a partir de outubro

Ceasa pode ter fim de ano mais caro com alta no câmbio

01:00 · 31.08.2018
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A lista de produtos importados vendidos na Ceasa inclui nectarina, damasco, ameixas frescas e secas, maçã e uva, além de alho ( FOTO: FÁBIO LIMA )

Com cerca de 20% dos produtos vindos do exterior, a Central de Abastecimento do Ceará SA (Ceasa) teme que a valorização do dólar sobre o real possa encarecer uma cesta de produtos a partir de outubro. O mês, segundo observa o analista de mercado da Ceasa, Odálio Girão, representa o auge dos artigos vindos de outros países, como nectarina, damasco, ameixas frescas e secas, pêra, uva e maçã.

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Apesar de o especialista informar que as origens de cada fruta varia entre Portugal, Espanha, Argentina, ou mesmo China, os Estados Unidos é um dos principais emissores de todos. Independente disso, qualquer origem pesa no preço final ao consumidor cearense, uma vez que o dólar americano é a moeda do comércio internacional.

"Estamos pensando que, no período de 3 a 4 meses o atacado e o varejo devem sentir o reflexo do câmbio", indicou, apontando uma possível alta tanto para os que compram em grande quantidade quanto para os de pequeno porte. Ele também indicou que, além das frutas, algumas especiarias vendidas nos galpões da Ceasa, como o alho, também devem ser impactadas pela valorização do dólar.

Insumos

Odálio alertou ainda para os efeitos sobre os insumos de produção de frutas e grãos. "É outro ponto importante na hora de produzir os alimentos. Os fertilizantes e os adubos estão todos importados. Agronegócio é campeão no uso de fertilizantes e adubos, e tudo que vem para o Brasil é importado e o preço é em dólar. Então, milho, soja, arroz, feijão, e os derivados serão todos impactados. Os laticínios também, porque bois e aves também têm insumos vindos de fora", observou o analista da Ceasa.

Pão

Embora o setor de panificação seja diretamente impactado pela variação cambial, uma vez que boa parte do trigo utilizado no Brasil é importado, as recentes altas da moeda americana não deverão implicar na alta do pão vendido no Estado. Após dois reajustes feitos no ano, em maio e em julho, já por conta da valorização do dólar no primeiro e também pela quebra da safra de trigo na Argentina no primeiro semestre, a expectativa para os próximos meses é de estabilidade no preço do alimento.

"O dólar realmente gera impactos no setor de panificação, mas a gente já fez reajustes, uma vez que o dólar vem subindo há algum tempo, e até o final do ano não há previsão de novos aumentos", diz Ângelo Nunes presidente do Sindicato das Indústrias de Panificação e Confeitaria no Estado do Ceará (Sindipan). "Então, a não ser que haja algum exagero, como quando ocorreu a quebra da safra de trigo na Argentina, o preço deve ficar estável pelos próximos dois ou três meses". Segundo Nunes, a expectativa é de que a oscilação do dólar diminua após a eleição, reduzindo o preço do trigo.

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