TRANSPORTE DE CARGAS

CNI vai ao STF contra tabelamento do frete

Conforme a entidade, a tabela de preços "provoca prejuízos extremamente danosos para a economia"

A tabela de preços foi uma das exigências dos caminhoneiros para encerrar a paralisação que fizeram durante 11 dias em praticamente todos os estados brasileiros. CNI afirmou que vai recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF)
01:00 · 09.06.2018 / atualizado às 01:47

Brasília. A Confederação Nacional da indústria (CNI) decidiu ir ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra o tabelamento do frete para transporte rodoviário de cargas. Em nota, a entidade diz que ingressará nos próximos dias com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) no Supremo.

"O tabelamento é insustentável, porque provoca prejuízos extremamente danosos para a economia, especialmente para o setor produtivo, e para a população", afirma, em nota, o presidente da CNI, Robson Braga de Andrade. Ele destaca ainda que a fixação de preços mínimos infringe o princípio da livre-iniciativa e é ineficaz.

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De acordo com a CNI, a peça está em fase final de elaboração e irá questionar a Medida Provisória 832/2018, que estabeleceu preços mínimos obrigatórios para os fretes praticados no País. Para a entidade, a MP é inconstitucional por desrespeitar a livre-iniciativa, a concorrência e os contratos firmados, entre outros pontos, "caracterizando intervenção indevida do Estado na economia".

A tabela de preços mínimos de fretes foi definida para atender a uma das reivindicações dos caminhoneiros, no fim de maio.

Na quinta, o governo chegou a fazer uma mudança na tabela, divulgando uma nova versão, com uma redução média de 20% nos valores em comparação com a primeira tabela, publicada em 30 de maio, atendendo principalmente a um pleito agora do setor produtivo. No entanto, essa nova versão foi contestada pelos representantes de caminhoneiros e o governo suspendeu sua vigência e negocia com a categoria, durante toda a sexta-feira, uma alternativa.

Impactos

A CNI informa, na nota, que levantamentos feitos pelas associações industriais estimam que, com o tabelamento, os fretes tiveram aumentos médios entre 25% e 65%. Em algumas situações, os custos subiram mais de 100%. A entidade alerta ainda que os consumidores sentirão no bolso os efeitos da medida, pois ela levará a um aumento de preços, dada a "alta dependência rodoviária do País".

"Uma das razões alegadas pelos caminhoneiros para defender o tabelamento dos fretes é a imprevisibilidade gerada pela política de aumento de combustíveis. Para a CNI, na verdade o estabelecimento de preços mínimos dos fretes gera ainda mais insegurança, uma vez que a medida aumenta os custos de todo o setor produtivo", diz a nota da confederação.

Impasse

Outras associações também ameaçam ir à Justiça contra a tabela de preços do frete. Entre elas, está a Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil). Segundo o presidente da entidade, Bartolomeu Braz Pereira, há um impasse entre produtores e caminhoneiros, e o governo não consegue resolver. "Estão paradas exportações e comercialização".

Também a Associação Nacional de Exportadores de Cereais (Anec) pretende questionar a tabela na Justiça, segundo informou o diretor-geral, Sérgio Mendes. "Está para sair a qualquer momento", afirmou. "Estou no setor desde 1965, nunca vi um impasse como esse".

Reunião

Terminou na noite dessa sexta-feira a reunião de representantes dos caminhoneiros com a área técnica da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Os caminhoneiros seguirão se reunindo ao longo do fim de semana e voltarão para uma nova reunião com os técnicos na segunda-feira (11). "A ANTT segue empenhada em encontrar uma solução que harmonize os interesses de produtores, transportadores e sociedade", diz notada Agência.

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