em 2016

Comércio eletrônico no Ceará é 3º maior do NE e gira R$ 718 mi

Considerando o volume de vendas na região Nordeste, o Estado só ficou atrás da Bahia e de Pernambuco

Diante da dificuldade de encontrar trabalho na área, a designer de moda Flávia Dias decidiu confeccionar peças em tecido e comercializar na internet
00:00 · 17.02.2017 / atualizado às 09:41 por Yohanna Pinheiro - Repórter
Após engravidar, a estilista Tainá Carvalho percebeu um novo nicho de mercado e passou a investir em produtos para o público infantil

O comércio eletrônico foi responsável pela movimentação de R$ 718,7 milhões no Estado no ano passado, o correspondente a uma fatia de 12,26% do mercado do Nordeste. É o terceiro maior volume de vendas na região, atrás apenas da Bahia, que movimentou R$ 1,8 bilhão no mesmo período (fatia de 30,39% do mercado nordestino) e de Pernambuco, com R$ 1,2 bilhão, 21,21% do volume de vendas regional.

Já no País, o comércio online faturou R$ 44,4 bilhões, um crescimento nominal - isto é, sem considerar a inflação do período - de 7,4% em relação ao ano anterior. Os dados são do estudo "webshoppers", realizado pela Ebit desde 2001, com o objetivo de traçar o rumo do mercado de compras online e contribuir para o entendimento e desenvolvimento do setor.

A pesquisa mostra que, entre os fatores que ajudaram o e-commerce a passar pelos períodos mais agudos da crise estão os preços oferecidos, mais baixos que os do varejo físico. O índice Fipe/Buscapé registrou em março o pico de inflação no comércio online da série histórica, com 10,76% na comparação ante igual período de 2015, mas encerrou o ano com deflação de 2,01% em dezembro.

Em tempos de recessão, isso teria feito com que o consumidor encontrasse nas compras virtuais um meio de economizar - o sucesso da Black Friday, inclusive, deve-se em parte a essa busca pelos melhores preços, conforme atesta o estudo. Soma-se a isso a expansão do mercado de smartphones, que trouxe uma gama de novos e-consumidores (mais de 21% das transações comerciais online foram realizadas por meio de dispositivos móveis no ano passado).

Empreendedorismo

Atentas ao potencial desse mercado, muitas pessoas têm apostado na internet para ingressar no mundo dos negócios. É o caso da empreendedora Tainá Carvalho, que, após ser mãe, lançou a lenda para você, marca infantil para meninas e meninos, entre um e oito anos, que prima pelo conforto, leveza e qualidade. Estilista de formação, Tainá sempre atuou na área e quando engravidou, em 2011, programou-se para se dedicar ao filho. Quando retornou ao mercado de trabalho, percebeu que as coisas haviam mudado, horários, datas e o próprio tempo.

Nos primeiros anos de convivência, seu filho a despertou para um novo nicho de mercado, o infantil. Começou a pesquisar e desenvolver uma linha de camisetas e short com elástico mais solto. Pronto! Estava criada a Lenda Para Você. A marca foi lançada oficialmente em outubro de 2014 com atendimento pelo whatsapp e em três meses lançaram a loja virtual.

"A internet é uma maneira de abranger o mercado nacional sem necessidade de abrir lojas em várias cidades. A logística é mais simples", ressalta a estilista, que atende os mercados de São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Paraíba, Alagoas, Pará e Amapá.

Ela confirma que dá para manter o negócio, pois tem um bom volume de vendas nos meios virtuais. "foi onde começamos e conseguimos expandir", relembra. Como vantagem, ressalta a praticidade de estar em várias praças sem o custo de loja física. E como desvantagem sinaliza as fraudes, que mesmo com ferramentas de proteção ainda são comuns neste meio.

Oportunidade

Diante da falta de oportunidades em sua área de formação, a designer de moda Flávia Dias resolveu empreender. Ela estava desempregada há quase um ano quando, em março de 2012, decidiu desenvolver ela mesma peças em tecido para vender, como nécessaires, carteiras, lixeiras para carro, organizador, luvas, kits para cozinha, jogo americano, descanso de xícara, avental etc. Os itens custam entre R$ 10 e R$ 50. "a demanda foi aumentando e em aproximadamente quatro meses resolvi criar a marca Manami. Em seguida, abri uma página no Facebook e uma loja virtual para divulgação dos produtos", conta. Ela diz que, na época, muitas portas se abriram devido à experiência com o desenvolvimento do produto e atendimento ao cliente.

Ela destaca que, nos últimos dois anos, as vendas aumentaram significativamente e não considera dificuldades em comercializar pela internet. "A tendência das lojas virtuais é continuar crescendo, devido à facilidade de acesso à internet por meio dos smartphones. Está cada vez mais seguro e cômodo comprar online", avalia Flávia. Atualmente, as encomendas pelas redes sociais representam cerca de 30% do orçamento mensal da marca Manami.

Raio-x dos consumidores

Conforme o levantamento "webshoppers", quase um quarto da população brasileira - 47,93 milhões de pessoas - comprou online pelo menos uma vez no ano passado, alta de 22% ante 2015. A ampliação do acesso à internet por dispositivos móveis também exerceu impacto sobre o resultado, uma vez que concentraram 21,5% das transações em 2016, ante 12,5% do ano anterior.

A participação feminina foi superior à masculina neste ano. As mulheres foram responsáveis por 51,6% das compras ante 48,6% no ano anterior, enquanto a participação dos homens caiu de 51,4%, em 2015, para 48,4% no ano passado. Já a faixa etária média dos consumidores é de 43,4 anos, sendo os consumidores com mais de 35 anos responsáveis por 69% de todos os pedidos realizados em 2016.

O número de consumidores com renda menor que R$ 3 mil caiu de 39,09%, em 2015, para 34,3% no ano passado, mas ainda segue como a mais significativa entre as demais faixas. Com o cenário de instabilidade, o consumidor online optou por parcelar menos as compras. Os pedidos pagos em uma única parcela cresceram de 39% para 42%. O parcelamento de 4 a 12 vezes caiu de 36,5% para 33,4%.

O número de pedidos permaneceu estável, em 106,3 milhões. O relatório aponta que a quantidade só não foi menor devido à maior recuperação das vendas no segundo semestre do ano, principalmente pelo aumento das vendas na Black Friday e outras datas sazonais, como o Natal. Já o tíquete médio registrou alta de 8% na comparação entre os períodos, passando de R$ 388 para R$417.

As três categorias mais vendidas em 2016, em volume de pedidos, foram moda e acessórios (13,6%); eletrodomésticos (13,1%); livros, assinaturas e apostilas (12,2%). Já em termos de faturamento, lidera o segmento de eletrodomésticos (23%), seguido por telefonia e celulares ( 21%) e eletrônicos (12,4%).

Perspectivas

Para 2017, tendo como base uma leve recuperação da economia e um crescente destaque do e-commerce, o relatório aponta que o setor deverá faturar R$ 49,7 bilhões e crescimento nominal de 12%. O tíquete médio deverá expandir 8%, para R$ 452, enquanto que, para o volume de pedidos, a expectativa é de uma alta de 4%, para 110 milhões.

A Ebit prevê ainda 40% de crescimento das compras feitas por meio de dispositivos móveis no comércio eletrônico. A expectativa é que 32% das transações provenham de smartphones e tablets em dezembro de 2017.

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