SETOR CEARENSE

Cerâmicas: 20 dias para reorganizar a logística

No caso dos fabricantes de tijolos do Ceará, a estimativa é que tenha ocorrido uma perda de 50% no faturamento

01:00 · 01.06.2018 por Yohanna Pinheiro - Repórter
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Chegada de matéria-prima e envio de materiais a obras no CE foram prejudicados ( FOTO: MARCELINO JUNIOR )

Os efeitos dos bloqueios das rodovias no País também chegaram às cerâmicas cearenses, que contabilizam prejuízos de até 70% do faturamento na última semana, no caso das que fabricam telhas, e de até 50% no das fabricantes de tijolos. Embora a produção desses materiais ainda não tenha sido afetada, as indústrias só têm estoque suficiente de insumos até, no máximo, o fim da semana.

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É o que relata o presidente do Sindicato da Indústria e Olaria de Produtos Cerâmicos do Estado do Ceará (Sindcerâmica), Marcelo Tavares. "O impacto é muito grande, porque praticamente todas as empresas estão sem faturar, em um cenário de crise muito forte que a construção civil atravessa. Além de ser fim de mês, quando geralmente os compromissos financeiros são maiores", lamenta.

Tal é a situação que Tavares aponta que há empresas que cogitam não cumprir a folha de pagamento em dia e ainda estima que sejam necessários, em média, 20 dias para reorganizar a logística do recebimento de matéria-prima e envio de materiais a diversas obras no Estado. "Desde o início da paralisação, as empresas de Russas (principal região na fabricação de telhas no Estado) não estão conseguindo entregar à Fortaleza".

Continuidade de obras

Outra consequência da quebra do elo da cadeia produtiva, segundo o presidente do Sindcerâmica, é sobre a continuidade das obras de construção civil sendo realizadas no Estado, que devem demorar o mesmo período para serem retomadas.

"Existem obras paradas por não estarem recebendo cimento e materiais agregados e, que, mesmo que se volte ao normal, não querem receber os tijolos porque não têm como continuar a obra sem a chegada de todos os insumos necessários", afirma Marcelo Tavares.

Impacto

O reflexo das paralisações sobre o setor foi maior a partir da sexta-feira (25), segundo Tavares, quando houve uma intensificação dos bloqueios das rodovias no Estado.

"Nos primeiros dias, não afetou tanto, porque a paralisação era só na BR-116, mas de sexta para cá as entregas foram paralisadas. Nesta terça-feira (29), alguns caminhões conseguiram realizar algumas entregas fazendo desvios, mas ainda está muito comprometido", conta.

No meio desta semana, ele relatou que a logística de entrega segue totalmente prejudicada, com empresas que não fizeram uma entrega sequer entre a sexta-feira passada (25) e a última segunda-feira (28).

"Na segunda, algumas fábricas conseguiram realizar entregas para Pacajus e Eusébio, entre outras cidades, porque houve redução dos bloqueios. Mas algumas entregas para Fortaleza em regiões próximas à BR-116 continuam todas prejudicadas", relata Tavares.

A preocupação do setor é também para a entrega dos insumos da indústria, como biomassa para queimar nos fornos.

"Algumas vêm de Fortaleza, algumas de outras cidades do interior, como lenha, então alguns caminhões estão evitando transportar a mercadoria para não ficarem presos nos bloqueios. Porque para transportar lenha é preciso ter um documento de origem florestal que só tem validade de 24 horas", explica o presidente do Sindcerâmica.

Articulação

Apesar das dificuldades, em comparação a outros estados a situação do segmento no Ceará ainda é um pouco melhor.

"Existem cerâmicas em outros estados que estão com faturamento praticamente zerado, com indústrias paradas em Mato Grosso, São Paulo. Esse é um dos temas que vamos debater no 47º Encontro Nacional da Indústria de Cerâmica Vermelha, em João Pessoa (Paraíba)", aponta Marcelo Tavares.

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