Editorial

Potencial de água doce

00:00 · 26.11.2013
O longo período de estiagem do segundo semestre do ano em curso está bem perto de ser concluído sem a evidência de uma próxima estação chuvosa. Organismos de pesquisas meteorológicas estão cautelosos quanto ao volume das chuvas do próximo inverno.

Diante dessa ausência de previsões de chuvas, o Ministério do Meio Ambiente reúne, em Fortaleza, representantes da Secretaria Nacional de Recursos Hídricos, dos coordenadores e equipes técnicas do Programa Água Doce (PAD). Esta ação do governo federal foi instituída em 2003 com o objetivo de estabelecer política permanente de acesso à água de qualidade para consumo humano.

O V Encontro Nacional de Formação do Programa Água Doce congrega, até sexta-feira, representantes do Departamento de Revitalização das Bacias Hidrográficas da Secretaria Nacional de Recursos Hídricos, técnicos vinculados ao programa atuante nos Estados do Ceará, Alagoas, Bahia, Minas Gerais, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe, além de órgãos federais, municipais e de empresas contratadas para a elaboração de diagnósticos setoriais.

O Programa Água Doce, uma das ações do Plano Brasil Sem Miséria, busca atender, prioritariamente, com abastecimento de água potável, às localidades rurais difusas, situadas em regiões de difícil acesso para o abastecimento, e onde a água disponível contém alto teor de sais. Sua meta é desafiadora: preconiza a universalização da água potável nas regiões totalmente isoladas.

No Ceará, essa política vem sendo realizada mediante convênio celebrado entre o Ministério do Meio Ambiente e o Estado e se volta inicialmente à implantação, recuperação e gestão de sistemas de dessalinização de comunidades do semiárido cearense. Onde foram implantados os poucos sistemas locais de abastecimento rural, a dificuldade maior decorre das fontes supridoras salinizadas.

A intervenção do PAD começou pela execução de diagnósticos técnicos, sociais e ambientais das 666 comunidades rurais assistidas. Esse acervo de informações orientará os projetos técnicos de recuperação ou implantação dos sistemas de dessalinização. A Secretaria de Recursos Hídricos vai concentrar suas atenções em 444 comunidades, localizadas em 47 municípios, realizando testes de vazão, sustentabilidade ambiental, análise laboratorial do solo e verificação da produção de cada poço profundo.

Durante o encontro da comunidade técnica envolvida pelo programa, informações dessa natureza estão sendo trocadas, bem como difundidas outras ocorrências comuns à região semiárida, onde o solo raso e o subsolo petrificado impedem a penetração das águas de chuvas. A salinização tem sido o maior obstáculo para o funcionamento desses sistemas simplificado de suprimento d´água.

Levantados os diagnósticos de todas as comunidades estudadas, inicialmente 222 das localidades ganharão sistemas de dessalinização, novos ou recuperados. As lideranças comunitárias serão chamadas, mais fortemente, a participar dos processos locais de gestão, operacionalização e manutenção dos equipamentos destinados a eliminar o excesso de sal da água captada.

A normalidade no abastecimento d´água do Polígono das Secas depende, basicamente, da transposição do Rio São Francisco. Enquanto esta não chega à conclusão, o fornecimento de água doce às regiões rurais isoladas, por meio de poços profundos, é a única saída capaz de aguardar a implantação das adutoras previstas na redistribuição de água.

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