No trairi

Cooperativa retoma as atividades após 20 anos

Expoente econômico nos anos 80, Cooperai volta a comercializar produção local e planeja usar microgeração

10:00 · 27.08.2018 por Ingrid Coelho/Yohanna Pinheiro - Repórteres
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Momento de entrega das cédulas de liquidação das dívidas dos associados após duas décadas de paralisação das atividades da cooperativa

Outrora locomotiva econômica da região do Vale do Curu, no litoral oeste do Estado, a Cooperativa Agropecuária do Trairi (Cooperai) começa a retomar os trilhos do desenvolvimento na região. Fundada em 1973, a instituição elevou o município e cidades vizinhas ao patamar de maiores produtores de amendoim, coco e de farinha de mandioca do Estado nos anos 80, quando a cidade viveu também um notório ciclo de crescimento.

Nas décadas seguintes, entretanto, a cooperativa enfrentou dificuldades após os planos econômicos e mudança da moeda nacional, amargando dívidas com bancos públicos - foram quase 20 anos em que a comercialização de produtos ficou parada. A situação começou a mudar somente no ano passado, quando o governo federal autorizou a renegociação de dívidas de produtores da região Nordeste e a Cooperai, enfim, liquidou todos os seus débitos.

"Estamos retomando as atividades comerciais neste ano e já atendemos à chamada pública para fornecer alimentos ao programa da merenda escolar do município", comemora o atual presidente da entidade, Marcelo Barbosa. Para isso, a cooperativa reativou os núcleos integrados de produção da mandioca, farinha e derivados, da cana-de-açúcar, do coco, de frutas tropicais e de pequenos animais (caprinos e ovinos).

Desenvolvimento

Hoje com 55 associados ativos, a expectativa de Barbosa é que a entidade volte a crescer como em seus tempos áureos, quando chegou a ter 1.630 sócios. "O cooperativismo é a solução para os produtores. A cooperativa consegue comprar produtos mais baratos para os associados porque adquire em grande quantidade e direto da indústria, sem atravessadores, além de ser também um bom canal de vendas e contar com assistência técnica de órgãos públicos para a capacitação", explica o presidente Marcelo Barbosa.

Energia solar

A Cooperai já tem até um novo projeto para utilizar a microgeração de energia solar, o que deve começar a ser implementado em fevereiro do próximo ano para servir à produção de, inicialmente, 15 associados. "A surpresa foi que conversamos com a diocese de Itapipoca para instalarmos placas no telhado da matriz que está sendo reformada e eles se interessaram em expandir esse projeto para todas as igrejas de Trairi e, quem sabe, de até dos 18 municípios que ela abrange", conta.

O projeto inicial, para atender aos associados da cooperativa, já está pronto e deve ser apresentado em breve ao Banco do Nordeste (BNB) e ao Banco Nacional de Desenvolvimentos Econômico e Social (BNDES), segundo Barbosa. A ideia é também alugar as células para o comércio local, movimentando a economia da região dentro da ideia da sustentabilidade ambiental, com energia limpa e renovável.

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