado. A caderneta ganha de fundos com taxa de 1% ao ano em caso de resgate em até seis meses, mas perde se o dinheiro ficar acima desse período aplicado nesses produtos.

A poupança perde também para fundos com taxa de administração de 1,5% se o resgate for feito em mais de dois anos.

Opinião do especialista

Decisão ajuda na retomada do crescimento

Esse novo corte já estava precificado pelo mercado. O Banco Central já vinha cortando a taxa há algum tempo. E esse ajuste é positivo pois decorre da desaceleração da inflação. A nova alteração acaba chegando ao consumidor e ao produtor na forma de geração de mais consumo e mais investimento na economia nacional. Além de tudo isso, esse corte reduz o os gastos do governo com a dívida pública.

A economia brasileira precisava operar com uma taxa de juros mais baixa para termos a retomada do crescimento no ano que vem, que está estimado no patamar de 2,5%. E, claro, a política monetária do País sendo operada de forma extremamente satisfatória.

Vale lembrar, no entanto, que o Brasil ainda é um dos países com uma das maiores taxas de juros no mundo. Mas acredito que, dependendo, claro, do cenário político do próximo ano, deveremos fechar 2018 ainda no patamar de 7% para a Selic.

Ricardo Eleutério
Coordenador do Curso de Economia da Unifor

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