Serviço em alta

Consertos de objetos ganham força no mercado

Fazer o reparo de um item pode ajudar a economizar, mas é preciso atenção quanto ao custo do conserto

Na Tafamon, que funciona no estacionamento de um shopping na Aldeota, Carlos Ramon conserta malas e bolsas. Sua clientela, além da economia, muitas vezes opta pelo reparo das peças movida pelo valor sentimental ( Fotos: Natinho Rodrigues )
00:00 · 13.02.2017 por Ingrid Coelho - Repórter
Wilson Diniz montou o Hospital das Panelas, especializado no reparo desses utensílios domésticos. Cobra em média R$ 10 a R$ 20 para consertar avarias e garante que o número de clientes aumentou

Quando algum item de grande valor afetivo apresenta alguma avaria, o conserto é a primeira opção, mas há ainda outros casos em que procurar o reparo é a melhor alternativa.

Se o custo do conserto não ultrapassar aproximadamente 30% do valor total do produto novo, técnicos e especialistas acreditam que é interessante optar pela recuperação.

O gerente de serviços da Eletrônica Moriá, Elves Soares, avalia que o custo-benefício deve ser analisado com cautela. Cita como exemplo o problema em um televisor LCD de 32 polegadas, comprado por aproximadamente R$ 900.

"Se é um defeito no painel ou se é uma troca de placa, que custa em torno de R$ 600, fica inviável para o cliente fazer o reparo, sendo a compra de uma TV nova a melhor saída", sugere.

Para a técnica em eletrônica Letícia Guimarães, da Regitec Assistência Técnica, realmente vale a pena optar pelo conserto quando ele equivale a até 30% do preço de um produto novo. "Se ele passar a ser metade do preço é o caso de repensar se esse investimento irá trazer um retorno positivo", pondera.

"Para uma máquina de lavar, por exemplo, com problema no rolamento, o reparo pode representar uma boa economia tendo em vista que o eletrodoméstico novo (modelo mais comum) custaria R$ 1.200 e o conserto não ultrapassaria R$ 400. Mas, existem defeitos que tornam essa opção inviável", detalha Letícia.

Ela avalia que a procura por consertos em 2016 cresceu em relação a 2015. "Foi mais movimentado em termos de serviços, tanto que contratamos mais duas pessoas para auxiliar", acrescenta Letícia.

Na análise de Clóvis Ferreira, técnico da Eletrônica GM, que trabalha com notebooks e videogames, as pessoas estão preferindo o conserto à compra, mas isso não evitou que o setor também sofresse com a crise econômica.

Ele avalia que o reparo vale a pena quando o orçamento para o conserto não ultrapassa a faixa de 30% em relação a um item novo. "Mas o custo do conserto varia muito de acordo com a marca do aparelho", observa.

Variedade

No Hospital das Panelas, localizado no estacionamento do Shopping Center Um, na Aldeota, - onde há uma variedade de lojas especializadas em consertos -, são reparados cabos, tampas, alças e pequenas avarias nesses utensílios.

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Na Barão Consertos e Calçados os reparos mais comuns custam entre R$ 10 e R$ 20.O proprietário Francisco Nunes conta que, muitas vezes, recebe peças antigas para recuperar porque já não existem similares no mercado

Especialista no ramo, o proprietário, Wilson Diniz, confirma que só é interessante consertar quando o valor do reparo não chega a 30% em comparação a um novo. Ainda assim, reitera que a decisão depende da qualidade do item.

"Às vezes a pessoa tem uma panela que não quer se desfazer porque é de alta qualidade. Hoje, algumas são bem mais frágeis", diz. Ele conta que, algumas vezes, recebe ítens que necessitam de peças que não dispõe. "Então a gente tem que fazer uma adaptação. Isso pode fazer o conserto ficar mais caro", acrescenta Diniz.

A médica Vanda Lopes procurou a empresa com duas panelas para trocar a alça, serviço que, de acordo com Diniz, custa R$ 20 a unidade. "Vale a pena! A panela está nova. O problema é só com as alças. Se eu fosse comprar na loja sairia bem mais caro, porque elas vêm em conjunto", argumenta a cliente.

Apego

Na mesma área da Aldeota, a Barão Consertos e Calçados cobra entre R$ 10 e R$ 20 para colocar uma virola de sapato, reparo mais recorrente, segundo Francisco Nunes, que administra o estabelecimento.

Segundo ele, quando o sapato já está velho, com o couro ressecado, não compensa gastar dinheiro tentando recuperar. No entanto, algumas vezes o calçado é antigo, mas como a pessoa gosta muito, tem apego pelo item, então a gente conserta".

Carlos Ramon Alexandre, gerente da Tafamon, também instalada no estacionamento do Center Um, trabalha com o conserto de malas e bolsas. Lá, é feito o reparo de zíper, alças, botões e até no couro rasgado. O serviço varia entre R$ 10 e R$ 80, de acordo com o especialista, que destaca ainda a questão do apego como fundamental para a decisão do cliente de consertar o acessório.

"A mala, quando tem qualidade, quando a estrutura é boa - diferente de algumas que são totalmente descartáveis -, vale a pena consertar. Tem cliente que vai muito pelo apego, gosta muito daquela bolsa e não quer se desfazer dela, então leva em conta o valor sentimental", explica Alexandre.

Apesar da prioridade ser bolsas e malas, Carlos Ramon Alexandre não deixou de atender à dona de casa Tereza Barbosa, que foi até o local para solicitar o conserto do botão de uma calça recém comprada, serviço que lhe custou R$ 10.

A peça de roupa, de acordo com ela custou R$ 145. "Eu preferi trocar (o botão). A calça foi cara, então não vou perder, né? Além disso, sempre costumo consertar meus sapatos e bolsas. Prefiro mandar fazer um conserto do que comprar uma nova. Mas isso, claro, dependendo do estado da peça", completa.

Onde encontrar

Eletrônica Moriá

(85) 3459-5100

Regitec Assistência Técnica

(85) 3224-2435

Eletrônica GM

(85) 3226-6901

Hospital das Panelas

(85) 8917-2682

Barão Consertos e Calçados

(85) 3082-5305

Tafamon

(85) 8791-6872

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