EM FORTALEZA

Cesta básica: feijão ajuda a reduzir custo em 0,13%

Conforme o Dieese, o valor do conjunto de alimentos essenciais na Capital cearense ficou em R$ 415,41

01:00 · 08.11.2016
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Com deflação de 4,48%, o produto foi o principal destaque negativo na cesta de Fortaleza ( FOTO: HONÓRIO BARBOSA )

Em outubro, o conjunto dos 12 produtos que compõem a cesta básica de Fortaleza registrou deflação de 0,13%, em relação a setembro. A queda nos preços de três produtos - feijão, tomate e leite - fez com que o preço da cesta básica passasse de R$ 415,94, em setembro, para R$ 415,41, em outubro. Mesmo com o resultado, Fortaleza registrou a 13ª cesta mais cara, entre as 27 capitais brasileiras.

No mês, o feijão apresentou a queda mais expressiva entre os itens da cesta, com variação de -4,48%, seguido pelo tomate, que deflacionou 1,77% e pelo leite (-0,23%). As maiores altas foram observadas no arroz, cujo preço avançou 3,51%, no açúcar (2,94%), e no óleo (2,90%). De acordo com o estudo, divulgado ontem (7) pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o gasto com alimentação de uma família padrão (2 adultos e 2 crianças) foi de R$ 1.246,23.

Segundo o economista do Dieese, Gilvan Farias, o feijão - cujo preço vêm declinando há quatro meses consecutivos - deve continuar em queda nos próximos meses, até voltar ao seu patamar considerado normal. "O feijão chegou a custar R$ 13, R$ 14, mas está voltando para o preço normal dele e a tendência é que continue em queda até o fim do ano", avalia.

Analisando os números da cesta de Fortaleza em um todo, Gilvan explica que os próximos resultados vão depender de como estará a inflação, que de acordo com as previsões de instituições financeiras consultadas pelo Banco Central para o Boletim Focus divulgado ontem, deve encerrar 2016 em 6,88%. "Cada componente da cesta tem sua especificidade. Se pegarmos o conjunto, havendo uma redução da inflação no período, com certeza os produtos da cesta básica serão impactados".

"No caso, estamos com um cenário de queda na inflação, então isso deve influenciar na cesta básica", acrescenta, reforçando que, apesar da deflação de 0,13%, a parcela da renda do trabalhador que ganha um salário mínimo (R$ 880) direcionada para a compra da cesta básica ainda é alta: 51%. "Ele despende metade do salário para a compra dos produtos da cesta, sendo que esse trabalhador tem outros custos como educação, saúde, aluguel e lazer", ressalta.

Para o custo da cesta básica caber no bolso desse consumidor, o salário mínimo teria que ser de R$ 4.016,27 ou 4,5 vezes o mínimo de R$ 880. Em setembro, o necessário correspondeu a R$ 4.013,08, o que também foi equivalente a 4,5 vezes o piso salarial vigente.

Entre janeiro e outubro deste ano, a cesta básica de Fortaleza acumula alta de 21,21%, quarta alta mais expressiva entre as capitais pesquisadas pelo Dieese. Os três principais avanços foram observados em Maceió (24,25%), Aracaju (23,69%) e Rio Branco (21,99%). No acumulado dos últimos 12 meses, a alta em Fortaleza foi de 35,65%. Em outubro de 2015 o valor da cesta era de R$ 306,23.

Na série de 12 meses, dos produtos que compõem o conjunto de 12 itens, os que sofreram maior elevação nos preços, foram o feijão (151,25%), a farinha (71,81%), a manteiga (66,98%), o açúcar (62,37%). Nenhum produto sofreu redução no preço.

No semestre que compreende os meses de abril a outubro, cuja variação dos preços ficou em 7,86%, os produtos da cesta que sofreram as maiores elevações nos preços foram o feijão (75,84%); a manteiga (28,21%); leite (25,21%); e o arroz (18,08%). Apenas três itens apresentaram redução nos seus preços: o tomate (-12,94%), a carne (-3,58%) e o óleo, que deflacionou -1,27%.

Brasil

Além de Fortaleza, o custo da cesta básica está menor em outras 13 capitais brasileiras. Entre as cidades que tiveram as quedas mais expressivas na passagem de setembro para outubro estão Brasília (5,44%), Teresina (-1,77%), Palmas -(1,76%) e Salvador (-1,66%). Outras 13 registraram alta, com destaque para Florianópolis (5,85%), Vitória (3,19%), Porto velho (2,18%) e Maceió, com variação de 2,12%.

A cesta mais cara foi encontrada em Porto Alegre (R$ 478,07), seguida da capital Florianópolis (R$ 475,32) e da cidade de São Paulo (R$ 469,55).

dsa

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